Washington Bandeira deixa a Seduc visando 2026 e emplaca nome de sua confiança no comando da pasta

A saída de Washington Bandeira do comando da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), anunciada pelo governador Rafael Fonteles, não representa uma ruptura no controle político da pasta. Mesmo deixando oficialmente o cargo no dia 31 de dezembro, Bandeira emplaca no posto o atual superintendente da secretaria, Rodrigo Torres, considerado um aliado direto e homem de sua confiança.

A escolha do sucessor sinaliza que a mudança vai além de um simples ajuste administrativo. Nos bastidores do Palácio do Karnak, a leitura é de que Bandeira deixa a vitrine da Seduc, mas preserva influência sobre uma das pastas mais estratégicas do governo estadual, especialmente em um momento de reorganização política com foco nas eleições de 2026.

Washington Bandeira deixa a secretaria para assumir uma missão política estratégica: coordenar os seminários de elaboração do plano de governo da base aliada. O novo papel reforça seu reposicionamento no núcleo político do governo e alimenta especulações sobre sua participação na chapa majoritária, inclusive como possível candidato a vice-governador.

Rodrigo Torres, que assume oficialmente a Seduc a partir de 1º de janeiro, integra a equipe de confiança de Bandeira e participou diretamente da execução das principais políticas da pasta. A nomeação interna garante continuidade aos programas em andamento e evita mudanças bruscas em uma área sensível da administração estadual.

A Seduc concentra altos volumes de investimento e é uma das vitrines da gestão Rafael Fonteles, com projetos de modernização da rede estadual de ensino e a meta de reformar todas as escolas até 2026. Manter um nome alinhado ao ex-secretário no comando da pasta é visto como uma forma de blindar a secretaria de disputas internas e desgastes políticos.

Vale destacar que Washington Bandeira abriu mão de uma carreira consolidada na magistratura para assumir a Seduc. À época de sua nomeação, ele era juiz do Trabalho e abdicou de um cargo obtido por concurso público para integrar o primeiro escalão do governo, decisão que conferiu peso político e simbólico à sua entrada na gestão estadual.

Apesar do discurso oficial de continuidade administrativa, a troca no comando da Seduc evidencia que o governo já promove ajustes estratégicos no tabuleiro político, conciliando gestão e articulações eleitorais para o próximo ciclo.