O presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu se pronunciar sobre a crise provocada pelo escândalo do Banco Master e seus reflexos no Judiciário. Em vídeo, Lula evitou citar nominalmente qualquer magistrado, criticou o que chamou de “vazamentos seletivos” e classificou o caso envolvendo o banco como um dos maiores rombos financeiros do país. O cuidado nas palavras chamou atenção. Lula parece pisar em ovos diante de um escândalo que já alcança personagens e interesses políticos próximos ao campo governista e que também provoca questionamentos sobre relações envolvendo integrantes do Judiciário. As conexões políticas do caso, inclusive na Bahia, ampliam o desconforto dentro do próprio ambiente petista. Enquanto isso, a crise no Supremo ganha novos capítulos. Alexandre de Moraes apresentou representação envolvendo o ministro André Mendonça no âmbito do inquérito das fake news, aprofundando um confronto institucional que já ultrapassou os limites de uma simples divergência jurídica. Nos bastidores e no debate político, surgem versões sobre tentativas de composição e acordos envolvendo personagens alcançados por investigações alegações que precisam ser comprovadas e esclarecidas oficialmente. A imagem transmitida à sociedade é preocupante: ministros da mais alta Corte do país envolvidos em uma crise pública justamente quando o escândalo do Banco Master exige transparência absoluta das instituições. E o Senado, constitucionalmente responsável por processar e julgar ministros do Supremo nos casos previstos em lei, continua no centro da cobrança. Senadores defendem investigação e até impeachment de Moraes, enquanto o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, resiste a levar adiante os pedidos. O escândalo do Master deixou de ser apenas uma crise bancária. Transformou-se também numa crise política e institucional. Lula fala sem citar nomes, ministros do Supremo entram em confronto e o Senado permanece pressionado a deixar a condição de espectador e assumir sua responsabilidade constitucional.
MORAES, SOB PRESSÃO NO CASO MASTER, MANDA INVESTIGAR MENDONÇA APÓS MINISTRO ABRIR SIGILO.
O ministro Alexandre de Moraes, que passou a ser alvo de questionamentos públicos após a divulgação de informações da investigação do Banco Master envolvendo relações do banqueiro Daniel Vorcaro com o escritório de advocacia de sua esposa e familiares, agora aponta supostos indícios de irregularidades na atuação do ministro André Mendonça. A decisão chama atenção pelo momento em que ocorre. Mendonça, relator de investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS, determinou a retirada de sigilo de documentos que trouxeram a público informações capazes de ampliar o escrutínio sobre as relações de Vorcaro com pessoas próximas a Moraes. Segundo a informação divulgada pela GloboNews, Moraes afirma haver indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, quebra de imparcialidade e favorecimento na condução de investigações sob responsabilidade de Mendonça. O ministro encaminhou o material ao presidente do STF, Edson Fachin, para avaliação das providências cabíveis. O episódio abre um novo e grave capítulo dentro do próprio Supremo. De um lado, estão as suspeitas levantadas por Moraes contra Mendonça; de outro, permanece a necessidade de esclarecimento público e institucional sobre tudo o que as investigações do Banco Master efetivamente revelaram acerca das relações de Vorcaro com familiares e o escritório ligado à esposa de Moraes. Acusações e eventuais conflitos de interesse, de qualquer lado, precisam ser apurados com transparência e sem prejulgamento.
CÂMARA FEDERAL: PROGNÓSTICO APONTA QUATRO VAGAS PARA PT, DUAS PARA PSD E OPOSIÇÃO, E UMA PARA MDB E REPUBLICANOS.
