Em plena crise de abastecimento de água no Piauí, uma conta gigantesca precisa ser aberta para a população: onde foram parar os quase R$ 900 milhões aportados na Agespisa entre 2023 e 2025 Levantamento feito a partir de dados do Portal da Transparência aponta R$ 898,6 milhões em aportes de capital à Agespisa nesse período. Mais de R$ 740 milhões teriam como fonte operações de crédito. É dinheiro demais para que o piauiense, hoje convivendo com torneiras secas, não saiba exatamente onde, como e com quais resultados esses recursos foram aplicados. Nesse período, a Agespisa realizou contratos para ampliação de redes, manutenção e intervenções nos sistemas de abastecimento. Entre as empresas que aparecem com destaque está a Construtora Caxé Ltda., de Gustavo Macedo Costa, presente em diferentes contratos relacionados à infraestrutura de água. Um caso merece atenção especial: o Contrato 84/2023, firmado com a Caxé para serviços continuados de manutenção preditiva, preventiva e corretiva, monitoramento e operação, incluindo mão de obra, materiais, máquinas, equipamentos, peças e componentes destinados à estrutura da Agespisa. E houve aditivo. O contrato, inicialmente na casa dos R$ 6,7 milhões, recebeu acréscimo de aproximadamente 25%, chegando a cerca de R$ 8,39 milhões. O aditivo existe, está documentado e, por si só, não representa irregularidade. Mas precisa ser explicado e, principalmente, confrontado com a execução dos serviços. Onde esses milhões foram aplicados? Quais serviços a Caxé realizou? Onde foram feitos? Foram concluídos? Foram medidos e fiscalizados? O que ficou funcionando depois da intervenção? A mesma transparência precisa valer para os demais contratos e aditivos da Agespisa naquele período. A Caxé é apenas um dos exemplos que precisam entrar nesse pente-fino. A investigação deve identificar quais foram as grandes construtoras beneficiárias dos contratos da Agespisa, quanto cada uma recebeu, quanto foi acrescentado por aditivos e o que efetivamente entregaram. Não se trata de acusar previamente qualquer empresa de irregularidade. Trata-se de uma cobrança elementar diante da dimensão dos recursos públicos envolvidos. Se quase R$ 900 milhões foram colocados na Agespisa e milhões foram contratados para manutenção, ampliação e intervenção nos sistemas, o piauiense tem direito de conhecer o resultado. Agora que falta água em tantos lugares, não basta discutir somente a responsabilidade da atual concessionária. É preciso abrir também o passado recente da Agespisa. Cadê os quase R$ 900 milhões? Quem recebeu? Quanto recebeu? Cadê as obras e os serviços? E o que, de fato, ficou pronto e funcionando para o povo do Piauí?
SEDE AMEAÇA ELEIÇÃO DE RAFAEL NO 1º TURNO E LEVA KARNAK A REUNIÃO DE EMERGÊNCIA.
A crise da água acendeu o sinal vermelho na campanha do governador Rafael Fonteles. Segundo informações de bastidores, Rafael realizou na noite desta segunda-feira uma reunião de emergência com integrantes do marketing e da coordenação de campanha para avaliar o desgaste provocado pela falta d’água em várias regiões do Piauí. No núcleo governista, haveria preocupação de que a revolta com a crise hídrica, somada à percepção de falta de cobrança mais firme do Governo do Estado sobre a Águas do Piauí, possa atingir justamente os eleitores ainda indecisos ou aqueles que não revelam sua verdadeira preferência nas pesquisas. O temor é eleitoral: um problema que chega diariamente à casa do piauiense pode empurrar a eleição para o segundo turno e transformar uma disputa considerada pelo governo como praticamente resolvida em uma eleição de resultado imprevisível. A ordem agora seria reagir. Washington Bonfim e o secretário Samuel teriam sido mobilizados para uma reunião com a Águas do Piauí, buscando respostas e providências para o abastecimento. Mas surge um dilema dentro do próprio governo: até onde o Karnak pode atacar publicamente a Águas do Piauí? A estratégia seria aumentar o tom contra a concessionária e mostrar à população que o governo está cobrando uma solução. O fato é que a água virou assunto eleitoral. A sede do piauiense ameaça molhar o favoritismo de Rafael Fonteles e levar para o segundo turno uma eleição que o Karnak tratava como favas contadas.
“INSENSÍVEL”: JOEL DETONA RAFAEL E DIZ QUE GOVERNADOR IGNORA O SOFRIMENTO DE QUEM ESTÁ SEM ÁGUA.
