O governador Rafael Fonteles esteve na manhã de terça-feira no Mercado do Mafuá, em Teresina, em uma agenda que teve forte tom eleitoral. Durante a visita, prometeu um “pacto pelos empreendedores” e destacou a importância dos pequenos negócios. Chegou a dizer que, embora esteja governador, também é empreendedor. O discurso, porém, esbarra em uma contradição que não passou despercebida: o Piauí mantém uma das maiores cargas de ICMS do país, com alíquota modal próxima de 22%. Para quem vive do pequeno comércio, a pergunta é inevitável: como estimular o empreendedorismo mantendo uma carga tributária tão pesada? O próprio Mafuá é um retrato dessa realidade. Um dos pontos tradicionais do comércio popular de Teresina, com centenas de pequenos empreendedores, também convive com portas fechadas e negócios que não conseguiram sobreviver. Incentivar o empreendedorismo não é apenas anunciar pactos ou visitar mercados. É criar condições para que o pequeno comerciante consiga abrir, manter e ampliar seu negócio. Quando a carga tributária pesa sobre quem produz e vende, o discurso de incentivo perde força na prática. E, pelo que se viu no Mafuá, Rafael Fonteles também não encontrou exatamente uma recepção de festa. O governador foi ao mercado falar em apoio aos pequenos empreendedores, mas saiu tendo de enfrentar uma realidade bem menos confortável: para muitos comerciantes, o problema não é falta de discurso é excesso de imposto.
B. SÁ CLASSIFICA DIVISÃO DOS “BOCA PRETA” EM OEIRAS.
O ex-deputado B. Sá reconheceu, em entrevista à Rádio Meio Norte Oeiras, que o grupo político tradicionalmente identificado como Boca Preta está dividido em duas alas. De um lado, está o grupo de B. Sá, que ele próprio classificou como os “Boca Preta raiz”, ligado a Cidó e aos seus aliados. Do outro, ficou uma parte do grupo que passou a acompanhar seu sobrinho, o ex-prefeito de Oeiras Zé Raimundo. Para definir essa ala, B. Sá recorreu a uma metáfora nada discreta: chamou o grupo de “trepadeira”, por estar, segundo ele, procurando um lugar para se fixar. A declaração expõe a divisão interna de um dos grupos políticos tradicionais de Oeiras e mostra que a disputa familiar e política continua rendendo provocações de lado a lado.
ETURB GANHA NOVA ATRIBUIÇÃO NO TRANSPORTE PÚBLICO, MAS DESAFIO É TRANSFORMAR R$ 886 MIL EM SOLUÇÃO.
A Prefeitura de Teresina decidiu ampliar a atuação da Empresa Teresinense de Desenvolvimento Urbano (ETURB), que passará a participar do acompanhamento técnico do sistema de transporte público coletivo da capital. A mudança foi formalizada por meio de um termo aditivo firmado entre a Secretaria Municipal de Planejamento (Semplan) e a autarquia. O documento foi assinado no dia 21 de agosto e publicado nesta terça-feira (25) no Diário Oficial do Município. Pelo acordo, a ETURB poderá realizar levantamentos, análises e avaliações do sistema, além de produzir documentos técnicos sobre o funcionamento do transporte coletivo. A nova atribuição inclui atividades de diagnóstico, monitoramento e avaliação dos serviços. O valor referencial destinado à nova demanda é de R$ 886.016,60, com execução prevista por meio de contrato. Mais uma despesa ou uma solução? O ponto que merece atenção é justamente o destino desse quase R$ 900 mil. A expectativa é que o dinheiro não represente apenas mais uma despesa incorporada ao já caro sistema de transporte público de Teresina, mas que resulte em soluções concretas para os usuários. A pergunta que fica é: a ETURB terá apenas uma função técnica e consultiva ou terá participação efetiva na implantação e gestão das mudanças que forem apontadas? O termo aditivo, pelo que está descrito, prevê acompanhamento, levantamentos, análises e produção de documentos técnicos mas não deixa claro que a autarquia passará a gerir diretamente o novo sistema de transporte público. E é justamente aí que está o desafio. Teresina não precisa apenas de mais estudos, diagnósticos e relatórios. Precisa de ônibus funcionando, linhas adequadas à demanda, regularidade, fiscalização, eficiência e, principalmente, um transporte que volte a atender o usuário. Que os R$ 886 mil não sejam apenas mais R$ 900 mil de custo para o contribuinte. Que sejam investimento em uma solução.
LULA PERDE FORÇA E JÁ ENFRENTA RISCO DE NÃO VENCER NO PRIMEIRO TURNO.
Lula ainda lidera as pesquisas, mas a eleição já não parece confortável para o presidente. O segundo turno é praticamente o cenário que se desenha; a grande dúvida agora é se Lula conseguirá escapar de uma derrota já no primeiro turno. O Datafolha divulgado nesta semana mostra Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 33%. A vantagem petista caiu quatro pontos desde o levantamento anterior. Ou seja: a distância diminuiu justamente quando a campanha começa a esquentar. E, no meio dessa disputa, Lula ganhou mais um problema político. Nesta terça-feira (25), depois da cerimônia do Dia do Soldado, em Brasília, o presidente foi questionado pelos jornalistas sobre as investigações envolvendo seu filho, Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Não respondeu. Abandonou a entrevista e foi embora. O episódio acontece em um momento delicado para o presidente. As investigações envolvendo Lulinha ganharam espaço no debate eleitoral e já começam a ser exploradas pelos adversários. Lulinha é alvo de três inquéritos da Polícia Federal relacionados a suspeitas de tráfico de influência acusações que ele nega. Lula pode até continuar liderando. Mas liderança não é vitória no primeiro turno. A pergunta que passou a rondar a campanha é simples: Lula tem votos suficientes para liquidar a eleição na primeira rodada ou será surpreendido pela força da oposição? É aí que mora o perigo para o presidente. Porque o segundo turno pode até ser o caminho mais provável, mas Lula não pode mais tratar a vitória no primeiro turno como uma possibilidade segura. E quando o presidente abandona uma entrevista justamente diante de perguntas sobre os escândalos que atingem seu filho e pessoas próximas ao seu governo, o episódio alimenta ainda mais a percepção de que a campanha de Lula entrou em uma zona de pressão.
