Senado: reunião de Rafael Fonteles expõe disputa por uma vaga dentro da base.

A reunião do governador Rafael Fonteles com cerca de 25 a 26 vereadores de Teresina que se declaram integrantes de sua base de apoio revela uma mudança de temperatura na disputa pelas duas vagas do Piauí ao Senado. Segundo interlocutores e vereadores presentes ao encontro, o tom adotado pelo governador chamou atenção. Em vez de concentrar suas manifestações na necessidade de garantir apoio ao deputado federal Júlio César, Rafael Fonteles teria feito questão de reforçar, por diversas vezes, a importância do voto no senador Marcelo Castro. Durante a reunião, o governador citou nominalmente Marcelo Castro em diferentes momentos e destacou sua atuação em Teresina, inclusive na destinação de recursos para obras de pavimentação asfáltica na capital. A movimentação é interpretada por integrantes da base como um sinal de que a disputa interna pelo Senado começa a ganhar novos contornos. O crescimento de Júlio César no eleitorado piauiense, associado à percepção de perda de espaço de Marcelo Castro em levantamentos eleitorais, teria aumentado a preocupação do grupo governista. Ao mesmo tempo, Ciro Nogueira aparece consolidado na liderança em pesquisas recentes, ampliando a pressão sobre a base governista na composição da chapa. O cenário, portanto, deixa de ser apenas uma disputa pelo apoio a Júlio César. A própria permanência de Marcelo Castro como um dos nomes prioritários do grupo governista passa a ocupar espaço central nas articulações. A reunião com os vereadores de Teresina pode ter sido, assim, um recado político claro: dentro da base de Rafael Fonteles, a disputa pelo Senado começa a ser tratada como uma batalha pela garantia de uma vaga  e Marcelo Castro passou a precisar, cada vez mais, da força política do governo para permanecer competitivo.


150 ÔNIBUS NOVOS: SOLUÇÃO PARA O TRANSPORTE DE TERESINA OU REMENDO EM PROBLEMA 

A Prefeitura de Teresina prepara a aquisição de 150 ônibus novos, equipados com ar-condicionado, por meio de um financiamento que será pago pela própria gestão municipal. A iniciativa é positiva. O teresinense certamente merece ônibus novos, confortáveis e com melhores condições de transporte. Mas existe uma pergunta que precisa ser respondida antes de se comemorar a solução do problema: esses ônibus vão resolver a crise do transporte coletivo de Teresina? A questão é que o problema do sistema, segundo o próprio setor empresarial, não estaria apenas na idade ou na qualidade dos ônibus. O SETUT sustenta que existe uma necessidade de mais recursos para manter o sistema funcionando adequadamente. E aí está o ponto central: quem vai administrar esses 150 ônibus? Eles serão incorporados ao sistema operado pelo consórcio? Em quais condições? Quem ficará responsável pela operação, manutenção e sustentabilidade financeira desses veículos? Porque comprar ônibus novos é uma coisa. Fazer o sistema funcionar de maneira eficiente, regular e sustentável é outra. O teresinense já viu investimentos em veículos, mudanças de contratos, subsídios e diferentes modelos de gestão sem que o transporte coletivo conseguisse oferecer, de forma permanente, aquilo que a população espera: ônibus suficientes, horários cumpridos, linhas adequadas e qualidade no serviço. A grande pergunta agora é se os 150 novos ônibus representarão uma mudança estrutural ou apenas uma renovação da frota dentro de um modelo que continua apresentando os mesmos problemas. Será que ônibus novos, por si só, conseguem consertar um sistema antigo de gestão? Essa é a dúvida que começa a ser levantada nas ruas.Porque, se o problema está também na forma como o sistema é administrado e financiado, colocar 150 ônibus novos em circulação pode acabar sendo apenas um retalho novo em uma calça velha. A Prefeitura está fazendo a sua parte ao buscar renovar a frota. Mas o verdadeiro teste será saber se essa renovação virá acompanhada de uma mudança capaz de fazer o transporte coletivo de Teresina funcionar de verdade. Ônibus novos são bem-vindos. O que o teresinense quer saber é se eles vão trazer um transporte novo também.