O tabuleiro da disputa pelas dez cadeiras do Piauí na Câmara Federal começa a ganhar contornos mais definidos. Levantamentos de pesquisas, desempenho de campanha e avaliações de experientes observadores das eleições proporcionais apontam, hoje, um cenário com favoritos mais claros, embora a briga pelas últimas posições continue aberta. Na Federação PT-PV-PCdoB, a projeção continua sendo de quatro deputados federais. Três nomes aparecem mais consolidados: Flávio Nogueira, Dr. Francisco e o delegado Charles Pessoa, apontado como uma das grandes surpresas desta eleição. A disputa fica pela quarta cadeira. Merlong Solano, Zé Santana e Florentino Neto aparecem brigando praticamente ombro a ombro. Entretanto, circula nos bastidores a possibilidade de uma fusão de candidaturas entre petistas históricos, movimento que poderia fortalecer Merlong ou Florentino. Caso a articulação se confirme, um dos dois passaria a ter amplo favoritismo para ocupar a quarta vaga, deixando José Santana em situação bem mais difícil. No Republicanos, a projeção é de uma cadeira, mas a disputa interna ganhou novos ingredientes. Fábio Abreu vem crescendo e já começa a ameaçar diretamente o favoritismo do deputado Jadyel , transformando uma disputa que parecia mais previsível em uma verdadeira queda de braço pela vaga do partido. Fabrício Loiola também aparece em evidência, sobretudo pela exposição conquistada durante a campanha. No PSD de Georgiano Neto, as avaliações apontam uma possibilidade concreta de duas cadeiras, tendo Georgiano Neto e Wilson Martins como os nomes mais cotados neste momento. Já o MDB parece ter esbarrado em uma única vaga. A projeção mais recorrente é a reeleição de Castro Neto, enquanto o deputado Marco Aurélio Sampaio enfrenta um cenário bem mais difícil para renovar o mandato. Hoje, sua não reeleição já aparece como uma possibilidade bastante presente nas análises do tabuleiro proporcional. As duas vagas restantes aparecem, neste prognóstico, no campo da oposição. Entre os nomes mais fortes estão Átila Lira, Júlio Arcoverde e Emanuel Paiva, este último despontando como outra possível grande surpresa da eleição. Samantha Cavalca e o blogueiro Cachorro também aparecem com potencial para alcançar boas votações e ajudar decisivamente no desempenho da chapa. É uma fotografia do momento, não uma sentença das urnas. Mas, faltando pouco mais de um mês para a eleição, pesquisas, estrutura das chapas e avaliações de quem acompanha há décadas as disputas proporcionais começam a desenhar com maior nitidez quem está efetivamente brigando pelas dez cadeiras piauienses na Câmara dos Deputados.
OPOSIÇÃO TEM TRÊS VAGAS ENCAMINHADAS, BRIGA PELA QUARTA E PETRUS VIRA A GRANDE INCÓGNITA PARA A ALEPI.
A disputa pelas vagas da oposição na Assembleia Legislativa do Piauí apresenta três cenários diferentes. Enquanto setores do governo sustentam que os adversários devem eleger apenas dois deputados estaduais, a oposição trabalha com quatro cadeiras e, nos discursos mais entusiasmados, chega a projetar até cinco. Fora das contas feitas pelos dois lados, porém, críticos e observadores experientes das eleições proporcionais desenham um cenário intermediário: a oposição teria condições de chegar a três deputados estaduais e estaria efetivamente brigando pela quarta vaga. Dentro desse quadro, cinco nomes aparecem com maior força na disputa: Gustavo Neiva, Dr. José Fernando, Dr. Erivelton, Pedro Alcântara e Júnior Percy. São eles que, neste momento, estariam mais diretamente posicionados na briga pelas três ou quatro cadeiras projetadas para o bloco oposicionista. Uma das novidades é Pedro Alcântara. Seu nome cresceu fortemente entre o chamado eleitor livre de Teresina e vem aparecendo nos levantamentos realizados na capital, fortalecendo uma candidatura que passou a ser observada com muito mais atenção nesta reta da campanha. A grande incógnita, entretanto, atende pelo nome de Petrus. O vereador já mostrou força eleitoral: teve votação expressiva para deputado estadual em 2022 e, posteriormente, conquistou uma cadeira na Câmara Municipal de Teresina. Por isso, integrantes da oposição ainda apostam que ele pode surpreender. Mas Petrus chega a esta disputa sob circunstâncias diferentes. O episódio que mais pesou politicamente foi a CPI da Água, da qual foi um dos principais articuladores. A investigação tratava de um serviço que provoca forte insatisfação entre teresinenses, mas terminou sem os resultados esperados por parcela da população. Petrus passou a ser alvo de críticas e acusações políticas de que teria permitido o esvaziamento da CPI, percepção que acabou provocando desgaste em sua imagem. O reflexo, segundo observadores, estaria nos próprios levantamentos eleitorais. Petrus continua forte nas redes sociais, mas já não aparece com o mesmo destaque espontâneo observado em disputas anteriores, nem com aquela mobilização intensa de eleitores que já marcou sua trajetória política. Por isso, Petrus virou o grande ponto de interrogação da chapa oposicionista. Caso recupere sua capacidade de mobilização e transforme sua força digital em votos, poderá mudar completamente a matemática da bancada. Se permanecer com desempenho mais tímido, a leitura predominante é de que a oposição deverá ficar entre três e, no máximo, quatro deputados estaduais. Hoje, portanto, a conta mais prudente não confirma nem o otimismo de cinco cadeiras da oposição nem a previsão governista de apenas duas. O cenário desenhado por observadores aponta três vagas ao alcance da oposição e uma verdadeira batalha pela quarta.
