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Venezuelanos chegam a Parnaíba e já começam pedir esmolas nos sinais

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Parece que o problema da invasão dos grupos de imigrantes venezuelanos no Piauí chegou agora ao litoral do estado. A imagem de um deles, pedindo esmola em um sinal de trânsito na cidade de Parnaíba, foi publicada na imprensa e já preocupa os moradores da cidade.

A foto foi feita na Av. Princesa Isabel, em um local movimentado e conhecido como o “balão da guarita”. No cartaz segurado pelo venezuelano estava escrito a mensagem: “Sou Venezuelano preciso de ajuda para comprar comida para minhas crianças por favor”.

O “modus operandi” do imigrante em Parnaíba é o mesmo usado em Teresina quando chegaram. Eles usam esse cartaz para comover as pessoas a ajudarem seu grupo com dinheiro ou alimentos. Daqui a pouco vão usar também as crianças para isso, pode esperar.

De acordo com a declaração de um representante da Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania de Parnaíba, até o momento, o município não identificou família ou grupo de venezuelanos na cidade. Ela informou ainda que, caso isso ocorra, o município deverá tomar providencias.

A Venezuela é aqui. A Venezuela não é aqui.

O povo piauiense é realmente muito receptivo com quem é de fora. A prefeitura de Teresina fez o possível para acomodar esses estrangeiros na cidade. Mas eles são muito “abusados”, vamos combinar.

Aqui teve venezuelano flagrado andando de táxi, enquanto o trabalhador teresinenses anda de ônibus. No jogo do Brasil recente foram visto comprando 10 grades de cerveja para comemorar. Exigem o tipo de comida, com quem querem dividir o abrigo. Além de não gostarem de dar entrevista.

Se for verdade que eles estão descendo para o litoral, o Governo do Estado deve intervir de alguma forma para que esse problema não se espalhe para outras cidades.

Caetano já dizia:

“Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui”

A Venezuela não é aqui! Vai Encarar?

Com informações Veja PHB

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‘Que sirva de exemplo’, diz apresentadora Karla Berger após registrar denúncia contra perfil fake

Em entrevista concedida ao Portal Encarando, a apresentadora falou sobre os ataques que vêm sofrendo em suas redes sociais.

Laurivânia Fernandes

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A apresentadora da TV Meio Norte, Karla Berger, vem sofrendo com constantes ataques de perfis fakes em suas redes sociais. A apresentadora dos programas Revista MN e Canal Saúde conversou com o Portal Encarando sobre o assunto e informou registrou a denúncia na Delegacia de Crimes Virtuais.

“Já faz algum tempo que venho sendo vítima de contas fakes invadindo a minha privacidade. Nessas contas, eles fazem calúnias e difamação contra mim, principalmente quando posto alguma foto ou vídeo. Sofro com comentários ridículos por conta da diferença de idade entre mim e meu marido e também pela exposição dos meus filhos e, já não é de hoje que venho aguentando esse tipo de coisa. Então absurdos e absurdos são falados e eu não sou obrigada a ficar aguentando isso calada por tanto tempo”.

A apresentadora ainda afirmou que a iniciativa partiu para que sirva como exemplo e encoraje outras pessoas que sofrem com crimes virtuais.

“Para que esse caso sirva de exemplo para outras pessoas eu decidi ir até a delegacia para abrir um inquérito de investigação e registrar um Boletim de Ocorrência. Levei todos os comentários para que fossem anexados ao inquérito, de apenas uma das contas. Acredito que com isso, as outras pessoas que se utilizam de contas fakes para atingir a minha moral possam se exemplar e aprender a respeitar. Ao mesmo tempo, mostrar para quem sofre com esse tipo de crime que existe uma delegacia especializada em crimes virtuais e, que ela está aí, acessível para todas as pessoas, concluiu a apresentadora.

