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Política

‘Se não sair do pedestal, Bolsonaro será o pior presidente’, diz Tiririca

Redação Encarando

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Um dos símbolos do movimento antissistema que elegeu Jair Bolsonaro, Tiririca (PL-SP) diz que o presidente da República repete o mesmo erro que ele cometeu ao chegar à Câmara em 2011 como o deputado federal mais votado do país.

O 1,35 milhão de votos o fazia se sentir “foda”, em suas palavras. “Quando chegar lá vou aprovar projeto pra caramba.”

Oito anos depois, e em seu terceiro mandato, Tiririca só teve um projeto que virou lei até hoje —ainda assim, de autoria dividida com outros 62 deputados (o que cria o Programa de Cultura do Trabalhador).

“Quando eu cheguei aqui foi um choque”, diz o deputado, para quem Bolsonaro está com a mesma “pegada”.

“Tá faltando a galera pra chegar e dizer: ‘Irmão, senta aqui. Cara, tu não é deputado. É o país, irmão. Assim não vai. É assim, assim e assim…’ Se ele não sair do pedestal ele vai ser o pior governo que já tivemos em todos os tempos.”

Reprodução de panfleto da campanha eleitoral do candidato a deputado federal pelo PR, Tiririca: "Pior que tá, não fica"
Reprodução de panfleto da campanha eleitoral do candidato a deputado federal pelo PR, Tiririca: “Pior que tá, não fica”. 28.set.10/
Tiririca foi eleito em 2010 com mais de 1,3 milhão de votos, a maior votação de um candidato à Câmara dos Deputados
Tiririca foi eleito em 2010 com mais de 1,3 milhão de votos, a maior votação de um candidato à Câmara dos Deputados. Sérgio Lima – 28.fev.12/

Qual diferença o sr. vê entre esse governo e os anteriores, na relação com o Congresso? Você viu como nosso presidente foi eleito, né? Ele veio com um discurso de política nova e tá caindo na mesma coisa. Porque não existe política nova nem política velha, a política é a política.

Então, é assim: ele entrou com esses negócios das armas, porque foi eleito também por esse motivo, e já recuou [diante da pressão do Congresso, alterou decretos de flexibilização do uso das armas]. Por que? Porque tá vendo que o caminho não é por aí. Aqui é o Parlamento. 

O sr. acha então que ele está caminhando para a mesma relação de antes com o Congresso? Ele veio com um discurso, foi eleito com um discurso, já está mudando o discurso, é isso que eu vejo. Por que? A vida da gente é uma política. Então tem que ter diálogo. Eu sou comediante, aí dizem: mas a comédia lá de trás é diferente da de hoje. É a mesma coisa, só adaptou, só tem uma linguagem diferente.

Antigamente era “paquera”. Hoje é “ficar”, é “crush”, é essa pegada aí. Ele chegou com um discurso bacana, bonito, mas não rola assim, papai. Eu tô no meu terceiro mandato. Eu vim numa brincadeira. Eu tava mal das pernas e eu disse: se eu fizer isso, eleito eu não vou ser, mas pelo menos vou divulgar e vou vender show pra caramba! Eu vim nessa pegada. Quando vi, 1,35 milhão de votos.

Eu disse, “epa, o que é isso?” Parei, nããão, não posso brincar com uma pegada dessa. Aí disse: quando chegar lá vou aprovar projeto pra caramba. Eu pensei que era assim. Quando eu cheguei aqui foi um choque. Ele se sentiu nessa pegada. “Sou presidente e eu posso tudo.” E não é assim.

Quanto tempo você levou para ‘cair na real’? Eu passei três meses nessa pegada, quase entro em depressão, fiquei tomando remédio, fui na coisa de médico que tem aqui. E aí, eu, “pá”: eu vou brigar pra quê? Eu vou fazer o meu. Eu sou pago pra quê? Apresentar projeto, votar de acordo com o povo, porque foi o povo que me colocou aqui. Isso sou eu. Quando eu cheguei aqui eu era, sabe, tipo, “eu sou foda e tal”.

E [hoje] todo mundo me respeita numa boa. To cagando e andando pra quem faz discurso lá [aponta a tribuna —a entrevista ocorreu no fundo do plenário da Câmara], eu não vou. Enganar eu sei, enganar o povo eu sei. Eu vou vou enganar o povo? Se eu vim do povo, eu sei o que o povo passa.

Eu vou fazer o meu. Aprovar projeto não depende de mim, depende do toma lá dá cá, que não é negócio de dinheiro, é: tu apoia o meu projeto que eu apoio o teu, é assim que funciona aqui

E as emendas, cargos? As emendas, não, eu não trabalho em cima disso não.

