Nos bastidores da política do Piauí, ganha corpo uma estratégia considerada ousada dentro da base governista: usar uma eventual candidatura de Léo Sobral a deputado federal como instrumento direto para enfraquecer eleitoralmente o deputado estadual Georgiano Neto. A movimentação, ainda não oficializada, teria um objetivo claro: deslocar votos de Georgiano para dentro do MDB, ajudando a legenda a garantir duas vagas na Câmara Federal. Dentro dessa matemática, o deputado Castro Neto, filho do senador Marcelo Castro, é visto como já consolidado eleitoralmente, enquanto o ponto de atenção está na segunda vaga: o deputado Marcos Aurélio Sampaio, filho do vice-governador Temístocles Filho, é considerado o nome mais vulnerável dentro da chapa. É justamente para garantir essa segunda cadeira que entra o papel de Léo Sobral, que mesmo sem tempo hábil para construir uma candidatura altamente competitiva, é visto como capaz de captar entre 40 mil e 50 mil votos, sobretudo em redutos ligados a Georgiano, redirecionando esse capital eleitoral para o MDB e fortalecendo a legenda. A leitura política é de que essa engenharia também serviria como compensação ao grupo de Temístocles Filho após a perda de espaço na composição majoritária do governo. Publicamente, o governador Rafael Fonteles nega estimular a saída de Léo Sobral do DR, mas nos bastidores interlocutores apontam que o movimento já estaria alinhado, com Sobral atuando como peça-chave para reorganizar forças dentro da base e conter o avanço eleitoral de Georgiano Neto.
Oposição dentro de casa: críticas mais duras a Silvio vêm de aliado.
O prefeito de Teresina, Silvio Mendes, vive uma situação política incomum: as críticas mais contundentes à sua gestão não partem da oposição tradicional, mas de dentro da própria base aliada. O vereador Petrus Evelyn, eleito no mesmo palanque do prefeito, tem assumido protagonismo como uma das vozes mais incisivas contra a administração municipal. Curiosamente, partidos de oposição, como o Partido dos Trabalhadores (PT), derrotado na última eleição municipal, não têm adotado um tom tão duro quanto o do parlamentar. Conhecido por sua postura crítica ao governo estadual, especialmente ao governador Rafael Fonteles, Petrus agora redireciona suas cobranças para a Prefeitura de Teresina. Entre os principais alvos estão o sistema de transporte coletivo e a condução da cidade diante das fortes chuvas. Apesar de integrar a base que elegeu Silvio, o vereador tem se colocado como independente, elevando o nível das críticas e cobrando respostas mais firmes da gestão. Suas declarações recentes, classificando medidas da prefeitura como insuficientes diante de problemas históricos, ampliaram o debate político na capital. Nos bastidores, a avaliação é de que Silvio enfrenta um cenário atípico: a oposição formal tem atuação discreta, enquanto o desgaste mais visível surge de um aliado que decidiu tensionar a relação com o Executivo. Um sinal claro de que, no atual momento, a principal frente de cobrança ao prefeito está dentro de casa.
A que ponto chegou o país: deputada do Ceará é monitorada por suspeita de fraude contra aposentados.
O Brasil assiste, mais uma vez, a um escândalo que atinge diretamente a população mais vulnerável. A deputada federal Maria Gorete Pereira, do Ceará, passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica no âmbito de investigação da Polícia Federal que apura um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Segundo as investigações, a parlamentar é apontada como uma das principais articuladoras políticas de um esquema que teria operado descontos indevidos em benefícios previdenciários, atingindo especialmente idosos no estado do Ceará. A apuração indica que o grupo atuava de forma organizada, utilizando estruturas internas e empresas para viabilizar as fraudes, que teriam movimentado valores milionários às custas de cidadãos que dependem da aposentadoria para sobreviver. O caso evidencia um cenário preocupante: enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para garantir o mínimo, surgem denúncias de esquemas que se aproveitam justamente dos mais frágeis. As investigações seguem em andamento, e o episódio reacende o debate sobre a responsabilidade de agentes públicos e a necessidade de respostas mais duras contra crimes que atingem diretamente os aposentados do país.
JVC reaparece, elogia Geová como vice ideal para Joel e dispara contra Wellington Dias.
O ex-senador João Vicente Claudino voltou ao centro do debate político no Piauí após entrevista concedida à Silas TV, no programa Vai Encarar. Em uma fala que rapidamente repercutiu nos bastidores, JVC fez acenos políticos, traçou cenários eleitorais e direcionou duras críticas ao ministro Wellington Dias. Um dos pontos mais comentados foi a defesa do nome do vereador Geová Alencar como uma das melhores opções para compor como vice na chapa de Joel Rodrigues. Segundo JVC, Geová reúne características de liderança capazes de dialogar tanto com a classe política quanto com as bases populares, especialmente em Teresina, considerada estratégica no cenário eleitoral. Ao mesmo tempo, o ex-senador tratou de afastar especulações sobre uma possível candidatura a vice, afirmando não ter interesse em disputar o cargo, citando compromissos empresariais ligados ao grupo da família. As declarações mais duras ficaram reservadas a Wellington Dias. JVC resgatou, inclusive, uma recomendação atribuída ao seu pai, o empresário João Claudino (in memoriam), que teria orientado o filho a não firmar qualquer tipo de acordo político com o atual ministro. Em tom contundente, o ex-senador chegou a acusar Wellington de falta de credibilidade, mencionando episódios como a data de filiação ao Partido dos Trabalhadores, que, segundo ele, não corresponderia à fundação oficial da sigla. JVC também projetou o cenário eleitoral em Teresina, destacando a importância da capital para uma eventual vitória de Joel. Ele lembrou que, em eleições passadas, Joel abriu vantagem significativa sobre Wellington e o PT, e avaliou que, ampliando essa diferença, o resultado se tornaria praticamente irreversível. A entrevista marcou o retorno de João Vicente Claudino ao debate público com forte impacto político, reacendendo articulações e ampliando a temperatura do cenário eleitoral no estado.
Antes do lançamento de Joel, pesquisa mostra queda de Rafael e oposição já encostando nos 30% no Piauí.
A mais recente pesquisa do instituto Atlas Intel, registrada no TSE, revela um novo cenário político no Piauí e aponta sinais de perda de hegemonia do atual governo. O levantamento foi realizado entre os dias 11 e 15 de março de 2026, período em que o ex-prefeito Joel Rodrigues ainda não havia lançado oficialmente sua candidatura, embora já fosse testado nos cenários estimulados. Mesmo assim, Joel aparece com 29,8% das intenções de voto, consolidando-se como principal nome da oposição antes mesmo de entrar formalmente na disputa. Na liderança, o governador Rafael Fonteles registra 56%, mantendo vantagem, porém abaixo de um patamar considerado de hegemonia eleitoral. Na avaliação administrativa, o levantamento também aponta mudança: Rafael tem hoje cerca de 60% de aprovação, número ainda positivo, mas distante dos 80% já registrados anteriormente. Os dados indicam um novo momento político no estado, com redução da aprovação do governador, crescimento antecipado da oposição e um cenário eleitoral mais competitivo. O fato de a pesquisa ter sido concluída antes do lançamento oficial de Joel Rodrigues reforça a leitura de que a mudança no eleitorado já está em curso, mesmo antes do início formal da disputa.
Silas Freire