Uma rodada de pesquisas AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira (3) em estados do Nordeste começa a provocar comparações no meio político.
Coincidência ou consequência da metodologia utilizada pelo instituto, candidatos ligados ao presidente Lula e ao PT aparecem, em diferentes estados, em posições mais confortáveis do que em levantamentos realizados por outros institutos.
O exemplo mais impressionante está no Ceará.
Em 12 de agosto, o Datafolha mostrou Ciro Gomes com 59% e Elmano de Freitas com 38% das intenções de voto no primeiro turno — diferença de 21 pontos percentuais.
Na simulação de segundo turno, Ciro aparecia com 60% contra 40% de Elmano.
O Ipec também encontrou vantagem de Ciro. Em levantamento de 18 de agosto, considerando os votos válidos, Ciro registrava 50,6% contra 41,2% de Elmano. No segundo turno, o placar era de 55% a 45%.
E o que diz o AtlasIntel agora?
Ciro: 48,4%. Elmano: 45,8%.
Empate técnico.
Em poucas semanas, o eleitor recebe fotografias bastante diferentes da mesma eleição: de uma vantagem que chegou a 21 pontos no Datafolha para uma diferença de apenas 2,6 pontos no AtlasIntel.
Na Bahia, Atlas também aperta a disputa
Na Bahia, outros institutos já mostravam uma eleição mais equilibrada, embora ACM Neto permanecesse numericamente na frente.
A Quaest, de 27 de agosto, registrou ACM Neto com 39% e Jerônimo Rodrigues com 37%. No segundo turno, ACM tinha 44% contra 41% do governador.
O Real Time Big Data havia registrado 44% para ACM Neto e 42% para Jerônimo.
Agora, o AtlasIntel apresenta uma eleição ainda mais apertada.
No primeiro turno, ACM Neto tem 49,1% e Jerônimo, 47,9%. No segundo, a distância praticamente desaparece: 49,2% a 48,6%.
E no Piauí?
No Piauí, a comparação mais direta é com o Datafolha divulgado recentemente.
O levantamento mostrou Rafael Fonteles com 56% e Joel Rodrigues com 21%.
Agora, o AtlasIntel coloca Rafael com 62,4% das intenções totais de voto, enquanto Joel aparece praticamente no mesmo lugar, com 20,9%.
Nos votos válidos, Rafael chega a 71%.
Joel praticamente não se mexeu de uma pesquisa para outra. Quem ganhou musculatura no levantamento do Atlas foi Rafael Fonteles.
A pesquisa para o Senado também chama atenção ao colocar os dois candidatos da chapa governista nas duas primeiras posições.
Fotografias diferentes
Nenhuma diferença entre pesquisas, isoladamente, permite acusar um instituto de manipulação ou direcionamento. Cada levantamento possui metodologia, amostra e forma de coleta próprias.
Mas as diferenças são informação jornalística e merecem ser mostradas ao eleitor.
No Ceará, um instituto nacional apontou Ciro 21 pontos à frente de Elmano. Agora, o Atlas mostra os dois separados por apenas 2,6 pontos.
Na Bahia, ACM Neto permanece numericamente à frente em diferentes pesquisas, mas no Atlas a distância cai para praticamente zero.
No Piauí, enquanto Joel Rodrigues permanece na faixa dos 21%, Rafael Fonteles sai dos 56% registrados pelo Datafolha para 62,4% no Atlas — e alcança 71% dos votos válidos.
Coincidência, diferença metodológica ou uma fotografia particular do eleitorado?
É uma pergunta legítima.
As próximas pesquisas mostrarão se o AtlasIntel antecipou uma movimentação real do eleitorado nordestino ou se seus números continuarão destoando dos demais termômetros da eleição.