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Saúde

Norte, parte do Nordeste e Centro-Oeste tem menos leitos para enfrentar a pandemia, diz estudo

Laurivânia Fernandes

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Leitos da UTI adulto no Hospital Regional do Baixo Amazonas — Foto: Ascom/HRBA

O Norte, o interior do Nordeste e o norte do Centro-Oeste são as regiões mais desassistidas em leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) do Brasil – antes e durante a pandemia. A análise foi feita por pesquisadores e leva em conta dados oficiais e a incidência da Covid-19.

O estudo é uma parceria entre a Universidade Duke, nos Estados Unidos, com a Universidade Estadual de Maringá e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A equipe fez uma pesquisa transversal, que é basicamente um desenho, uma foto de um determinado problema. Nesse caso, analisaram a infraestrutura de saúde no país e relacionaram com o enfrentamento à pandemia pelo Sars Cov-2.

Foram utilizados dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do monitoramento de Covid-19 do Ministério da Saúde. Para traçar um parâmetro e entender se uma determinada região estava ou não bem abastecida, os pesquisadores usaram os critérios da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Usamos a Anvisa porque as referências mundiais são internacionalizadas, ou seja, uma referência da Organização Mundial da Saúde tenta abordar os padrões de saúde da Nigéria até o Reino Unido. Se a gente for aplicar o modelo da OMS pareceria que o Brasil estaria muito bem, mas não necessariamente. Escolhemos o nosso próprio padrão de referência”, explicou o pesquisador João Ricardo Nickenig Vissoci, que assina o estudo pela Universidade Duke.

Situação das UTIs em fevereiro

Esta primeira análise de dados mostra uma “fotografia” com os dados de como era a situação do Brasil e de seus leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em fevereiro de 2020. Para conseguir traçar uma referência, os cientistas usaram o seguinte critério: nesta região, os pacientes têm acesso a um leito a uma distância que demore menos de 2 horas de deslocamento?

 Brasil de fevereiro, como mostra o gráfico acima feito pelos cientistas, mostrava uma situação histórica onde a região Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste apresentam uma deficiência de UTIs para atendimento. De acordo com Vissoci, o debate é antigo e não é exclusivo aos leitos. Nestes locais temos menos médicos, equipamentos, e infraestrutura de saúde em geral.

“É um problema que a gente tenta reportar há muito tempo, a gente tem muitos estudos sobre isso, sobre a deficiência de atendimento no interior do país, no Norte e no Nordeste”.

O pesquisador explica que o critério de ter um leito a 2 horas de onde está a população foi adotado também para evitar uma distorção nos números, já que de fato o Norte tem uma população menor do que o resto do país.

“É o problema real do acesso. Nessas regiões as pessoas precisam viajar 8 horas para chegar ao hospital. Usamos um método que leva em conta a taxa de oferta de acordo com a demanda populacional”, explicou o autor.

Chegada da Covid-19

A chegada da pandemia ao Brasil passou a exigir com urgência a criação de novos leitos para atendimento de pacientes com a Covid-19. O governo federal, estados e municípios fizeram investimentos. O próximo mapa mostra quais regiões foram mais privilegiadas.

“Temos áreas de calor e de frio para os novos leitos de UTI criados a partir de fevereiro. O Norte foi a região menos favorecida para receber novos leitos desde o início, independente de como a pandemia tem avançado na região. Assim como o interior do Nordeste e o norte do Centro-Oeste”, disse Vissoci.

O avanço do Sars CoV-2 cresce nas cidades menores. Um outro estudo, feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que um aumento de 50% no número de casos em cidades com até 50 mil habitantes. Elas são, de acordo com Vissoci e sua equipe, as regiões menos equipadas e favorecidas – justamente em um período de pandemia em que há necessidade de redução do deslocamento.

Os cientistas que assinam o artigo, ainda em análise para publicação em revistas científicas, dizem que o estudo tem deficiências. A primeira delas é que os dados disponíveis e abertos pelo governo muitas vezes não são atualizados com uma frequência que está de acordo com a realidade em tempo real. A defesa é que “são os melhores dados que temos no Brasil atualmente”.

Além disso, a contagem de novos leitos foi feita até abril. O mês de maio com as novas UTIs e respiradores implementados pelo governo não estão incluídos.

Fonte: G1

Saúde

Teste de vacina da Oxford contará com 2 mil voluntários brasileiros

Laurivânia Fernandes

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Foto: University of Oxford via AP

Dois mil brasileiros participarão dos testes para vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford. A estratégia faz parte de um plano de desenvolvimento global, e o Brasil será o primeiro país fora do Reino Unido a começar a testar a eficácia da imunização contra o Sars CoV-2.