Karla ainda informou os ataques em suas redes sociais acontecem há pelo menos quatro anos, entretanto, o Boletim de Ocorrência foi registrado há um mês na Delegacia Geral de Polícia Civil.

“Há quatro anos venho sendo atacada. Mas só registrei o BO há um mês na Delegacia Geral. Dentro desse período, eu já tive uma audiência e as autoridades competentes me direcionaram para a Delegacia de Crimes Virtuais e agora estou aguardando o posicionamento deles para poder resolver”.

Engana-se quem pensa que o mundo virtual é livre de leis e de regras. Desde 2014, o espaço cibernético é regido pelo Marco Civil da Internet, que determina os direitos e deveres do internauta. A legislação prevê, ainda, punições a quem comete crimes virtuais, com o amparo do Código Penal e do Código Civil.

Ataques

Quem sofre um ataque nas redes sociais deve denunciar e fazer valer seus direitos. No entanto, nem todos sabem que estão sendo vítimas de um crime virtual. Os principais delitos na Internet são relacionados aos crimes contra a honra (injúria, difamação e calúnia), contra a liberdade pessoal e à falsidade ideológica:

  • injúria: ofender, xingar, chamar alguém de algo que se considera ofensivo, atingindo sua honra.
  • difamação: afirmar que alguém cometeu algo desonroso, como a traição, afetando sua reputação.
  • calúnia: acusar alguém de um crime que não cometeu. Dos três crimes contra a honra, é o mais grave.
  • ameaça: ameaçar alguém, por escrito, palavra ou gesto. É um crime contra a liberdade pessoal.
  • falsidade ideológica: criar um perfil falso nas redes sociais se passando por outra pessoa.

O que fazer quando se é vítima de um crime nas redes sociais?

O primeiro passo é reunir as provas do crime. Os especialistas recomendam anotar o endereço eletrônico do site onde o delito foi cometido e fazer uma captura da tela com os comentários que comprovem o crime. É importante salvar essas informações porque, normalmente, os autores apagam as publicações em seguida. Não se deve fazer modificações nas imagens e nos comentários, o conteúdo deve ser apresentado como prova em seu formato original. O material impresso deve ser reconhecido em cartório, como “fé pública”, para que tenha validade legal.

É válido também reunir testemunhas, que estejam dispostas a relatar o ocorrido na delegacia ou perante um juiz.

Com as provas em mãos, o próximo passo é registrar um boletim de ocorrência em uma delegacia de polícia civil. Em um prazo de 30 dias, os fatos são avaliados, é definido que tipo de delito foi cometido e é apresentada uma denúncia criminal.

Também é possível levar o caso diretamente à Justiça. É indicado entrar com uma ação criminal e uma ação cível, em que é reivindicada uma indenização pelos constrangimentos sofridos e a remoção do conteúdo das redes sociais.

As redes sociais também permitem às vítimas de crimes virtuais a denúncia. Normalmente, é possível fazer isso na própria publicação, clicando em botões de “denunciar essa publicação”. Se considerar procedente, a rede social elimina o conteúdo, sem identificar a vítima ao criminoso.

Se você foi vítima de crimes nas redes sociais, é importante denunciar o ocorrido e buscar seus direitos com a orientação de um advogado especializado. Só assim os criminosos serão punidos e a onda de delitos virtuais será, pelo menos, amenizada.

Informações do MundoAdvogados.com

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Pesquisadora brasileira testa efeitos da maconha no tratamento de viciados em crack

Professora conseguiu autorização da Anvisa para importar extrato. Segundo ela, substância tem potencial para amenizar sintomas da abstinência da droga.

Laurivânia Fernandes

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Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de Brasília (UnB) testa os efeitos do canabidiol – substância derivada da Cannabis sativa, conhecida como maconha – no tratamento de pessoas viciadas em crack.

Há cerca de três anos, a professora e pesquisadora Andrea Gallassi pediu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importar o extrato e testá-lo em dependentes da droga sintética.

