Embora Rafael Fonteles apareça na liderança, com 56% das intenções de voto contra 21% de Joel Rodrigues, a pesquisa Datafolha trouxe elementos que passaram a ser considerados com atenção pela campanha governista. A diferença é de 35 pontos percentuais, mas o volume de eleitores que ainda não definiu o voto ganha peso na análise. Em uma pesquisa estimulada, o percentual de indecisos se aproxima dos 30%, grupo que pode alterar o cenário ao longo da campanha. O resultado também apresenta diferenças em relação a levantamentos de institutos locais, que vêm apontando uma vantagem maior para Rafael e um percentual menor de eleitores indecisos. A metodologia e o histórico do Datafolha fizeram com que os números recebessem atenção especial dentro da campanha. Com o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, os candidatos terão uma nova oportunidade para ampliar a exposição e conquistar eleitores que ainda não definiram o voto. Nesse cenário, o segundo turno permanece como possibilidade matemática da disputa. Rafael comemorou publicamente o resultado nas redes sociais e destacou a liderança apontada pelo Datafolha. A campanha também passou a avaliar os números e os temas que podem influenciar o eleitor durante o período de propaganda. O resultado, portanto, não representa apenas uma fotografia da liderança atual. O percentual de eleitores ainda indecisos abre espaço para mudanças até a eleição e coloca a disputa pelo primeiro turno como um dos principais pontos da campanha.
RACHA NA FAMÍLIA FERREIRA EXPÕE APOIO DIVIDIDO NA ELEIÇÃO EM SÃO RAIMUNDO NONATO.
A eleição de 2026 já começa a revelar divergências dentro de grupos tradicionais da política de São Raimundo Nonato. A família Ferreira, historicamente ligada à oposição ao PT, aparece agora dividida em relação aos palanques que pretende apoiar.O ex-prefeito Avelar Ferreira e a atual vice-prefeita Rosa Amélia Ferreira estão alinhados ao governador Rafael Fonteles (PT). Avelar, inclusive, é pré-candidato a deputado estadual pela base governista. Já o advogado Valmir Filho, filho de Rosa Amélia e sobrinho de Avelar, declarou apoio ao candidato de oposição Joel Rodrigues (Progressistas) e ao senador Ciro Nogueira. No último sábado (22), durante a passagem de Joel por São Raimundo Nonato, Valmir fez questão de recepcionar publicamente o candidato, deixando clara sua posição na disputa. Valmir já disputou a Prefeitura de São Raimundo Nonato em 2008. A manifestação pública reforça a divisão dentro da família, que passou a ocupar palanques diferentes na eleição de 2026.
DEBATE DA BAND TEM RENAN SANTOS COMO PROTAGONISTA NA AUSÊNCIA DE LULA E FLÁVIO.
O debate presidencial da Band, realizado neste domingo (23), ganhou um protagonista inesperado diante da ausência de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), dois dos principais nomes da disputa. Renan Santos aproveitou o espaço para fazer do presidente Lula seu principal alvo. Em ataques diretos, criticou o petista e utilizou termos como “ladrão” e “alcoólatra”. O candidato também voltou a criticar a Record após ter sido retirado da sabatina promovida pela emissora nesta semana. Flávio Bolsonaro também foi citado por Renan, mas recebeu ataques em intensidade bem menor. A postura reforçou a percepção de que o candidato do Movimento Brasil Livre busca disputar um eleitorado mais identificado com a direita, especialmente entre os jovens. O comportamento de Renan no debate também alimentou uma avaliação sobre o destino de seu eleitorado em um eventual segundo turno. Caso fique fora da disputa, uma parcela desses votos poderia se aproximar de Flávio Bolsonaro, especialmente entre eleitores mais jovens. Ronaldo Caiado (PSD) adotou uma postura voltada à segurança pública, área que tenta consolidar como uma de suas principais bandeiras eleitorais. Augusto Cury, por sua vez, apresentou um discurso marcado por pautas e argumentos mais próximos do campo progressista, diferenciando sua participação dos demais candidatos. Com Lula e Flávio fora do estúdio, Renan Santos ocupou espaço central no debate e transformou a ausência dos dois adversários em oportunidade para reforçar seu discurso contra o presidente e se posicionar no campo da direita.
PORTO DE LUÍS CORREIA VIRA FOCO DA ESTRATÉGIA DE COMUNICAÇÃO DE RAFAEL APÓS DATAFOLHA.
O resultado do Datafolha levou a campanha do governador Rafael Fonteles a reforçar a comunicação em torno de um tema considerado sensível: a operação do Porto de Luís Correia. A estratégia ganhou força no fim de semana, quando Rafael esteve no litoral ao lado dos candidatos ao Senado de sua base, Marcelo Castro e Júlio César. A agenda serviu também para mostrar a movimentação relacionada ao embarque de minério e a chegada de um novo navio. A operação do porto passou a ocupar espaço maior na comunicação do governo justamente em um momento em que a pesquisa Datafolha aponta cerca de 30% do eleitorado ainda sem voto definido. A avaliação é que mostrar o funcionamento da estrutura pode ajudar a tornar mais concreta para o eleitor uma das principais obras apresentadas pela gestão. Além da questão administrativa, a presença de Marcelo Castro e Júlio César teve um componente eleitoral. Os dois disputam a segunda vaga ao Senado dentro da base governista, enquanto Ciro Nogueira aparece na liderança da corrida. No segundo voto, entretanto, Júlio César apresenta vantagem sobre Marcelo Castro, tornando a disputa interna ainda mais relevante para a composição do palanque governista. A movimentação em Luís Correia, portanto, reúne duas estratégias: reforçar a imagem do porto como uma estrutura em funcionamento e dar visibilidade aos dois candidatos ao Senado apoiados pelo governador. O governo aposta agora em uma comunicação mais visual, mostrando navios, embarques e a movimentação da estrutura portuária. A intenção é apresentar ao eleitor resultados concretos de uma obra que ocupa espaço importante no discurso da gestão. Com o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, o Porto de Luís Correia deve ganhar ainda mais espaço na comunicação da campanha.