OPOSIÇÃO É PARA SER OPOSIÇÃO: O ELEITOR ESTÁ OBSERVANDO. 

A militância de oposição no Piauí começa a estranhar o comportamento de alguns nomes que pretendem disputar as eleições de 2026, mas que reduziram significativamente o tom das críticas ao governo Rafael Fonteles. O vereador Petrus Evelyn, por exemplo, que já teve posicionamentos bastante fortes contra o governo estadual, hoje direciona suas críticas principalmente para deputados estaduais e pré-candidatos ao Parlamento Estadual. O Palácio de Karnak deixou de ser o principal alvo de sua artilharia. Entre os comunicadores que também devem entrar na disputa eleitoral, Samanta Cavalca e Cachorro optaram por concentrar suas críticas no governo federal e no presidente Lula, enquanto se abstêm de críticas mais contundentes ao governo Rafael Fonteles. Na trincheira estadual, entre os nomes mais conhecidos, permanecem Pedro Alcântara e o jovem Trabulo Neto como vozes que continuam fazendo oposição direta ao governo do Estado. Trabulo , inclusive, mantém uma postura de enfrentamento mesmo diante da reação política e judicial que, segundo seus aliados, vem sofrendo do grupo ligado ao Palácio de Karnak. A questão que começa a ser percebida pelo eleitor é simples: oposição é para ser oposição. Quem pretende disputar uma eleição pelo campo oposicionista precisa mostrar, antes de pedir o voto, que está disposto a fiscalizar o governo, apontar seus erros e cobrar soluções para os problemas que afetam a população. Não se trata de ataques gratuitos, perseguição ou crítica por crítica. Trata-se de exercer o verdadeiro papel de oposição: mostrar aquilo que não funciona, aquilo que precisa ser corrigido e aquilo que precisa mudar. O eleitor que deseja mudança também observa coerência. Está atento a quem permanece na trincheira, quem enfrenta o poder e quem escolhe outros alvos enquanto o governo estadual passa ao largo de suas críticas. Em 2026, não bastará dizer que é oposição. Será preciso demonstrar que é oposição de verdade.

DECLARAÇÃO DE MARCO AURÉLIO SAMPAIO CAUSA ESTRANHEZA APÓS APOIO DE IVONÁRIA A CIRO. 

Causou estranheza no meio político a declaração do deputado federal  Marco Aurélio Sampaio de que seu grupo político, até o momento, teria escolhido apenas um nome para o Senado: o senador Marcelo Castro. A fala ocorre depois de um episódio que movimentou a política de Esperantina, quando a prefeita Ivanaria  Sampaio, madrasta do deputado, declarou apoio ao senador Ciro Nogueira, líder da oposição no Estado, em um ato que contou com a presença de seu marido, o vice-governador Temístocles Filho. Na ocasião, Ivonária afirmou que seguia a orientação política do marido ao manifestar seu voto em Ciro. A declaração provocou repercussão e abriu uma discussão sobre a posição do grupo político em relação à disputa pelas duas vagas do Senado em 2026. Agora, ao afirmar que o grupo escolheu Marcelo Castro, mas ainda não definiu o segundo voto, Marco Aurélio Sampaio parece adotar um tom mais cauteloso diante da divisão que a disputa pelo Senado provoca dentro da própria base governista. A declaração pode ser interpretada como uma tentativa de preservar a unidade do grupo e, ao mesmo tempo, reduzir a temperatura após o posicionamento público de Ivonária em favor de Ciro Nogueira. Mas o fato é que a fala chamou atenção justamente porque veio depois de uma manifestação pública e bastante clara da prefeita de Esperantina. No cenário atual, a disputa pelo Senado tem colocado grupos políticos e lideranças diante de escolhas que nem sempre caminham na mesma direção. E a declaração de Marco Aurélio deixa uma pergunta no ar: se Marcelo Castro já está definido pelo grupo, quem será o segundo voto? Por enquanto, a resposta continua em aberto  e, no ambiente político, o silêncio sobre o segundo nome também pode dizer muita coisa.

FEDERAÇÃO PT, PV E PCdoB: QUATRO NOMES PARA DUAS VAGAS NA ASSEMBLEIA. 