O candidato ao Governo do Piauí, Joel Rodrigues, subiu o tom contra o governador Rafael Fonteles diante da crise de abastecimento de água que atinge diferentes regiões do estado. Em manifestação publicada ontem nas redes sociais, Joel classificou Rafael como “insensível” e afirmou que sua crítica ultrapassa a própria disputa eleitoral. Segundo ele, o governador percorre municípios em campanha, conhece de perto as reclamações sobre falta d’água e o sofrimento das famílias, mas não estaria reagindo à altura do problema. Joel disse que, nesse episódio, não enxerga Rafael apenas como adversário político, mas como “uma pessoa insensível” diante da situação enfrentada pela população. O oposicionista terminou deixando um recado diretamente aos piauienses: que a própria população julgue nas urnas a postura e a “insensibilidade” que ele atribui ao governador Rafael Fonteles diante da falta d’água. A crise hídrica, que começou nas torneiras, ganha cada vez mais força também no centro da campanha eleitoral.
CIRO SE CONSOLIDA NA LIDERANÇA E MARCELO VÊ JÚLIO CÉSAR NO RETROVISOR. .
A nova pesquisa do Instituto Opinar, divulgada nesta terça-feira (15) pela Rádio Teresina FM, confirma Ciro Nogueira (Progressistas) na liderança da corrida pelas duas vagas do Piauí ao Senado. No cenário estimulado, Ciro aparece com 35,7%, seguido por Marcelo Castro (MDB), com 31,3%. Júlio César (PSD) ocupa a terceira posição, com 19,2%. Mais atrás aparecem Tiago Junqueira (PL), com 5,7%, e Antônio José Lira (Avante), com 2%. O levantamento mostra Ciro 4,4 pontos à frente de Marcelo, enquanto a disputa pela segunda cadeira permanece como ponto de atenção da eleição. Júlio César tenta encurtar a distância para o emedebista nesta reta final. A pesquisa ouviu eleitores de todo o Piauí entre os dias 5 e 8 de setembro, tem margem de erro de 2 pontos percentuais e está registrada no TRE-PI sob o número PI-02866/2026. A fotografia do Opinar é clara: Ciro lidera a corrida, enquanto Marcelo Castro precisa continuar olhando para Júlio César no retrovisor.
RAFAEL SE IRRITA COM PERGUNTA NA TV CLUBE E BASTIDORES GERAM APREENSÃO SOBRE FUTURO DE JORNALISTA.
O governador Rafael Fonteles não conseguiu esconder a irritação durante a sabatina da TV Clube ao ser questionado pelo jornalista Marcos Teixeira sobre o projeto de hidrogênio no Piauí. O jornalista citou avaliações de especialistas que colocam em dúvida as perspectivas do projeto, e a reação do governador chamou atenção no ar. Visivelmente contrariado, Rafael rebateu o questionamento e chegou a contestar os especialistas nos quais Marcos Teixeira teria se baseado. A resposta e o tom adotado pelo governador expuseram um momento de tensão diante de uma pergunta que fugiu do terreno confortável da entrevista. Nos bastidores, segundo relatos que circulam no meio jornalístico, o incômodo teria continuado após a sabatina, inclusive junto à direção e à coordenação de jornalismo da emissora. A situação já provoca apreensão entre profissionais da imprensa sobre uma possível pressão contra Marcos Teixeira. Até o momento, porém, não há confirmação pública de qualquer pedido do governo pela demissão ou afastamento do jornalista. O episódio reacende críticas sobre a relação do Palácio de Karnak com profissionais de comunicação que fazem questionamentos incômodos. Casos anteriores de afastamentos e mudanças envolvendo jornalistas e veículos já alimentaram acusações de interferência política acusações que, quando não comprovadas, precisam ser tratadas como tais. A pergunta agora corre nos bastidores: Marcos Teixeira sofrerá alguma consequência simplesmente por ter feito uma pergunta que desagradou ao governador? A resposta deverá ser dada pelos próximos acontecimentos.
STF CHEGA À TERÇA-FEIRA SOB TENSÃO MÁXIMA.
