Há uma página no currículo de Marcelo Castro que dificilmente será esquecida: sua passagem pelo Ministério da Saúde durante a explosão da epidemia de Zika e da microcefalia no Brasil. E, em meio ao medo das famílias brasileiras, Marcelo ficou marcado por uma sequência impressionante de gafes. Ao ser questionado sobre gravidez durante a crise, soltou: “Sexo é para amador, gravidez é para profissional.” Depois veio uma declaração ainda mais espantosa. O ministro disse que iria “torcer para que as mulheres peguem Zika” antes da idade fértil, porque assim ficariam imunizadas. A repercussão foi tão negativa que posteriormente ele reconheceu ter se expressado mal. Marcelo também recomendou que as mulheres usassem calças compridas e sapatos fechados e resolveu explicar por quê: segundo ele, os homens se protegiam mais, enquanto as mulheres ficavam “com as pernas de fora”. Para completar, descreveu o Aedes aegypti como um mosquito “tímido”, que chegava devagar às extremidades do corpo. E houve mais. Em plena emergência sanitária, o próprio ministro admitiu publicamente que o país estava “perdendo feio” a batalha contra o mosquito. Era justamente naquele momento que milhares de famílias viviam a angústia das notificações e investigações de microcefalia, enquanto a epidemia ganhava dimensão internacional. Marcelo Castro ocupou muitos cargos ao longo da vida pública. Mas, quando chegou ao comando da Saúde do Brasil e enfrentou a maior crise sanitária de sua gestão, deixou como lembrança uma sucessão de declarações desastrosas. No extenso currículo de Marcelo Castro, a Zika e as gafes de seu período como ministro deixaram uma marca difícil de apagar.
CONTADORES DE VOTOS JÁ APONTAM QUEM SAI, QUEM ENTRA E QUEM PODE VOLTAR.
Os tradicionais contadores de votos da política piauiense já desenham o cenário para a Câmara Federal e, por enquanto, não enxergam espaço para grandes surpresas. Nas contas desses experientes observadores, Florentino Neto e Marco Aurélio Sampaio são os dois nomes hoje praticamente “condenados” eleitoralmente a não retornar à Câmara. Pelas projeções atuais, ambos enfrentariam grandes dificuldades para renovar seus mandatos. Na outra ponta estão as duas maiores possibilidades de caras novas na bancada federal: Wilson Martins e o delegado Charles Pessoa. Os dois são apontados como nomes com força real para conquistar uma cadeira. Merlong Solano vive situação diferente. Chegou à Câmara como suplente e assumiu a vaga deixada por Rejane Dias, após a ida dela para o Tribunal de Contas do Estado. Agora, segundo os contadores de votos, Merlong tem chances concretas de permanecer na Câmara pelo voto. Outro nome no tabuleiro é o do ex-deputado Fábio Abreu. Seu retorno passa pelo desempenho do Republicanos: se o partido conquistar a segunda cadeira, Fábio aparece com possibilidade real de voltar à Câmara Federal. O desenho de hoje, portanto, é esse: Florentino e Marco Aurélio ameaçados de ficar fora; Wilson Martins e Charles Pessoa podendo chegar; Merlong com chances de permanecer; e Fábio Abreu podendo retornar. Fora desse quadro, os contadores de votos não enxergam, até agora, grandes surpresas na bancada federal do Piauí.
ANDREI TIRA DA CHURRASQUEIRA LISTA DE QUATRO MESES ATRÁS EM PLENA ELEIÇÃO.
A Polícia Federal colocou no centro do debate político uma lista apreendida há mais de quatro meses na churrasqueira da residência do senador Ciro Nogueira, uma das principais lideranças do Centrão. O papel foi encontrado no dia 7 de maio e trazia o título “Câmara”, primeiros nomes e números. A própria PF trabalha apenas com a hipótese de que alguns nomes sejam de deputados federais e de que os números sejam “provavelmente valores”. Até agora, o significado das anotações permanece sem esclarecimento. A pergunta política é inevitável: por que uma informação ainda inconclusiva, apreendida quatro meses atrás, ganha tamanha repercussão justamente agora, no calor da eleição? Ciro é uma das principais vozes do Centrão, bloco que passou a olhar com maior atenção para o crescimento eleitoral de Flávio Bolsonaro. Nesse ambiente, qualquer movimentação da Polícia Federal contra lideranças políticas precisa estar sustentada por fatos sólidos, e não por interpretações de um velho pedaço de papel. É justamente aí que aumenta a responsabilidade do diretor-geral Andrei Rodrigues. A PF não pode produzir sequer a aparência de que investigações e informações sob sua guarda possam funcionar como instrumento de pressão eleitoral. Andrei não pode ser cabo eleitoral de Lula, de Flávio ou de qualquer candidato. Se uma lista antiga, cujo próprio significado ainda precisa ser esclarecido, é lançada no centro da disputa eleitoral, a Polícia Federal tem obrigação de explicar os fatos com absoluta transparência. A PF tem uma arma poderosa nas mãos: a investigação. Em democracia, essa arma só pode servir à lei jamais a uma campanha eleitoral.
PV AFUNILA DISPUTA E ENZO SAMUEL LARGA NA FRENTE POR ÚNICA CADEIRA.
