A delação do banqueiro Daniel Vorcaro estaria longe de produzir o impacto político inicialmente esperado nos bastidores de Brasília. Informações que circulam entre investigadores apontam que o material apresentado até agora teria frustrado setores da Polícia Federal e integrantes do meio jurídico por não trazer fatos considerados explosivos. Nos bastidores, comenta-se que a PF avalia aumentar a pressão sobre Vorcaro, inclusive com a possibilidade de retorno ao sistema penitenciário da Papuda, diante da avaliação de que os relatos apresentados não alcançaram personagens políticos aguardados por parte da investigação. Outro ponto que chamou atenção foi a ausência do nome do senador Ciro Nogueira entre os principais citados. Segundo interlocutores em Brasília, as referências presentes nas conversas e tratativas atribuídas à colaboração acabariam atingindo mais nomes ligados à esquerda e operadores próximos do governo federal. A expectativa criada em torno da delação era de uma verdadeira “bomba” política. Porém, entre investigadores e operadores do Direito, a avaliação reservada é que o material estaria mais próximo de um “traque”, sem força suficiente para provocar grandes abalos no cenário nacional.
Defesa de Ciro Nogueira nega favorecimento financeiro e diz que senador abriu sigilo bancário à PF.
O senador Ciro Nogueira voltou a negar qualquer tipo de favorecimento financeiro no âmbito das investigações da chamada Operação Master, conduzida pela Polícia Federal. Por meio de sua defesa, o parlamentar reafirmou que jamais recebeu benefícios ilícitos e destacou que tomou a iniciativa de quebrar o próprio sigilo bancário para colaborar com os esclarecimentos. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou que as suspeitas apresentadas até o momento seriam baseadas apenas em hipóteses indiretas de relações comerciais entre empresas que, eventualmente, poderiam ter ligação com empresários investigados. Segundo a defesa, não há qualquer comprovação concreta que vincule o senador a irregularidades financeiras. Ainda de acordo com os advogados, o máximo que existe são especulações sobre possíveis relações comerciais entre empresas distintas, sem confirmação de qualquer benefício ao parlamentar. A defesa sustenta que não há provas contra Ciro Nogueira e reforça que ele “nunca foi beneficiado” por qualquer esquema investigado pela Polícia Federal.
Operação Banco Master volta a expor cobranças sobre investigações da PF no Piauí.
A repercussão nacional das investigações envolvendo o Banco Master voltou a provocar debates nas redes sociais sobre operações da Polícia Federal que tiveram grande impacto inicial, mas acabaram sem desdobramentos públicos relevantes no Piauí. Entre os casos mais citados está a Operação Omini, que teve como um dos alvos o médico Bruno Santos, amigo próximo do governador Rafael Fonteles. À época da operação, a própria Polícia Federal informou suspeitas de um prejuízo estimado em cerca de R$ 66 milhões aos cofres públicos. Após prisões e forte repercussão política, críticos afirmam que o caso perdeu força e deixou de apresentar novos resultados concretos divulgados publicamente. Nas redes sociais e nos bastidores da política local, cresce a cobrança para que operações de grande impacto tenham continuidade até a conclusão dos processos e eventual responsabilização dos envolvidos. A preocupação levantada por setores da oposição é que ações policiais de ampla repercussão acabem gerando desgaste político momentâneo, mas sem apresentar desfechos definitivos à sociedade. Já aliados do governo argumentam que investigações seguem os trâmites legais e dependem do andamento da Justiça e do Ministério Público.
Sem salário público desde março, cotado para vice de Rafael constrói mansão de R$ 7 milhões no Alphaville.
O ex-secretário Washington Bandeira, que primeiro largou a torga pra ser secretário e e depois deixou o cargo para disputar as eleições deste ano, virou assunto nos bastidores políticos por estar, segundo fontes, finalizando uma mansão avaliada em cerca de R$ 7 milhões no condomínio Alphaville Teresina. Informacoes obtidas pela coluna, Washington Bandeira está sem função pública desde março, quando se desincompatibilizou do governo para ficar apto à disputa eleitoral. Mesmo fora da estrutura estatal, aliados afirmam que ele não teria se desfeito de imóveis ou patrimônios já declarados anteriormente. Nos bastidores, o avanço da obra e o padrão elevado da residência têm provocado comentários até mesmo entre condôminos e no meio político, especialmente diante do fato de o ex-secretário estar oficialmente sem cargo remunerado nos últimos meses. Aliados do governo evitam comentar o assunto, mas opositores têm usado o episódio para reforçar críticas sobre o padrão de vida de integrantes da gestão estadual. A situação já é tratada em tom de ironia nos corredores da política local, onde adversários resumem o caso como “uma verdadeira mágica”.
Governo arrecada R$ 33 milhões com ICMS da energia solar, mas já gastou R$ 56 milhões com publicidade em quatro meses.
A cobrança do ICMS sobre o excedente da energia solar no Piauí voltou ao centro do debate político após críticas de consumidores e empresários do setor. Caso o governador Rafael Fonteles decidisse acabar com a cobrança, o Estado deixaria de arrecadar cerca de R$ 33 milhões por ano. O tema ganhou ainda mais repercussão diante dos números relacionados aos gastos com publicidade institucional. Dados levantados por setores da oposição apontam que o governo estadual já teria desembolsado aproximadamente R$ 56 milhões apenas nos quatro primeiros meses do ano com campanhas publicitárias e contratos ligados à comunicação. Os valores destinados à propaganda superam com folga o impacto financeiro da retirada do imposto sobre a energia solar, defendendo que o governo poderia aliviar o bolso dos consumidores sem comprometer significativamente as contas públicas. Nos bastidores políticos, adversários do Palácio de Karnak têm acusado a administração estadual de priorizar investimentos em divulgação institucional e na relação com grandes grupos de comunicação, enquanto mantém cobranças consideradas pesadas para a população e para o setor produtivo. O governo estadual, por outro lado, argumenta que os investimentos em publicidade são necessários para divulgação de ações institucionais e campanhas de interesse público, enquanto a arrecadação do ICMS integra a composição fiscal do Estado.
Silas Freire