Segundo Gallassi, a substância tem potencial para amenizar praticamente todos os sintomas da abstinência, como ansiedade, insônia, falta de apetite e o desejo intenso pelo consumo da droga.

“Hoje a gente não tem um tratamento referência para as dependências químicas. Não temos um medicamento com uma assertividade considerada ideal para essas pessoas interromperem [a droga] e conseguirem controlar os principais sintomas que as fazem voltar ao uso.”

“O grande desafio é desenvolver medicamentos que, de fato, ataquem os principais sintomas de pessoas que têm dependência de crack, de cocaína e álcool.”

A pesquisadora disse que os tratamentos feitos, hoje, envolvem uma série medicamentos – cada um com efeito distinto. “A pessoa toma vários remédios, como antidepressivos, calmantes, estabilizadores de humor, que foram criados com outras finalidades.”

Com a pesquisa, ela aposta que tudo isso possa se resumir a uma única substância 100% natural, que é o canabidiol. “Seria um medicamento único e não um coquetel”, afirma.

“O canabidiol reúne muitas vantagens do ponto de vista dos efeitos positivos e, também, dos adversos. O máximo que pode fazer é dar sonolência. Ele ainda tem uma toxicidade muito baixa, pro fígado e pros rins, por exemplo.”

Além das vantagens apontadas por Gallassi, a pesquisa propõe que o tratamento seja feito sem internações, para que os pacientes consigam abandonar o uso do crack sem abrir mão da própria rotina. “A ideia é que eles sigam a vida normalmente.”

Andrea Gallassi afirma que, antes de começar o processo terapêutico, informa aos pacientes sobre a substância usada, seus efeitos e mitos. “A gente explica pros pacientes que é um medicamento derivado da maconha, mas que não tem o princípio ativo, que é o THC.”

“É também uma forma de combater a desinformação com informações correta, baseadas em evidências científicas.”

A pesquisa

O estudo começou há quatro semanas, depois que o primeiro carregamento de canabidiol chegou do exterior. “Foi a primeira importação para fins de pesquisa. Até então, a Anvisa só havia autorizado a compra por pessoas físicas”, explicou Gallassi.

“Eles foram muito dedicados e não mediram esforços, não colocaram nenhum impeditivo. Isso abre um precedente para outras pesquisas.”

Para custear as importações, a pesquisa conta com financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAP-DF) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A pesquisa é desenvolvida em parceria com o Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) de Ceilândia. Ao todo, 80 pessoas com dependência de crack passarão pela experiência até outubro – metade receberá o canabidiol e a outra metade, o tratamento convencional. Nenhuma delas será informada sobre os medicamentos ingeridos.

“Não existe o grupo que toma pílula de placebo, todo mundo vai ser tratado. Só que os pacientes não vão saber em qual grupo estão. Eles apenas sabem que a pesquisa envolve o canabidiol e assinam um termo em que declaram não saber o que vão tomar”, explica Andrea Gallassi.

“Recebemos muito contato de familiares, mas a premissa é que a pessoa tem que querer participar da pesquisa e ela mesma deve fazer esse contato.”

Até a publicação desta reportagem, a pesquisa havia recrutado dez pacientes. “Diferente do que se imagina, não é fácil encontrar 80 pessoas com dependência de crack que tenham disponibilidade para fazer o tratamento.”

Por isso, Gallassi e a equipe organizaram o recrutamento em oito etapas, de modo que os pacientes ingressem aos poucos. Para cada um, o tratamento terá duração de dois meses e meio, com encontros presenciais uma vez por semana.