VALDECI CAVALCANTE DÁ RECADO DURO: BOLSA FAMÍLIA NÃO É DESENVOLVIMENTO.
O empresário Valdeci Cavalcante, presidente da Fecomércio-PI, voltou a fazer críticas ao modelo de desenvolvimento adotado no Piauí. Segundo ele, o Estado continua apresentando uma situação preocupante: o número de pessoas beneficiárias do Bolsa Família seria quase o dobro do contingente de trabalhadores com carteira assinada. Para Valdeci, esse cenário não pode ser apresentado como sinônimo de desenvolvimento. Afinal, desenvolvimento sustentável pressupõe geração de emprego, renda, autonomia e oportunidades para que as pessoas possam viver do próprio trabalho. A crítica é dura, mas merece reflexão. Se um Estado precisa manter um contingente de beneficiários de programas sociais muito superior ao de trabalhadores formalizados, há algo estrutural que precisa ser discutido. Benefício social é fundamental para quem precisa, mas não pode substituir permanentemente emprego e renda. O discurso oficial de desenvolvimento, portanto, precisa ser confrontado com a realidade econômica e social. Um Piauí em que a dependência de benefícios sociais supera amplamente a quantidade de empregos formais corre o risco de transformar assistência em dependência. Como resumiu Valdeci, isso não seria desenvolvimento. E a imagem é ainda mais forte: um Estado que não consegue libertar sua população da dependência permanente de benefícios corre o risco de manter seus cidadãos economicamente escravizado.
EMPRESAS FECHAM NO PIAUÍ ENQUANTO IMPOSTOS PESAM CADA VEZ MAIS SOBRE O EMPREENDEDOR.
Teresina vive um momento que pode ser percebido a olho nu: lojas fechando as portas, estabelecimentos reduzindo operações e trabalhadores perdendo seus empregos. O comércio da capital, especialmente o pequeno e médio varejo, sente os efeitos de uma economia cada vez mais pressionada pelos custos. Exemplos não faltam. Algumas unidades da Drogarias Globo foram fechadas, deixando dezenas de trabalhadores sem emprego. O grupo Pintos, tradicional no comércio piauiense, também encerrou atividades em algumas unidades. No Centro de Teresina, a Marisa fechou sua loja, contribuindo para o esvaziamento comercial da região e deixando trabalhadores desempregados. E não são apenas as grandes marcas. No comércio de bairros, pequenas lojas, muitas delas pouco conhecidas do grande público, também vêm baixando as portas. São empreendedores que não conseguem mais sustentar aluguel, folha de pagamento, fornecedores e uma pesada carga tributária. O ICMS é apontado pelos empresários como um dos principais fatores de pressão. O Piauí trabalha com uma alíquota modal próxima de 22%, uma das mais altas do país, ficando atrás apenas do Maranhão. Para o pequeno empreendedor, a conta é simples: quanto maior o imposto, menor a margem para investir, contratar e sobreviver. O resultado é uma contradição preocupante. Enquanto o discurso oficial fala em desenvolvimento, incentivo ao empreendedorismo e geração de empregos, o que se vê nas ruas de Teresina é comércio fechando, trabalhadores sendo dispensados e pequenos negócios desaparecendo. O Piauí corre o risco de transformar uma das maiores cargas de ICMS do Brasil em uma marca do seu modelo econômico. Porque imposto alto pode aumentar a arrecadação do governo, mas, quando sufoca quem produz, vende e emprega, também pode fechar portas literalmente.
METRÓPOLES APONTA PAGAMENTO MILIONÁRIO E CITA ALIADOS DE JÚLIO CÉSAR.
Uma reportagem publicada pelo site Metrópoles levanta questionamentos sobre pagamentos feitos por uma construtora que mantém contratos milionários com o Governo do Piauí. Segundo o Metrópoles, a Construtora Hidros Ltda., que teria firmado quase R$ 1 bilhão em contratos com o Estado desde 2022, pagou R$ 1.423.450,19, entre 2025 e 2026, a uma empresa chamada WMC Jr Auto Center. Ainda de acordo com a publicação, a empresa seria ligada ao filho de um assessor do deputado federal Júlio César . A reportagem também menciona o deputado estadual Georgiano Neto e relações políticas envolvendo a Secretaria dos Transportes (Setrans). É importante destacar que as informações são do site Metrópoles e não representam, por si só, comprovação de irregularidade por parte dos deputados citados. A reportagem aponta questionamentos e circunstâncias que, segundo o veículo, merecem esclarecimentos. Também não há, a partir do que foi apresentado na publicação, comprovação de que os parlamentares tenham participado ou se beneficiado diretamente dos pagamentos mencionados. O caso, portanto, fica no campo das informações e questionamentos levantados pelo Metrópoles, cabendo aos órgãos competentes apurar os fatos e aos citados apresentar suas versões.
Silas Freire