O Supremo Tribunal Federal chega nesta terça-feira (15) a uma das sessões mais delicadas de sua história recente. Às 10h, o plenário se reúne para analisar o caso envolvendo as mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e decidir os caminhos de uma eventual investigação contra um integrante da própria Corte. A expectativa em Brasília é enorme. O presidente do STF, Edson Fachin, resistiu às pressões pelo adiamento e manteve a sessão. Gilmar Mendes chegou a defender que o julgamento fosse postergado e que a situação de André Mendonça fosse examinada conjuntamente, mas Fachin separou os casos: Moraes nesta terça e Mendonça, em princípio, no dia 23. A sessão será pública e transmitida ao vivo. Pelo rito divulgado nesta segunda-feira, depois das formalidades iniciais, André Mendonça fará a leitura do relatório, a Procuradoria-Geral da República poderá se manifestar e, em seguida, começa a deliberação dos ministros. Ainda existem incógnitas importantes. O STF não confirmou se Alexandre de Moraes participará da sessão, e a participação de Dias Toffoli também é incerta. Além disso, um pedido de vista de qualquer ministro pode interromper o julgamento e empurrar uma definição para mais adiante. A terça-feira, portanto, promete ser decisiva não apenas para Moraes. Depois de uma semana marcada por decisões conflitantes, suspensão de sessões e divergências públicas entre ministros, estará em jogo também a capacidade do próprio Supremo de administrar uma crise que saiu dos bastidores e chegou ao plenário. Brasília estará de olhos voltados para o STF. A pergunta é se a terça-feira encerrará a crise ou abrirá um capítulo ainda mais grave dentro da própria Corte.
ALERTA A TETÉ: CUIDE DE MARCO AURÉLIO, MAS NÃO ESQUEÇA SUA VOLTA À ASSEMBLEIA.
Um sinal de preocupação começou a surgir entre aliados mais próximos do vice-governador Themístocles Filho. Político experiente, dono de colégios eleitorais tradicionais e com décadas de atuação parlamentar, Teté, como é chamado pelos amigos, planeja retornar à Assembleia Legislativa depois de sua passagem pela Vice-Governadoria. O problema, segundo os bastidores, é que Themístocles estaria dedicando grande parte de sua energia eleitoral à tentativa de garantir a eleição do filho, Marco Aurélio Sampaio, para a Câmara Federal. A eventual perda da cadeira de Marco Aurélio seria um golpe importante para o grupo político da família, e isso explicaria a dedicação do vice-governador à campanha do filho. Só que alguns aliados começaram a fazer as contas e perceberam que a própria candidatura de Themístocles à Assembleia também precisa de atenção. Mesmo com sua experiência e suas bases históricas, eleição não se ganha apenas com currículo. Por isso, amigos próximos já teriam feito uma advertência ao vice-governador: “Teté, cuide de Marco Aurélio, mas não descuide da sua volta à Assembleia.” Depois de cerca de três décadas ocupando cadeira na Alepi e de uma passagem pela Vice-Governadoria, Themístocles quer voltar para a Casa que conhece como poucos. O alerta dos aliados é simples: enquanto trabalha para salvar a cadeira federal do filho, precisa também garantir a sua.
PREOCUPAÇÃO NA OPOSIÇÃO: CADÊ OS VOTOS DE PETRUS EVELYN?
A vinte dias da eleição, uma preocupação começa a rondar as contas da oposição para a Assembleia Legislativa: Petrus Evelyn ainda será o puxador de votos que todos esperavam? Vereador bem votado em Teresina e com forte apelo nas redes sociais, Petrus entrou na disputa estadual carregando a expectativa de uma votação expressiva. Nas projeções mais otimistas, seu desempenho ajudaria a chapa de oposição a sonhar até com cinco cadeiras na Assembleia Legislativa. Agora, porém, o sinal amarelo acendeu. Mesmo reconhecendo que pesquisas espontâneas para deputado estadual têm dificuldade para retratar uma eleição proporcional, contadores de votos observam que Petrus ainda não aparece com a frequência esperada nas citações espontâneas. A preocupação aumenta porque outros candidatos da própria oposição, como Trabulo Neto e Pedro Alcântara, estariam aparecendo mais citados nos levantamentos acompanhados pelo grupo. E há um detalhe importante: a grande aposta em Petrus sempre foi justamente no voto espontâneo e no eleitorado mobilizado pelas redes sociais. Por isso, nesta altura da campanha, esperava-se que seu nome já estivesse aparecendo com muito mais força. Nos bastidores, as projeções começam a ser refeitas. Quem antes colocava Petrus como possível puxador da chapa já admite que ele pode não entregar a votação esperada e até ficar fora do grupo dos prováveis eleitos. Faltam vinte dias e muita coisa ainda pode mudar. Mas a pergunta já inquieta a oposição:
Silas Freire