A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pela decisão que proibiu a TV Globo de exibir o púlpito reservado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no debate presidencial desta quinta-feira (1º), declarou publicamente voto no petista durante o segundo turno das eleições de 2022.
Em um vídeo que voltou a circular nas redes sociais após a decisão sobre o debate, Estela, que na época ainda não integrava o TSE, afirmou que votaria em Lula. Na gravação, ela relacionou sua escolha à defesa do Estado Democrático de Direito e da democracia.
A então advogada também defendeu que integrantes da categoria votassem no candidato petista. A data exata da gravação não foi confirmada pelas reportagens que tiveram acesso ao vídeo.
A manifestação ocorreu quatro anos antes de Estela assumir uma cadeira no TSE. Ela foi nomeada para a Corte em 2025 e, antes disso, ocupou cargos no governo Lula, incluindo a Secretaria Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Na quinta-feira (1º), já como ministra do TSE, Estela determinou que a Globo não exibisse o púlpito vazio destinado a Lula durante o debate. A decisão também impediu que os demais candidatos direcionassem perguntas ao presidente ausente. O pedido havia sido apresentado pela coligação de Lula.
Segundo a decisão, a participação em debates é facultativa e a exibição do espaço reservado ao candidato ausente poderia produzir consequências negativas para sua candidatura. A ministra afirmou que a ausência deveria resultar apenas na perda da oportunidade de participar daquela rodada do debate.
A decisão ocorreu poucas horas antes do cancelamento do debate pela TV Globo. A emissora alegou que decisões judiciais tomadas próximo à transmissão provocaram insegurança jurídica e alteraram regras previamente estabelecidas para o encontro.