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O drama de Michelle: avó traficante e mãe acusada de falsificação

Karytha Leal

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Em abril passado, VEJA publicou uma reportagem  que começava assim: “Maria Aparecida Firmo Ferreira tem 79 anos, é cardíaca, sofre de Parkinson, locomove-se com dificuldade e mora num casebre que fica na parte mais miserável de Brasília — a favela Sol Nascente, conhecida pela violência, dominada pelo tráfico de drogas e conflagrada por facções que usam métodos similares aos das milícias cariocas. Sem se preocupar com tudo isso, dona Aparecida, como é conhecida, enfrenta uma odisseia diária. Aposentada, ela divide seu tempo entre cuidar de um filho deficiente auditivo, ir ao posto de saúde buscar remédios e bater papo com os vizinhos. (…) Ninguém, ou quase ninguém da vizinhança, sabe que ela é avó da primeira-dama Michelle Bolsonaro. A neta agora famosa, o presidente da República e a pobreza são assuntos que parecem despertar sentimentos conflitantes em dona Aparecida. Faz mais de seis anos que ela não vê a neta que ajudou a criar. A avó não foi convidada para a posse, nem ela nem sua filha, mãe de Michelle, Maria das Graças. Passados três meses de governo, ela não recebeu convite para uma visita ao Palácio da Alvorada, a residência oficial, que fica a apenas 40 quilômetros da favela. Por quê? Ela diz que não sabe responder”. Na última semana, o jornal Folha de S.Paulo publicou uma nova reportagem mostrando que Maria Aparecida, a avó, estava internada fazia dois dias no corredor de um hospital público de Brasília, aguardando vaga para realizar uma cirurgia ortopédica. Sem nenhuma assistência da neta, ela sofria sozinha a dor pela fratura da bacia.

Pois o que parecia um desprezo profundo da primeira-dama com a família de origem humilde esconde, na verdade, problemas bem mais complexos. Dona Aparecida, a avó, nem sempre foi a pessoa de saúde frágil e indefesa que hoje cobra um pouco de atenção da neta. Antes de se aposentar, ela tentou ganhar a vida traficando drogas. VEJA localizou nos arquivos da 1ª Vara de Entorpecentes e Contravenções Penais do Distrito Federal o processo que detalha o dia em que Maria Aparecida Firmo Ferreira, então com 55 anos, foi presa em flagrante. Em 1997, a avó da primeira-­dama era conhecida nas ruas como “Tia” e, segundo a polícia, sua principal atividade era vender drogas no centro de Brasília. Em julho daquele ano, ela foi surpreendida com 169 “cabecinhas de merla”, um subproduto da cocaína. No auto de prisão, ao qual VEJA teve acesso, os policiais contaram ter recebido uma denúncia anônima de tráfico numa região que fica a apenas 3 quilômetros do Palácio do Planalto. Ao chegarem ao local indicado, eles encontraram Aparecida. Dentro de uma sacola que ela carregava, além da “merla”, estavam dois relógios e dezesseis vales-transporte. Na delegacia, ela confessou o crime.

TRÁFICO – Maria Aparecida Firmo Ferreira, avó da primeira-dama: em julho de 1997, ela foi presa em flagrante vendendo drogas no centro de Brasília. Condenada a três anos de prisão, cumpriu pena em um presídio feminino (Cristiano Mariz/.)

No depoimento que prestou, a avó da primeira-dama contou que cada pacotinho da droga era vendido a 5 reais. Na Justiça, ela mudou a versão. Alegou que a sacola apreendida não era sua e que teria confessado o crime por pressão dos policiais. Havia, porém, testemunhos de clientes. Aparecida acabou condenada a três anos de reclusão, em regime fechado. A defesa ainda recorreu, sem sucesso. Uma das desembargadoras que votaram contra a libertação foi Sandra de Santis, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello. No processo, ao qual VEJA também teve acesso, a avó da primeira-dama, depois de condenada, escreveu uma carta ao juiz confessando o crime e pedindo clemência: “É certo que transgredi a lei, mas o preço altíssimo que pago por meu delito transformou-se completamente. Sou uma senhora de princípios renovados”, dizia.

