A Operação OMNI, deflagrada nesta terça-feira (30) pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), trouxe à tona detalhes sobre contratos milionários firmados pela empresa Big Data Health com órgãos públicos do Piauí.
De acordo com publicações em Diário Oficial, somente dois contratos com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) somam R$ 94,4 milhões. O primeiro, de nº 523/2024, prevê a implantação de software de gestão em saúde, com valor registrado de R$ 54,15 milhões. O segundo, referente ao Pregão Eletrônico SEAD nº 09/2024, destina-se a atender demandas da Sesapi, no valor de R$ 40,25 milhões.
Além desses, a Big Data Health também figura em contratos com a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) e em acordo de parceria com a Empresa de Tecnologia da Informação do Piauí (ETIPI), assinado em março de 2025, para implementação de uma plataforma de prontuário eletrônico. Esse último contou com a assinatura do médico ortopedista Bruno Santos Leal Campos, um dos presos pela PF.
A Polícia Federal informou que as investigações apontam conluio e direcionamento em chamamentos públicos para contratação de Organizações Sociais de Saúde (OSS) e empresas fornecedoras de tecnologia. Há indícios de crimes como superfaturamento, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e conflito de interesses.
Foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em diferentes cidades, incluindo Teresina, Timon (MA), Brasília (DF), Goiânia (GO), São Paulo (SP) e Curitiba (PR). Além das prisões de Bruno Santos Leal Campos e Nemesio Martins de Castro Neto, ambos ligados à Big Data Health, a Justiça Federal determinou a suspensão de contratos e o afastamento de servidores públicos suspeitos de envolvimento no esquema.
A operação segue em andamento, e a Polícia Federal ainda não detalhou o valor total movimentado pelas fraudes, mas estima-se que os desvios sejam milionários.