Bloqueio de contas levanta suspeita de retaliação política em São Raimundo Nonato.

A decisão da conselheira Rejane Dias de bloquear as contas da Prefeitura de São Raimundo Nonato caiu como uma bomba no município. Formalmente, a medida cautelar foi fundamentada na falta de documentos e informações da prestação de contas referente a junho de 2026. Mas o momento da decisão alimentou um forte murmurinho político. Vinícius Dias, filho da conselheira, disputa uma cadeira de deputado estadual e busca votos no mesmo território eleitoral de Avelar Ferreira, candidato apoiado pelo prefeito Rogério Castro. As duas candidaturas estão oficialmente registradas.  Segundo informações dos bastidores, servidores comissionados que teriam declarado apoio a Vinícius Dias foram exonerados pela gestão municipal. A partir daí, adversários de Avelar passaram a interpretar o bloqueio como uma possível resposta política. Não há, até agora, prova pública de que a decisão tenha sido motivada pelas exonerações, mas a coincidência política levanta dúvidas e exige explicações. O TCE-PI precisa mostrar que o mesmo rigor é aplicado a todas as prefeituras com pendências semelhantes. A Prefeitura, por sua vez, deve explicar as exonerações e a falta da documentação apontada. Em período eleitoral, transparência é obrigação porque órgão de controle não pode carregar sequer a sombra de servir como arma numa disputa por votos.

SÍLVIO COLA EM JOEL PARA CONQUISTAR OS INDECISOS DE TERESINA. 

No momento em que Teresina concentra o maior número de eleitores ainda indefinidos na disputa pelo Governo do Piauí, o prefeito Sílvio Mendes entra em campo e cola sua imagem à de Joel Rodrigues. Nesta terça-feira (22), os dois gravaram um vídeo juntos, com uma declaração pública e enfática de apoio ao candidato da oposição. Sílvio é hoje a principal liderança política da capital e sabe que sua palavra pode ajudar a romper a indecisão de parte do eleitorado teresinense. Ao destacar a trajetória, a coragem e a dedicação de Joel, o prefeito manda um recado direto: seu candidato ao Governo é o ex-prefeito de Floriano. A estratégia é clara. Joel precisa transformar a popularidade e a credibilidade de Sílvio em votos na capital. Se essa transferência acontecer, a oposição poderá avançar justamente onde ainda existe o maior território eleitoral em aberto.

QUAEST DEIXA LULA À FRENTE SÓ NO NORDESTE; RESULTADO LEVA APREENSÃO AOS BASTIDORES DE RAFAEL. 

O recorte regional da Quaest é indigesto para Lula. Num eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, o presidente só lidera no Nordeste, por 57% a 31%. Perde no Sudeste por 43% a 36%, no Sul por 52% a 30% e no conjunto Centro-Oeste/Norte por 48% a 36%. É um mapa pesado para quem busca a reeleição.  Segundo informações recebidas pela coluna, o resultado foi assunto numa reunião de Rafael Fonteles na sede da SA Propaganda, já perto da meia-noite de terça-feira (22), depois dos encontros políticos. O que se ouviu nos bastidores é que Rafael teria cobrado atenção total à disputa no Piauí: buscar a vitória no primeiro turno e evitar qualquer salto alto. A avaliação atribuída àquela conversa é ainda mais dura: para os presentes, a eleição de Brasília estaria praticamente perdida para o PT. É uma leitura de bastidor, mas ajuda a explicar a urgência que, segundo os relatos, tomou conta da reunião.

QUASE R$ 900 MIL RECEBIDOS, R$ 519 MIL EM DESPESAS E CAJUÍNA FORA DA ELEIÇÃO. 

Gyselle Cajuína pediu a retirada da candidatura a deputada federal a 12 dias da votação. A renúncia foi homologada pelo TRE-PI na terça-feira (22). Antes de sair da disputa, sua campanha havia declarado R$ 895.175,67 em receitas, sendo R$ 875.675,67 repassados pelo diretório nacional do Progressistas, e R$ 519.629,04 em despesas. É muito dinheiro para uma campanha de pouca visibilidade pública. Cabe à candidata explicar com clareza onde e como esses recursos foram empregados.  O pedido de renúncia não apresentou uma razão política para a desistência. Nos bastidores, circulam duas versões: um desentendimento com o coordenador da campanha, apontado também como seu namorado, e uma possível aproximação com o governo do estado. Nenhuma das duas foi confirmada, e não há elemento para atribuir a qualquer uma delas a decisão de Cajuína. A coluna espera ouvir de Gyselle sua versão para a saída da disputa e os esclarecimentos sobre as despesas declaradas.

MULTIDÃO RECEBE FLÁVIO EM SÃO LUÍS E MANDA RECADO AO LULISMO. 

Milhares de pessoas receberam Flávio Bolsonaro no aeroporto de São Luís, nesta terça-feira (22). A recepção tomou as ruas em uma motocarreata que seguiu até o comício. Diante da manifestação dos apoiadores, Flávio se emocionou ao erguer uma foto do pai, Jair Bolsonaro.  O ato mostrou a força de mobilização do bolsonarismo no vizinho Maranhão, em pleno Nordeste. É um recado que o lulismo não pode desprezar: São Luís mostrou uma oposição nas ruas, com disposição para disputar espaço onde o PT se acostumou a contar com vantagem.

KASSIO DEVE CONTINUAR À FRENTE DO TSE SEM EXPLICAR O CASO VORCARO?

O nome do piauiense Kassio Nunes Marques voltou a aparecer nas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. Segundo reportagem do Metrópoles, um escritório ligado a pessoas chamadas nas conversas de “turma do KN” tinha contrato com o Banco Master que previa R$ 427 milhões em honorários, caso obtivesse êxito em ações sobre precatórios. O contrato era com o escritório da advogada Camilla Ramos, não com o ministro. As mensagens também atribuem a Kassio um pedido de hospedagem ao grupo de Vorcaro.  Kassio nega ter pedido qualquer coisa ao banqueiro, trocado mensagens com ele ou autorizado alguém a falar em seu nome. A negativa precisa ser registrada. Mas a sucessão de revelações exige respostas públicas claras: quem fez os pedidos, em nome de quem e qual foi a relação entre os envolvidos?  Kassio já preside o TSE e conduzirá as eleições de 2026. Diante disso, há quem defenda que ele avalie deixar a presidência da Corte enquanto os fatos são esclarecidos. É uma cobrança política, não uma declaração de suspeição já reconhecida. Na eleição mais importante do país, a confiança na Justiça Eleitoral também depende de respostas convincentes de quem está no comando.