A Prefeitura de São Miguel da Baixa Grande entrou oficialmente na mira do Ministério Público do Piauí (MP-PI), que instaurou procedimento administrativo para investigar suposto uso irregular de recursos do Fundeb pela gestão municipal. A investigação ocorre em meio ao aumento das denúncias, reclamações e suspeitas envolvendo a administração do prefeito Francisco Bispo das Chagas, que vem enfrentando desgaste político diante de sucessivos questionamentos sobre a condução da máquina pública no município. Segundo a portaria assinada pelo promotor Ari Martins Alves Filho, a apuração tem como foco pagamentos realizados à empresa terceirizada Execellence LTDA, através do Pregão Eletrônico nº 018/2025, utilizando recursos vinculados à educação. O Ministério Público suspeita que verbas do Fundeb — destinadas exclusivamente à manutenção e desenvolvimento da educação básica — possam ter sido utilizadas de forma irregular pela Secretaria Municipal de Educação. Com a abertura oficial do procedimento, o MP-PI deverá aprofundar a análise de contratos, empenhos, notas fiscais, comprovantes de pagamento e demais documentos relacionados à contratação investigada. Nos bastidores políticos da região, a investigação já é vista como mais um episódio de pressão sobre a gestão municipal, que passa a conviver com o avanço das cobranças por transparência e fiscalização no uso do dinheiro público. Caso as irregularidades sejam confirmadas, os responsáveis poderão responder por improbidade administrativa e outras sanções previstas em lei.
GOVERNO ANUNCIA PACOTE DE OBRAS PARA CAMPO MAIOR, MAS POPULAÇÃO COBRA EXECUÇÃO.
O governador Rafael Fonteles anunciou nesta quarta-feira (27) um pacote de investimentos superior a R$ 16,8 milhões para Campo Maior, incluindo obras de urbanização, abastecimento de água, pavimentação e implantação de energia solar em prédios públicos do município. Durante agenda ao lado do prefeito Joãozinho Félix, o governador confirmou a reforma e urbanização da Orla do Açude Menor, a implantação de sistemas de abastecimento de água em comunidades rurais, instalação de kits de energia fotovoltaica em unidades da saúde, além de novas obras de pavimentação em paralelepípedo. Outro anúncio feito pelo Governo do Estado foi a implantação de um grupamento do Corpo de Bombeiros em Campo Maior. Inicialmente, a estrutura deverá funcionar provisoriamente no batalhão da Polícia Militar até a construção da sede definitiva. Apesar dos anúncios e do volume de recursos prometidos, moradores e lideranças locais cobram resultados concretos, prazos de execução e maior transparência sobre a aplicação dos investimentos no município.
MDB APOSTA EM RECUO DE FÁBIO ABREU PARA GARANTIR SEGUNDA VAGA FEDERAL.
Nos bastidores da política piauiense, cresce a especulação de que o MDB trabalha para viabilizar o recuo de Fábio Abreu da disputa à Câmara Federal em 2026, movimento que abriria caminho para o partido consolidar uma segunda vaga na bancada federal. A avaliação dentro do meio político é de que, sem Fábio Abreu na corrida, o Republicanos teria dificuldades para alcançar o coeficiente necessário para eleger um deputado federal, beneficiando diretamente nomes do MDB, entre eles o deputado Marco Aurélio. A movimentação teria como pano de fundo uma articulação liderada pelo senador Marcelo Castro. Segundo informações que circulam nos bastidores, teria sido oferecido ao grupo político de Fábio Abreu o comando da Codevasf no Piauí, espaço considerado estratégico e com forte influência política. A leitura de aliados do MDB é de que a estrutura da Codevasf garantiria protagonismo político ao grupo de Fábio Abreu independentemente do cenário eleitoral de 2026. Marcelo Castro nega qualquer articulação para afastar Fábio Abreu da disputa. O ex-secretário de Segurança também rejeita a especulação, embora não tenha se manifestado oficialmente sobre o assunto à coluna.
CÂMARA APROVA FIM DA ESCALA 6X1 E JORNADA DE 40 HORAS SEMANAIS.
