Redução de vagas no Congresso acende alerta e pode provocar desistência de candidatos no Piauí

O Congresso Nacional deve votar nesta terça-feira (24) um projeto que propõe a redução do número de cadeiras no Parlamento. Se aprovada, a medida poderá diminuir significativamente a representação política dos estados, incluindo o Piauí, que corre o risco de perder duas vagas de deputado federal e seis de deputado estadual.

A proposta já vem provocando apreensão nos bastidores políticos locais. Parlamentares e lideranças partidárias avaliam os impactos da redução e, em muitos casos, começam a reconsiderar suas candidaturas para 2026. O motivo: a disputa por menos cadeiras tornaria a eleição ainda mais difícil e cara.

De acordo com relatos colhidos pela Coluna do Silas, o custo de uma campanha competitiva para a Câmara Federal no Piauí gira em torno de R$ 10 milhões, entre estrutura de apoio, mídia, equipes e logística. Com a diminuição das vagas, a tendência é de que o valor necessário para se eleger aumente ainda mais, inviabilizando a candidatura de nomes sem grande estrutura financeira ou partidária.

Não compensa disputar”, dizem nos bastidores

O deputado estadual Evaldo Gomes (Solidariedade) confirmou em entrevista que a possibilidade da redução tem levado muitos políticos a repensarem seus planos eleitorais. “Com menos cadeiras e mais concorrência, há lideranças que já falam em não disputar a eleição. O custo político e financeiro pode não compensar.”

A possível diminuição também ameaça a diversidade de representações na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. Candidaturas independentes, movimentos sociais e lideranças comunitárias, que já enfrentam dificuldades para viabilizar campanhas, podem ser praticamente excluídas do processo eleitoral.

Risco à representatividade


Além do impacto direto sobre os candidatos, a medida pode afetar a representatividade política do Piauí. Com menos vozes no Congresso e na Assembleia Legislativa, o estado pode perder força nas articulações nacionais e na captação de recursos federais.

A votação no Congresso deve ocorrer sob forte pressão de parlamentares dos estados menores, que tentam barrar ou ao menos suavizar os efeitos do projeto. Ainda assim, o clima é de tensão.