PARAGUAI: DO PARAÍSO LIBERAL AO INFERNO ECONÔMICO!

A recente onda de migração de empresários e famílias brasileiras rumo ao Paraguai, futuros brasiguaios, revela uma realidade econômica e ideológica bastante fantasiosa, alimentada por informações sem solidez e por documentários e reportagens de cunho muito mais ideológico do que econômico, produzidos por plataformas como a Brasil Paralelo. Eis que surge a suposta "Suíça da América do Sul": o Paraguai, 95ª economia do mundo, transformado em destino de uma espécie de peregrinação empresarial, atraída pela menor carga tributária, pela reduzida interferência estatal e pelos salários mais baixos a serem pagos.

Os emigrantes brasileiros buscaram um "paraíso" em um ambiente de negócios simplificado, como se pagar menos impostos e encontrar mão de obra mais barata fossem, por si sós, garantia de prosperidade. Entretanto, depararam-se com a realidade do purgatório econômico, que, mais tarde, poderia se transformar em um inferno econômico. A realidade paraguaia atrapalhou o roteiro dessa fantasia liberal. Afinal, entre a propaganda do crescimento econômico e a realidade do desenvolvimento econômico existe um enorme abismo.

Para que o Paraguai se torne, de fato, um paraíso econômico, é necessário estabelecer uma relação equilibrada entre a capacidade de atrair investimentos, melhorar a infraestrutura, aumentar a produtividade, superar as limitações na qualificação da mão de obra, fortalecer as instituições e inserir-se de forma competitiva nos mercados internacionais.

O inferno paraguaio mostrou sua face com a quebra do Ueno Bank, um dos principais bancos do Paraguai e o maior banco digital do país em número de clientes. Parece que, para alguns brasileiros da bolha do Brasil Paralelo, ou melhor, da realidade paralela, bastaria atravessar a fronteira para descobrir o paraíso econômico. Pena que a "forte" economia real do Paraguai não obedeceu ao roteiro das informações e dos documentários ideológicos produzidos pela plataforma Brasil Paralelo, associada à extrema direita brasileira.