A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a PEC que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais no Brasil. O texto segue agora para análise do Senado Federal. A proposta teve ampla aprovação no plenário. No primeiro turno, foram 472 votos favoráveis e 22 contrários. Já no segundo, o placar foi de 461 votos a favor e 19 contra. Com a mudança, os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana. A redução da carga horária será gradual: inicialmente, a jornada cairá de 44 para 42 horas semanais dois meses após a promulgação da emenda. Depois de 12 meses, passará definitivamente para 40 horas, sem redução salarial. O texto reúne trechos das PECs apresentadas pelos deputados Reginaldo Lopes e Erika Hilton, com relatoria do deputado Leo Prates. Defensores da proposta afirmam que a medida pode melhorar a qualidade de vida, ampliar a convivência familiar e aumentar a produtividade dos trabalhadores. Já representantes do setor empresarial demonstram preocupação com possíveis impactos financeiros em segmentos como comércio, hotelaria, turismo e serviços. Por se tratar de uma emenda constitucional, a proposta ainda precisa ser aprovada pelo Senado em dois turnos antes de entrar em vigor.
INVESTIMENTO BILIONÁRIO EXIGE TURISMO FORTE NO LITORAL DO PIAUÍ.
O anúncio da parceria entre a Investe Piauí e o grupo português Vila Galé para a construção de resorts no litoral piauiense foi recebido como um importante passo para fortalecer o turismo do estado. O projeto representa a chegada de um empreendimento de grande porte e com potencial para movimentar a economia, gerar empregos e ampliar a visibilidade do Piauí no cenário turístico nacional e internacional. No entanto, empresários, moradores e setores ligados ao turismo avaliam que apenas a instalação de resorts não será suficiente para garantir o sucesso do investimento se não houver, paralelamente, uma política permanente de fortalecimento do turismo no litoral. A preocupação cresce principalmente diante da realidade enfrentada atualmente por destinos tradicionais do estado. Na Praia do Coqueiro, em Luís Correia, comerciantes relatam queda no movimento e ausência de grandes ações de incentivo turístico. Já em Barra Grande, um dos cartões-postais do Piauí, empresários apontam redução da presença de turistas estrangeiros, especialmente europeus, que durante anos movimentaram a economia local. Entre as reclamações mais frequentes estão os altos preços praticados em alguns serviços, a falta de infraestrutura urbana, problemas de mobilidade, carência de eventos atrativos e ausência de campanhas mais fortes de promoção turística do litoral piauiense. O reflexo desse cenário já começa a aparecer no mercado local. Em Barra Grande, pousadas, bares e restaurantes têm sido colocados à venda nos últimos meses, em meio à redução do fluxo turístico em determinados períodos do ano. Empresários do setor defendem que o investimento em resorts precisa ser acompanhado de ações estratégicas do poder público, como calendário permanente de eventos, melhorias em acessos, segurança, saneamento, iluminação, mobilidade e promoção turística nacional e internacional. A avaliação é de que grandes empreendimentos podem impulsionar o litoral, mas somente terão sustentabilidade econômica se houver fortalecimento do turismo como atividade permanente e organizada em toda a região.
SUSPEITAS EM CONCURSO DO IFPI GERAM CLIMA DE INSEGURANÇA ENTRE CANDIDATOS.
O pedido do Ministério Público Federal (MPF) para suspensão de etapas do concurso público do Instituto Federal do Piauí (IFPI) acendeu um clima de insegurança e apreensão entre milhares de candidatos que disputam vagas no certame. A investigação apura possíveis irregularidades relacionadas à aplicação das cotas e aos critérios de convocação de candidatos para etapas eliminatórias do concurso. O MPF quer esclarecer se houve falhas capazes de comprometer a igualdade de condições entre os participantes. Nos bastidores, candidatos relatam preocupação com a possibilidade de atrasos no cronograma, anulação de etapas e até judicialização do concurso. O temor maior é de que problemas administrativos prejudiquem pessoas que se prepararam durante meses para as provas. Especialistas em concursos públicos avaliam que situações envolvendo suspeitas de irregularidades costumam provocar desgaste institucional e gerar dúvidas sobre a transparência do certame, principalmente quando há questionamentos ligados às políticas de cotas e critérios de classificação. O caso também reacende o debate sobre a necessidade de maior rigor na elaboração e fiscalização de concursos públicos, sobretudo em instituições federais de ensino, onde a concorrência é alta e qualquer mudança no edital pode impactar diretamente milhares de candidatos.
Silas Freire