Na penitenciária feminina do Gama, onde foi cumprir a pena, Maria Aparecida mostrou que os seus princípios não estavam tão renovados assim. Em maio de 1999, quando já estava presa havia um ano e oito meses, tentou subornar um agente, oferecendo-­lhe dinheiro para que a levasse até sua casa. O plano era o seguinte: ela fingiria que estava doente, a direção do presídio autorizaria sua ida a um hospital e, no caminho, a guarda desviaria a rota, permitindo que Maria Aparecida fizesse uma visita à família. Por causa dessa infração, ela ficou na solitária e teve os benefícios de progressão de pena suspensos — e só deixou a penitenciária, em liberdade condicional, em agosto de 1999, depois de cumprir dois anos e dois meses de cadeia. Sua punição foi oficialmente considerada extinta em 2000.

 IDENTIDADE – Maria das Graças Firmo, a mãe de Michelle: a polícia descobriu que ela tinha dois registros civis — um deles, falso

Na reportagem publicada em abril, Maria Aparecida contou ter ajudado a criar Michelle, reclamou da ausência da neta e lamentava não ter sido sequer convidada para a cerimônia de posse do presidente Bolsonaro — nem ela nem a filha, Maria das Graças, a mãe de Michelle. O passado, confidencia um familiar da primeira-dama, também deixou marcas na relação entre mãe e filha. Maria das Graças igualmente esteve na mira da Justiça. Em 1988, quando Michele tinha 6 anos, a polícia descobriu que sua mãe possuía dois registros civis — um verdadeiro e o outro falso. De acordo com o primeiro, o verdadeiro, Maria das Graças Firmo Ferreira nasceu no dia 11 de junho de 1959, tinha 1,60 metro e era filha de Ibraim Firmo Ferreira. No outro, o falso, não havia o nome do pai, o da mãe fora alterado (de Maria Aparecida Mendes para Maria Aparecida Firmo Ferreira), ela ficara nove anos mais nova (o ano de nascimento passou para 1968) e sua altura tinha aumentado em 13 centímetros (1,73 metro). Tratava-se, portanto, de outra pessoa.

A então Delegacia de Falsificações e Defraudações de Brasília instaurou inquérito policial para investigar Maria das Graças. Os agentes apuraram que a mãe da primeira-dama havia solicitado a segunda identidade oito anos depois de obter a primeira. Para isso, usou uma certidão de nascimento adulterada expedida no município de Planaltina de Goiás, distante 440 quilômetros do local onde ela realmente nasceu e foi registrada (Presidente Olegário, em Minas Gerais). A fraude foi constatada quando a polícia comparou as impressões digitais dos dois prontuários de identificação arquivados na Secretaria de Segurança e descobriu tratar-se da mesma pessoa. Intimada a depor, Maria das Graças contou que perdera a carteira de identidade e a certidão de nascimento. Ao fazer um novo registro civil, decidiu excluir o nome do pai, porque ele “abandonou a família”, e, “aconselhada por duas amigas”, também alterou a data do seu nascimento — mas nada disso tinha nenhuma “intenção criminosa”, segundo ela.

 AMEAÇAS – Favela Sol Nascente: acusado de pertencer à milícia local, tio da primeira-dama continua preso preventivamente

Maria das Graças usou a certidão de nascimento adulterada para emitir um novo CPF. Não há no inquérito informações sobre eventuais negócios ilícitos realizados por ela com os documentos falsos. Em 1989, o Ministério Público remeteu o inquérito para a Justiça. Maria das Graças foi indiciada por falsidade ideológica, que prevê pena de até cinco anos de prisão em regime fechado, porém, em 1994, depois de ficar mais de cinco anos parado na Vara Criminal, o processo foi arquivado. O juiz responsável pelo caso justificou a decisão argumentando que o crime estava prescrito. Procurada por VEJA, a mãe de Michelle apresentou uma nova versão para a história: “Isso aí foi um negócio que meu pai tinha arrumado para mim. Não quero mexer com isso, não quero falar sobre isso”. Ibraim Firmo, o pai, foi assassinado em 2015.