O sr. acha que está voltando à mesma situação? Se não tá voltando, tem que voltar, senão vai ser o pior governo que já passou pelo nosso país. [a assessora interrompe: “Diálogo, ele acha que tem que ter diálogo”] Diálogo, é isso que tem que ter.

Não é que eu sou o cara. Eu não sou o cara. Ninguém é o cara, irmão. Não é ele chegar e dizer, “Quero isso… Derrubaram [o Senado rejeitou o decreto das armas], aí ele teve que voltar atrás. A galera não gosta do cara que quer ser ditador. A política não é de agora. A nossa vida é uma política. Sou casado há 22 anos. Para você segurar um casamento de 22 anos, meu irmão, tu tem que ser político. “Não, cê tá certa, realmente essa mesa nesse canto vai ficar legal.”

Tiririca faz seu primeiro e último discurso na Câmara em 2016

Tiririca faz seu primeiro e último discurso na Câmara em 2016 – Daniel Carvalho – 6.dez.17/Folhapress

No discurso de campanha e após eleito, Bolsonaro disse que acabaria com esse negócio de dar emenda e cargo para deputado, ele fez isso mesmo? Cê tá vendo se acabou? Cê acha que acabou? É o que o nosso presidente aqui [da Câmara, Rodrigo Maia] falava. Eu quero que ele me diga o que é a política nova. Qual é a política nova que eu não sei qual é. Ou ele faz isso que ele fez, e teve que recuar com o negócio das armas, já teve várias derrotas aqui, ou faz a política que é política, não é negócio de esquema de dinheiro.

É troca de favores. Tem que existir, cara, tem que existir troca de favores [enfatiza as palavras com as mãos juntas]. To falando não aqui [aponta para o plenário], porque não jogo nessa pegada. Os caras me respeitam, não chegam me oferecendo nada, não me meto. Não to nem aí se eles fazem e se queimam ou não. Faço o meu e estamos conversados. Não é negócio de dinheiro, meu irmão, é diálogo, diálogo.

Favor em que sentido? [assessora interrompe: “Não, em termos de apoio, em projeto, ceder…”] Tu tem que ceder. Ele não sabe tudo, ninguém sabe tudo. E outra coisa: conversando com um filho meu, não o Tirulipa [também comediante], outro que não é envolvido nessa pegada. Ele disse, “pai, tu tem que tirar o chapéu pra galera que faz… [para a assessora] tu é o quê minha? Assessora de imprensa. Tem que tirar o chapéu para a assessoria de imprensa do lado do marketing, porque estão popularizando ele, tentando popularizar um cara que não é popular. Ele vai no [programa do] Ratinho, no Silvio [Santos], no Tom [Cavalcante], na Luciana Gimenez… [volta-se novamente à assessora] Como chama isso aí? Marqueteiro. Ó, eu tiro o chapéu porque ele não tá nesse nível aí.

Ele não é um cara popular, o discurso dele não é popular. Agora, tá faltando a galera pra chegar e dizer: “Irmão, senta aqui. Cara, tu não é deputado. É o país, irmão. Assim não vai. É assim, assim e assim…” Se ele não sair do pedestal ele vai ser o pior governo que já tivemos em todos os tempos.

Fonte: Folha

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Política

De olho em 2022, Mandetta procura Huck e Moro e quer se “descolar” de Bolsonaro

Laurivânia Fernandes

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Foto/Montagem: Brasil 247

O colapso dos hospitais e a responsabilidade direta de Jair Bolsonaro sobre a calamidade arrastaram  Luiz Henrique Mandetta para o centro do debate eleitoral.

“O ex-ministro da Saúde procurou recentemente o apresentador Luciano Huck para dizer que as portas do DEM não estão fechadas para ele”, segundo O Globo. No último fim de semana, ele falou com Sergio Moro . Mandetta quer manter o diálogo para eventualmente agregar o ex-juiz a um projeto político conjunto na próxima eleição presidencial.”

ACM Neto , porém, parece mais interessado em usar o nome de Luiz Henrique Mandetta para negociar com outros candidatos, inclusive com o próprio Jair Bolsonaro.

Ele disse para a reportagem:

“ Mandetta é, sem dúvida, um quadro importante do DEM . Vai ter influência na construção do projeto futuro do partido. Nesse momento, não estamos tratando de eleição. Mas quando o assunto entrar em pauta, Mandetta vai ter um peso importante. Ele se tornou uma referência pelo trabalho que fez. O que ele pretende é dar uma contribuição de alguém que conhece o problema da pandemia e quer ajudar. Mas ele não vai explorar politicamente isso. Não passa na cabeça de ninguém tirar proveito político de pandemia.”