ZONA Z: TRÊS VETERANOS DA ALEPI ENTRAM NA ZONA DE RISCO PARA A REELEIÇÃO.
A disputa pelas 30 cadeiras da Assembleia Legislativa do Piauí começa a desenhar também a chamada “Zona Z” — o grupo de parlamentares que, na avaliação de críticos, observadores e experientes acompanhantes das eleições proporcionais, enfrenta hoje maior risco de não renovar o mandato.
ZONA Z
1. Nerinho
Veterano com forte atuação política na região de Picos, aparece nas avaliações de bastidores entre os deputados que terão uma caminhada mais difícil para garantir novo mandato.
2. Janaína Marques
Com sua principal base eleitoral no Norte do Piauí, também é colocada por observadores entre os nomes que precisam reagir para escapar da zona de risco.
3. Evaldo Gomes
Sem uma região específica que concentre sua força eleitoral, Evaldo completa o trio apontado com maior frequência na chamada Zona Z.
O IMPROVÁVEL: MARDEN MENEZES
Correndo por fora dessa lista aparece Marden Menezes. A avaliação é de que sua mudança da oposição para a situação lhe trouxe novas lideranças e estrutura política, mas teria reduzido parte da identificação que mantinha com seu eleitorado tradicional. Para os observadores, caso a eleição produza uma renovação significativa na ALEPI e alguns veteranos acabem “rebaixados” pelas urnas, Nerinho, Janaína Marques e Evaldo Gomes aparecem hoje como os três nomes mais citados nesse radar de risco. Marden Menezes seria, por enquanto, o nome improvável que começa a rondar a Zona Z.
ALERTA NO MARKETING: EXALTAR LULA PODE ABRIR FLANCO PARA OPOSIÇÃO QUESTIONAR PRESTÍGIO DE RAFAEL EM BRASÍLIA.
O marketing do governador Rafael Fonteles começa a avaliar com cautela a exploração excessiva do apoio do presidente Lula durante a campanha. A preocupação é que aquilo que deveria representar um ativo eleitoral acabe oferecendo munição para a oposição. O contra-ataque seria simples: se Rafael tem tanta proximidade com Lula, quais foram as grandes obras federais conquistadas pelo governador para o Piauí durante seu mandato? Nos bastidores, críticos sustentam que faltou ao governo Rafael uma obra federal de grande impacto, concebida e iniciada durante sua gestão, capaz de simbolizar seu prestígio junto ao Palácio do Planalto. Intervenções importantes anunciadas ou executadas no período, como as relacionadas à BR-343 e à Avenida João XXIII, carregam projetos e discussões originados anteriormente. A oposição pode, portanto, tentar inverter o discurso: “Rafael fala muito em Lula, mas qual foi o tamanho do prestígio de Rafael dentro do governo Lula?” Outro argumento que pode entrar no debate é a quantidade de viagens internacionais realizadas pelo governador, contraposta à cobrança por resultados concretos de sua articulação política em Brasília. Há ainda quem relacione esse cenário às divergências políticas entre Rafael Fonteles e o ministro Wellington Dias dentro do próprio grupo governista. É uma interpretação de bastidor, sem confirmação de que eventuais disputas tenham interferido na relação institucional com o governo federal. Enquanto isso, adversários devem explorar também os empréstimos contratados pelo Estado durante a gestão Rafael, tentando construir a narrativa de que, sem grandes entregas federais para apresentar, o governo precisou recorrer ao endividamento para financiar investimentos. Por isso, a presença de Lula continua sendo eleitoralmente importante no Piauí, mas a recomendação dentro do marketing pode ser uma só: explorar o apoio presidencial sem exagerar na dose, porque a oposição pode transformar Lula numa pergunta incômoda para Rafael “se tinha tanto prestígio, cadê as grandes obras que conseguiu?”
MENOS MAL: EQUATORIAL FAZ ACORDO COM MPF E TERÁ QUE INVESTIR R$ 149,5 MILHÕES NO PIAUÍ.
A Equatorial Piauí, que ainda deixa muito a desejar na qualidade do fornecimento de energia elétrica em várias regiões do estado, firmou acordo na Justiça Federal com o Ministério Público Federal (MPF) e terá que realizar cerca de R$ 149,5 milhões em investimentos na infraestrutura elétrica do Piauí até 2027. Menos mal. O acordo é resultado de uma ação civil pública ajuizada pelo MPF ainda em 2010, cobrando da concessionária um serviço adequado, eficiente e seguro, além da redução das constantes interrupções no fornecimento de energia. Agora, o que o consumidor piauiense espera é que os R$ 149,5 milhões saiam efetivamente do papel e sejam transformados em melhorias na rede e, principalmente, em energia com mais qualidade e menos interrupções.
Silas Freire