Em entrevista ao G1 na quinta-feira (28), a cientista brasileira e doutora pelo Instituto Butantan, Daniela Ferreira, já tinha adiantado o dilema da prova de eficácia: os responsáveis pela pesquisa em Oxford viam com preocupação o impacto da diminuição da curva de casos no Reino Unido. Já naquela época o grupo se organizava para ampliar os testes em uma região com altas taxas de circulação do Sars-Cov-2 para poder comprovar a possível eficácia da vacina.

“É uma situação um pouco bizarra, porque você quer que o coronavírus desapareça, não quer que as infecções continuem”, diz a chefe do departamento de ciências clínicas da Escola de Medicina Tropical de Liverpool. Para provar mais rapidamente se a fórmula é eficaz, é preciso que os voluntários tenham contato com o vírus e, atualmente, o Brasil é considera o epicentro da pandemia.

“Um dos fatores limitantes de tudo isso é se a gente vai continuar a ter, nos países em que as vacinas estão sendo testadas, um número de infecção que permite que você teste essa vacina rapidamente”, explicou Daniela Ferreira.

Testes aprovados pela Anvisa

Para ser conduzido no Brasil, o procedimento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com o apoio do Ministério da Saúde. Em São Paulo, os testes serão feitos em mil voluntários e conduzidos pelo Centro de Referência para Imunológicos Especiais (Crie) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A Fundação Lemann está financiando a estrutura médica e os equipamentos da operação.

Os voluntários serão pessoas na linha de frente do combate ao coronavírus, com uma chance maior de exposição ao Sars CoV-2. Eles também não podem ter sido infectados em outra ocasião. Os resultados serão importantes para conhecer a segurança da vacina.

Testes já começaram no Reino Unido

Com a previsão otimista de ficar pronta ainda em 2020, a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford ofereceu proteção em um estudo pequeno com seis macacos, resultado que levou ao início de testes em humanos no final de abril.

Em humanos, os testes têm apenas 50% de chance de sucesso. Adrian Hill, diretor do Jenner Institute de Oxford, que se associou à farmacêutica AstraZeneca para desenvolver a vacina, disse que os resultados da fase atual, envolvendo milhares de voluntários, podem não garantir que a imunização seja eficaz e pede cautela.

A vacina já está sendo aplicada em 10 mil voluntários no Reino Unido. A dificuldade para provar a possível eficácia está no fato de os cientistas dependerem da continuidade da circulação do vírus entre a população para que os voluntários sejam expostos ao coronavírus Sars-Cov-2.

Outras vacinas em andamento

Relatório publicado no site da Organização Mundial de Saúde (OMS) com dados até esta terça-feira (2) mostra que estão em desenvolvimento pelo menos 133 candidatas a vacina, sendo que dez delas estão na fase clínica, ou seja, sendo testadas em humanos.

Embora os estudos avancem em todo o planeta, muitos especialistas acreditam que a vacina não estará disponível em 2020. Projeções otimistas falam num prazo de 12 a 18 meses, que já seria recorde. A vacina mais rápida já criada, a da caxumba, levou pelo menos quatro anos para ficar pronta.

Outra hipótese contra a qual todos os pesquisadores lutam é a de que uma vacina efetiva e segura nunca seja encontrada. O vírus do HIV, que causa a Aids, é conhecido há cerca de 30 anos, mas suas constantes mutações nunca permitiram uma vacina.

“Está todo mundo muito otimista, mas estudo de vacina é algo muito complicado. A maioria deles para na fase 3, de testes clínicos, pelos problemas que aparecem. É importante discutir essa possibilidade (de não se ter uma vacina)”, admite Álvaro Furtado Costa, médico infectologista do HC-FMUSP.

Gustavo Cabral, imunologista que lidera um estudo na USP e no Incorconcorda: “A vacina é o melhor caminho profilático (preventivo), mas não é o único caminho, há também os tratamentos. Para o HIV não há vacina e as pessoas que têm o vírus podem ter uma vida normal. Sabemos que aproximadamente 80% das pessoas infectadas com o Sars-CoV-2 não desenvolvem a Covid-19 ou têm sintomas leves. O problema são os outros 20% e o risco de fatalidade, hoje de 6%. Mas há centenas de estudos sobre medicamentos neste momento”, disse.