No início da corrida eleitoral, os contadores de votos chegaram a projetar até duas cadeiras para o PV na Assembleia Legislativa, numa disputa envolvendo Enzo Samuel, Breno Macedo e Teresa Britto. Na reta final, porém, as contas mudaram. A avaliação agora é de que o partido deverá brigar por uma única cadeira, o que já seria considerado um bom resultado. E a guerra fria pela vaga estaria concentrada principalmente entre Enzo Samuel e Breno Macedo. Para os apostadores de bastidores, Breno foi cedo demais para o campo, consumiu combustível antes da hora e chega à reta final perdendo oxigênio. Enzo teria feito o movimento contrário: dosou melhor sua campanha e aparece agora com mais gás para o momento decisivo. Nesse cenário, Enzo Samuel passa a ser apontado como favorito à cadeira do PV, enquanto Breno Macedo teria perdido força justamente no afunilamento da campanha. Já Teresa Britto, presidente estadual do partido, não teria alcançado a competitividade esperada. Entre os motivos apontados está sua mudança da oposição para a base governista, movimento que, na avaliação desses observadores, retirou parte da identidade política que marcou sua trajetória. Assim, a aposta dos contadores de votos hoje é: uma vaga para o PV, com Enzo Samuel na dianteira. Mas fica a ressalva: contador de voto faz conta e aposta. Quem decide mesmo é o eleitor, dentro da urna.
MP ELEITORAL ABRE INVESTIGAÇÃO SOBRE ISENÇÃO CONCEDIDA POR RAFAEL EM ANO ELEITORAL.
O governador Rafael Fonteles entrou na mira do Ministério Público Eleitoral. Segundo reportagem publicada neste domingo pela revista Veja, o órgão abriu investigação preliminar para apurar possível abuso de poder político e econômico na eleição de 2026, após o governo conceder ampla isenção da cobrança pelo uso de recursos hídricos às atividades agropecuárias. A medida existe e está documentada. A Lei nº 8.947, sancionada por Rafael em 2 de abril deste ano, passou a isentar as atividades agropecuárias da cobrança pelo uso das águas de domínio estadual. O texto havia sido aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa poucos dias antes. O ponto que chamou a atenção do Ministério Público, segundo a Veja, é justamente o fato de uma isenção ampla e permanente ter sido concedida em pleno ano eleitoral. O órgão aponta, nesta fase inicial, indícios que precisam ser apurados sobre eventual desvio de finalidade e possível impacto na igualdade da disputa eleitoral. A questão é ainda mais sensível porque, durante a tramitação da matéria na Assembleia, a própria oposição já havia classificado a iniciativa como eleitoreira. O governo, por outro lado, sustentou que a lei buscava dar segurança jurídica aos produtores e acabar com a polêmica em torno da chamada “taxa dos poços”. Agora, o que antes era apenas um embate político virou assunto de investigação eleitoral. Não há, neste momento, conclusão de que Rafael Fonteles tenha cometido abuso, mas o ato de seu governo passou oficialmente para o campo da apuração do Ministério Público. A isenção que o Karnak apresentou como benefício ao campo virou problema eleitoral para o próprio governador.
VICE DE FLÁVIO BOLSONARO VEIO AO PIAUÍ E ACUSOU PT DE MANTER NORDESTE DEPENDENTE PARA GARANTIR VOTOS.
O candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar (PL-AL), esteve neste domingo (13) no Piauí e fez duras críticas ao modelo político e social que, segundo ele, mantém parte da população nordestina dependente de programas assistenciais. Durante encontro do PL em Teresina, Gaspar acusou o PT de transformar a pobreza em instrumento de manutenção de poder. Para ele, programas sociais são necessários para quem precisa, mas deveriam funcionar como uma ponte para a autonomia, acompanhados de qualificação profissional, geração de empregos, renda e desenvolvimento econômico “Não é possível que a classe política e o PT, especialista nisso, queira manter curral eleitoral, deixando o povo na miséria”, afirmou Gaspar, segundo declaração divulgada durante o evento. O vice de Flávio Bolsonaro defendeu que o Nordeste precisa romper o que classificou como um ciclo de dependência política. Na visão do candidato, manter famílias indefinidamente dependentes do Estado acaba amarrando também eleitoralmente uma parcela da população. Gaspar resumiu sua crítica com outra frase forte: “Nenhum nordestino quer que o filho viva de Bolsa Família.” Para ele, o nordestino quer emprego, oportunidade e independência para escolher seu próprio futuro inclusive na hora de votar.
DEPUTADOS DO PT PAGAM R$ 2,5 MIL POR GALINHA EM LEILÃO NO INTERIOR.
Uma cena chamou atenção nos festejos de Pedro Laurentino: dois deputados estaduais do PT travaram uma disputa por uma galinha caipira assada e fizeram o lance sair de R$ 300 para impressionantes R$ 2.500. Gil Carlos e Firmino Paulo foram elevando os valores até que Gil Carlos deu o lance final de R$ 2,5 mil e levou a galinha. A ostentação aconteceu diante de moradores de um pequeno município do interior, onde famílias convivem com dificuldades básicas, inclusive falta d’água e aperto para colocar comida na mesa. E os dois parlamentares têm forte espaço no Governo do Estado: Firmino Paulo comanda estrutura ligada à agricultura, enquanto Gil Carlos mantém influência na área de assistência estadual. Enquanto falta o básico na mesa de muita gente, sobrou dinheiro na disputa dos deputados petistas: R$ 2.500 por uma única galinha assada.
Karytha Leal