VEJA apurou com familiares da primeira-dama que o distanciamento entre ela, a mãe e a avó se deu justamente por causa desses problemas do passado. Um parente que pediu anonimato contou que, pouco depois de Jair Bolsonaro decidir concorrer à Presidência, Michelle procurou a mãe para que ela resolvesse pendências que ainda existiam sobre sua documentação. Ofereceu ajuda, mas Maria das Graças recusou, e as duas se afastaram. A mãe nega qualquer entrevero com a filha. “Eu não vou lá (no Palácio da Alvorada) porque não gosto de palácios e, para a Michelle vir aqui, é muita gente para vir junto e fica tudo muito difícil”, diz. “Estamos ótimas, é tudo mentira, fofoca.”

Rolos com a Justiça têm sido uma tradição familiar. João Batista Firmo Ferreira, sargento aposentado da Polícia Militar de Brasília, foi um dos poucos familiares de Michelle convidados para a cerimônia de posse do presidente Bolsonaro. É — ou era — o tio preferido da primeira-dama. Em maio passado, no entanto, ele foi preso, sob a acusação de fazer parte de uma milícia que age na Sol Nascente, onde mora com a mãe, Maria Aparecida, a avó de Michelle. De acordo com o Ministério Público, João Batista e mais sete PMs participariam de um esquema ilegal de venda de lotes na favela. Um delator contou que os policiais atuavam como o braço armado da quadrilha, dando suporte ao negócio irregular através de ameaças e até eliminação de desafetos. O sargento está preso na penitenciária da Papuda, em Brasília.

O processo que apura a ligação do ex-policial com a milícia da Sol Nascente tramita em segredo de Justiça. Os advogados do PM dizem que o envolvimento dele no caso é um grande mal-entendido. João Batista, de acordo com essa versão, teve a prisão decretada após uma improvável coincidência. Ele construiu uma casa e tentava vendê-la. Um policial amigo indicou um comprador. Esse amigo, porém, estava sendo monitorado pelo Ministério Público. As conversas entre os dois foram gravadas e, para os investigadores, elas comprovariam que João Batista e o colega estavam vendendo lotes irregulares e dividindo as comissões. Logo depois de fechado esse último negócio, inclusive, foi realizada uma transferência de dinheiro da conta de João Batista para a do policial. De acordo com os advogados, o depósito seria uma comissão pela corretagem. Essa versão, no entanto, não convenceu a Justiça.

No mês passado, a defesa de João Batista ingressou com um pedido de relaxamento da prisão preventiva, alegando que o sargento tem bons antecedentes e residência fixa. O juiz do caso, no entanto, ressaltou que a gravidade das condutas dos policiais apuradas pelos investigadores, entre elas participar de organização criminosa, justificava a manutenção da prisão — e negou o pedido. Pessoas próximas ao sargento contaram a VEJA que o fato de ser parente de Mi­chelle Bolsonaro não ajudou em nada a situação dele, muito pelo contrário. Na cadeia, detido há quase noventa dias numa área da penitenciária reservada a policiais, João Batista não recebeu a visita nem tipo algum de ajuda ou solidariedade de ninguém da família.

Procurada, a primeira-dama não quis se pronunciar sobre os familiares. No governo, Michelle vem desempenhando um bom papel, ocupando o cargo de presidente do conselho do Programa Nacional de Incentivo ao Voluntariado, órgão responsável por projetos na área social. Depois da publicação da reportagem da Folha sobre a avó, dona Maria Aparecida foi transferida para outro hospital e operada. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que não houve interferência alguma do Palácio do Planalto na mudança. Questionado sobre o caso e fiel ao seu estilo, o presidente Bolsonaro classificou o episódio todo como uma baixaria. De fato, é. Agora, entende-se a distância que a primeira-dama, tão ciosa de sua imagem e preocupada com causas sociais, impôs aos enrolados membros de sua família.

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