A busca pela vacina

Para chegar a uma vacina efetiva, os pesquisadores precisam percorrer diversas etapas para testar segurança e resposta imune. Primeiro há uma fase exploratória, com pesquisa e identificação de moléculas promissoras (antígenos). O segundo momento é de fase pré-clínica, em que ocorre a validação da vacina em organismos vivos, usando animais (ratos, por exemplo). Só então é chegada à fase clínica, em humanos, em três fases de testes:

  • Fase 1: avaliação preliminar com poucos voluntários adultos monitorados de perto;
  • Fase 2: testes em centenas de participantes que indicam informações sobre doses e horários que serão usados na fase 3. Pacientes são escolhidos de forma randomizada (aleatória) e são bem controlados;
  • Fase 3: ensaio em larga escala (com milhares de indivíduos) que precisa fornecer uma avaliação definitiva da eficácia/segurança e prever eventos adversos; só então há um registro sanitário.

Depois disso, as agências reguladoras precisam aprovar o produto, liberar a produção e distribuição. Das dez vacinas em testes em fase clínica, algumas aparecem em estágio mais avançado, como a desenvolvida por Oxford, em fase 3.

A vacina do Reino Unido é produzida a partir de um vírus (ChAdOx1), que é uma versão enfraquecida de um adenovírus que causa resfriado em chimpanzés. A esse imunizante foi adicionado material genético usado para produzir a a proteína Spike do SARS-Cov-2 (que ele usa para invadir as células), induzindo a criação de anticorpos.

A empresa AstraZeneca já fechou com EUA e Reino Unido para cuidar da produção em escala mundial. O CEO da farmacêutica disse à rede britânica BBC, no domingo, que a população pode ter acesso a 100 milhões de doses da vacina já em setembro.

Fonte: G1

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Saúde

Profissional da saúde de São Raimundo Nonato morre vítima de coronavírus após um mês internada

Laurivânia Fernandes

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A enfermeira Olívia Maria da Cruz Costa, de 32 anos, foi mais uma profissional da saúde vítima da Covid-19.

A profissional atuava no Hospital Regional Senador Cândido Ferraz e na Unidade de Pronto Atendimento da cidade São Raimundo Nonato, no Sul do Piauí, e não possuía comorbidades. Ela estava internada há cerca de 30 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Marcos, em Teresina.

Até o momento, foram confirmados 64 casos, sendo duas mortes, pela doença na cidade.

A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) e o Conselho Regional de Enfermagem, lamentaram a morte da profissional e se solidarizaram com sua família.

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Saúde

Brasil ainda não chegou ao pior da pandemia, diz OMS

Laurivânia Fernandes

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Foto: Getty

O pior da pandemia ainda não chegou para o Brasil, afirmou nesta segunda (1ª) o diretor-executivo da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan.Segundo ele, o Brasil -entre outros países da América Central e do Sul- está entre os que têm registrado os maiores aumentos diários de casos da doença, com transmissão ainda fora de controle.

“Claramente a situação em alguns países sul-americanos está longe da estabilidade. Houve um crescimento rápido dos casos e os sistemas de saúde estão sob pressão”, disse Ryan.

Segundo ele, o pico do contágio ainda não chegou, “e no momento não é possível prever quando chegará”.

O Brasil registrou nesta segunda-feira, 1º, 623 novas mortes nas últimas 24 horas por coronavírus e o total foi para 30.046 no País. O balanço mais recente do Ministério da Saúde aponta o total de 526.447 diagnósticos da doença em todo o território nacional, sendo 12.247 novos casos confirmados entre ontem e hoje. É o segundo país com maior número de casos no mundo, depois dos EUA, e o quarto em número de mortes, atrás de EUA, Reino Unido e Itália.

Nos cálculos semanais feitos pelo Imperial College de Londres, a taxa de contágio brasileira está há pelo menos cinco semanas acima de 1 -o que significa que a transmissão está se acelerando.

O diretor-executivo da OMS afirmou que a densidade urbana e o grande número de pessoas mais pobres na cidade são fatores que dificultam o risco da doença, mas que políticas públicas implantadas no sul da Ásia e na África conseguiram estabilizar a gravidade da doença, enquanto no Brasil e em outros países latino-americanos ela ainda cresce com velocidade progressiva e ameaça os sistemas de saúde.

Segundo ele, nas Américas, “houve respostas diferentes entre os países, e há bons exemplos de governos que adotaram abordagens científicas, enquanto em outros países vemos uma ausência ou uma fraqueza nisso”.

“O que precisamos agora é mostrar nossa solidariedade e trabalhar com esses países para que eles consigam controlar a epidemia”, disse Ryan.

Os especialistas da OMS voltaram a dizer que decisões de desconfinamento devem ser acompanhadas de um sistema para testar casos suspeitos, rastrear contatos, tratar doentes e isolar os que possam ter o coronavírus para impedir que contagiem outras pessoas.

Fonte: Folhapress

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