Por O Antagonista

Fonte: iG

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Política

Senado aprova texto-base da PEC Emergencial

Laurivânia Fernandes

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Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Senado aprovou na noite desestabilizar quarta-feira (3), em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 186/2019, a chamada PEC Emergencial. Depois de dias de discussão em plenário e negociações nos bastidores, o relator da matéria, Márcio Bittar (MDB-AC), chegou a um texto que, se não obteve unanimidade, conseguiu apoio da maioria. A votação do segundo turno da PEC foi convocada para hoje (4) às 11h.

O texto-base da PEC foi aprovado por 62 senadores e teve 16 votos contrários no primeiro turno.  Após a aprovação em segundo turno, a PEC segue para análise da Câmara dos Deputados.

O texto cria mecanismos de ajuste fiscal, caso as operações de crédito da União excedam as despesas. Ele também possibilita o pagamento do auxílio emergencial com créditos extraordinários sem ferir o teto de gastos públicos. O gasto com o auxílio também não será afetado pela chamada “regra de ouro”, um mecanismo que proíbe o governo de fazer dívidas para pagar despesas correntes. O governo estuda retornar com o auxílio emergencial em forma de quatro parcelas de R$ 250 ainda este mês.

Evitar gasto excessivo

Bittar acrescentou nesta quarta-feira ao relatório mais uma “trava” para evitar um gasto excessivo com o auxílio. O relator limitou a R$ 44 bilhões o valor disponível para pagamento do auxílio emergencial. “Na redação anterior não constava tal limite, o que poderia trazer incertezas quanto à trajetória fiscal, com prejuízos ao ambiente econômico”, disse o senador em seu relatório.

O relator também fixou o prazo de vigência das medidas de ajuste fiscal previstas na PEC para enquanto durar a situação de calamidade pública. “Considero pertinentes as sugestões de que a persistência das vedações fiscais do Artigo 167-G seja mantida apenas durante a situação de calamidade pública de âmbito nacional e não estendida além do seu término”

As medidas de ajuste fiscal mantidas no texto incluem gatilhos de contenção de gastos para a União, os estados e os municípios. Na esfera federal, todas as vezes em que a relação entre as despesas obrigatórias sujeitas ao teto de gastos e as despesas totais supere 95%, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e o Ministério Público proibirão aumentos de salário para o funcionalismo, realização de concursos públicos, criação de despesas obrigatórias e lançamento de linhas de financiamento ou renegociação de dívidas.

Auxílio emergencial separado

Durante a sessão, os senadores votaram um requerimento do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) que separava o auxílio emergencial das medidas de ajuste fiscal, fatiando a PEC em duas propostas diferentes. Vieira via no auxílio emergencial uma urgência necessária na votação; urgência que não considerava ser a mesma nos trechos referentes ao ajuste fiscal.

Álvaro Dias (Podemos-PR), Leila Barros (PSB-DF), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Zenaide Maia (Pros-RN) e Rogério Carvalho (PT-SE), dentre outros, apoiaram o requerimento de Vieira. Para eles, as matérias referentes ao ajuste fiscal devem ser discutidas com mais tempo e a urgência do auxílio emergencial não deveria ser usado para apressar a aprovação de tais matérias. O requerimento, no entanto, não obteve votos suficientes e foi rejeitado.

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Política

Ciro Nogueira comemora anúncio da compra de vacinas e dispara: ‘quem torce contra o governo Bolsonaro fala muito e não faz nada’

Laurivânia Fernandes

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Foto: Reprodução/Instagram

O senador Ciro Nogueira (PP), comemorou o anúncio do Governo Federal sobre as compras de 100 milhões de doses de vacina contra a COVID-19, dos laboratórios Pfizer/BioNTech e da Janssen, que é a divisão farmacêutica do grupo Johnson & Johnson.

Em suas redes sociais, o senador comentou a notícia com empolgação e ainda falou sobre as críticas direcionadas ao Governo Federal.

“Esse é um passo importantíssimo para vencermos é vírus e salvarmos a vida de milhões de brasileiros e brasileiras. Quem torce contra as ações do Governo Federal, do governo Bolsonaro, quem critica sem fundamento, fala muito e não faz nada. Na verdade, está atuando contra todos nós”.

Assista:

Trabalho nos municípios

O senador ainda divulgou em suas redes sociais, ações realizadas no município de Lagoa do Sítio-PI, que contemplou a aquisição de transportes para a zona Urbana e a construção de unidades de saúde em localidades da zona Rural da cidades.

Veja:


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