OPOSIÇÃO APOSTA EM JOEL MAIS CONHECIDO E LÚCIA SANTOS NA SAÚDE PARA MUDAR CENÁRIO.
A leitura da oposição sobre a pesquisa Datafolha passa por dois movimentos que podem mudar o cenário da eleição para o Governo do Piauí: tornar Joel Rodrigues mais conhecido e fazer Lúcia Santos crescer em uma área extremamente sensível para o eleitor, a saúde. No caso de Joel, a avaliação dos oposicionistas é que parte da rejeição pode estar relacionada justamente ao desconhecimento do candidato. O ex-prefeito de Floriano ainda não é conhecido por uma parcela significativa do eleitorado piauiense e, por isso, muitos eleitores ainda não têm uma opinião consolidada sobre sua candidatura. A aposta da oposição é que a propaganda eleitoral, as inserções e os debates possam ampliar o nível de conhecimento de Joel Rodrigues e transformar esse desconhecimento em voto. Já Lúcia Santos aparece como uma variável diferente. Médica, presidente do Sindicato dos Médicos e candidata pelo PSDB, ela pretende concentrar sua campanha em uma das áreas mais sensíveis da administração pública: a saúde. É justamente nesse ponto que os oposicionistas enxergam uma oportunidade de crescimento. A saúde pública envolve diretamente sofrimento, filas, regulação, atendimento hospitalar e vidas. Para a oposição, qualquer dificuldade enfrentada pelo governo nessa área pode ganhar grande repercussão durante a campanha. O discurso de Lúcia deverá explorar também episódios envolvendo a gestão da saúde no Estado, entre eles investigações da Polícia Federal relacionadas a contratos e suspeitas de irregularidades. Um dos casos citados pelos adversários envolve uma investigação sobre aproximadamente R$ 66 milhões. A situação dos hospitais regionais e, principalmente, os problemas relacionados à regulação também devem entrar no discurso da candidata. A expectativa entre os oposicionistas é que Lúcia consiga, durante a propaganda eleitoral e os debates, transformar a saúde em uma bandeira eleitoral capaz de alcançar justamente o enorme contingente de eleitores que ainda não decidiu o voto. O PSDB não terá o mesmo espaço de televisão das maiores forças políticas, mas a estratégia será compensar o menor tempo com inserções, discurso direto e exposição nos debates. É justamente esse movimento que entra no radar do marketing do governo. O temor da situação, segundo a leitura dos bastidores, tem dois nomes: Joel Rodrigues e Lúcia Santos. Joel precisa se tornar conhecido por uma parcela maior do eleitorado. Lúcia precisa conseguir transformar sua atuação na saúde em uma candidatura competitiva. Se os dois movimentos acontecerem simultaneamente, parte dos quase 30% de eleitores ainda indecisos apontados pelo Datafolha pode ser disputada pela oposição. A eleição, portanto, pode entrar em uma nova fase a partir desta semana. Para a oposição, o desafio é direto: fazer Joel ser conhecido e fazer Lúcia aparecer. Para o governo, o receio é que os dois consigam ocupar o espaço deixado pelos indecisos e que a propaganda eleitoral transforme uma liderança confortável de Rafael Fonteles em uma disputa de segundo turno. O Datafolha não mostrou apenas quem está na frente. Mostrou também onde existe espaço para uma mudança de cenário.
ANA PAULA MOSTRA FORÇA EM TERESINA E REFORÇA PROJETO DE REELEIÇÃO.
A deputada estadual Ana Paula, do MDB, fez um lançamento de campanha apoteótico no último fim de semana, em um clube de Teresina, e mostrou força política justamente no momento em que seu nome vinha sendo citado nos bastidores entre as parlamentares veteranas que poderiam enfrentar dificuldades para renovar o mandato. O evento reuniu, segundo a organização, cerca de 15 mil pessoas e contou inclusive com a presença do governador Rafael Fonteles. Mais do que um ato de campanha, a mobilização foi interpretada por aliados e observadores como uma demonstração da densidade eleitoral da deputada na capital e na região da Grande Teresina. Ana Paula vinha enfrentando questionamentos sobre a capacidade de manter algumas lideranças no entorno da capital. O evento, porém, apresentou uma fotografia diferente: uma grande mobilização de militantes e apoiadores, com forte presença de eleitores de Teresina e municípios próximos. A deputada também contou com a articulação de vereadores ligados ao seu grupo, entre eles Juca e seu filho, vereador de Teresina, que ajudaram na mobilização do público. O tamanho do evento muda, pelo menos neste momento, a leitura sobre a situação eleitoral de Ana Paula. A tese de que ela estaria entre as veteranas da Assembleia Legislativa com risco de não renovar o mandato perde força diante da capacidade demonstrada de mobilização. Claro que evento político não se transforma automaticamente em voto. Mas, em uma eleição proporcional, capacidade de mobilização, presença territorial e demonstração pública de força são sinais importantes para medir a temperatura de uma candidatura. Ana Paula mostrou que está no jogo e que pretende disputar até o último voto a renovação do mandato. Os movimentos de campanha começam, assim, a redesenhar o mapa da Assembleia Legislativa do Piauí. Candidatos que pareciam ameaçados ganham fôlego, enquanto outros que apareciam confortáveis começam a ser pressionados. O evento de Ana Paula foi, portanto, mais do que um lançamento de campanha: foi uma demonstração de força e um recado para quem já colocava seu mandato em risco.
Silas Freire