Morte de Alice Brasil: Ministério Público aponta falhas graves e denuncia comando do CEV

Quatro meses após a morte da pequena Alice Brasil, de apenas 4 anos, o Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) finalmente apresentou denúncia contra os responsáveis pelo episódio ocorrido dentro de uma unidade do Colégio CEV, em Teresina. A tragédia, que mobilizou a sociedade piauiense e gerou forte comoção, expôs uma sequência de falhas graves e uma conduta considerada omissa por parte da instituição de ensino.

Segundo a denúncia, o MPPI enquadrou como homicídio culposo majoritário o presidente do Grupo CEV e o sócio-administrador da instituição. Já o diretor da unidade CEV Kennedy, a coordenadora do ensino infantil, a professora titular da turma de Alice e a cuidadora foram denunciados por homicídio culposo.

A decisão do órgão ministerial reconhece que houve negligência em diferentes níveis da cadeia hierárquica da escola, reforçando que a morte da criança não pode ser tratada como “fatalidade”, mas como resultado de falhas evitáveis, responsabilidade compartilhada e ausência de protocolos eficazes. O caso expõe, mais uma vez, a fragilidade de algumas redes privadas de ensino na prevenção de acidentes e no cumprimento do dever de vigilância.

Os pais de Alice, que seguem enfrentando uma jornada marcada por dor, burocracia e espera, agradeceram o apoio da imprensa e de influenciadores que acompanharam o caso desde o início. Segundo eles, a mobilização social foi determinante para impedir que o episódio fosse minimizado.

“Se não houvesse pressão, se não houvesse luz sobre esse caso, nossa filha poderia ter sido tratada como ‘mais um acidente’. A verdade é que não foi. Houve falhas. Houve omissão. E agora a Justiça finalmente reconhece isso”, afirmou a família, por meio de nota.

O jornalista Silas Freire também foi citado pelos pais como uma das vozes que ajudaram a manter o caso visível e a cobrar providências. Para eles, a atuação firme da imprensa impediu que o silêncio institucional prevalecesse.

Mesmo com a denúncia apresentada, o processo ainda será longo. Os réus irão responder judicialmente, e o caso seguirá para análise da Justiça, que deverá avaliar as responsabilidades individuais e coletivas.

Para a sociedade, fica o alerta: ambientes educacionais que acolhem crianças pequenas precisam reforçar protocolos, treinar equipes e assumir integralmente o dever de cuidado — algo que, segundo o MPPI, não foi observado no dia em que Alice perdeu a vida.

Enquanto a Justiça avança, a luta dos pais continua. E a cobrança por responsabilização segue firme, como forma de garantir que nenhuma outra família atravesse a mesma dor.