A disputa pelas vagas da Federação PT, PV e PCdoB na Assembleia Legislativa do Piauí começa a ganhar contornos de uma eleição acirrada. Quatro nomes aparecem no radar como os principais postulantes a apenas duas cadeiras. Na linha de frente estão dois vereadores de Teresina: Enzo Samuel, presidente da Câmara Municipal, e Ezuíla Calisto, apontada por observadores como uma das possíveis surpresas da eleição de 2026. Ezuíla chama atenção justamente por construir sua pré-candidatura sem o apoio de grandes medalhões da política. Com uma atuação baseada principalmente em lideranças menores e na construção de uma base própria, há quem aposte que ela poderá superar a marca dos 30 mil votos e conquistar uma cadeira na Assembleia. Na sequência aparecem Breno Macedo e Evaldo Gomes, ambos também colocados no grupo de nomes que brigariam pelas duas vagas disponíveis. O cenário, portanto, é de quatro candidatos para duas cadeiras. Isso significa que, necessariamente, dois ficarão pelo caminho. Entre as possibilidades levantadas por analistas e observadores está a de Evaldo Gomes perder o mandato, enquanto Breno Macedo também teria de enfrentar uma disputa difícil para manter o espaço político atualmente ocupado por sua esposa, a deputada estadual Bárbara do Firmino. Do outro lado, Enzo Samuel e Ezuíla Calisto chegam como os dois nomes que podem representar a renovação da bancada da Federação na Assembleia. Ainda é cedo para apontar favoritos. A campanha sequer começou oficialmente e muita coisa pode mudar até outubro de 2026. Mas, nas primeiras apostas do cenário político, os dois vereadores de Teresina aparecem como possíveis surpresas da eleição. Quatro nomes, duas cadeiras e uma disputa que promete ser uma das mais acirradas da Federação na corrida pela Assembleia Legislativa.

FLORENTINO NETO E ZÉ SANTANA TRAVAM DISPUTA PELA ÚLTIMA VAGA DA FEDERAÇÃO NA CÂMARA FEDERAL. 

A disputa por uma das quatro vagas que a Federação PT e PV poderá conquistar na Câmara Federal pelo Piauí começa a se concentrar em dois nomes: Florentino Neto e Zé  Santana. A avaliação entre observadores do cenário eleitoral é de que três vagas estariam mais encaminhadas dentro da Federação, considerando o desempenho nas pesquisas de opinião e a estrutura política dos candidatos. O delegado Charles, o deputado federal Dr. Francisco e o deputado Flávio Nogueira aparecem como nomes com maior nível de consolidação neste momento. A quarta vaga, porém, promete uma disputa bem mais apertada. De um lado está Florentino Neto, atual deputado federal, que atravessou um período de dificuldades políticas e eleitorais, mas vem recuperando importantes colégios eleitorais e reconstruindo sua força. O parlamentar tem como trunfo o fato de ser um nome identificado historicamente com o PT, além de voltar a apresentar sinais de recuperação em regiões estratégicas. Em Parnaíba, seu principal reduto político, Florentino trabalha para recuperar uma votação expressiva. Na região de Picos, também há expectativa de que o petista volte a surpreender positivamente nas urnas. Do outro lado está José Santana, ex-deputado estadual e ex-presidente da Agespisa, que construiu ao longo dos anos uma rede política importante, especialmente a partir de sua participação em diversas eleições municipais. Santana, entretanto, teria perdido parte da força acumulada ao longo desse processo, chegando à disputa federal precisando reconstruir colégios eleitorais e demonstrar sua capacidade de transferência de votos. Nesse cenário, Florentino aparece com uma vantagem política importante: a identificação histórica com o PT e a capacidade de reorganizar sua base eleitoral. Ainda não há como cravar o resultado. A eleição está em construção e novos movimentos podem alterar completamente o quadro. Mas, neste momento, a leitura entre críticos e observadores é objetiva: se a Federação PT e PV conquistar quatro cadeiras na Câmara Federal, a última vaga poderá ser decidida voto a voto entre Florentino Neto e Zé Santana.