Rafael Fonteles ganhou espaço na imprensa nacional como um dos principais cotados para o Ministério da Fazenda. A formação em Matemática, o perfil jovem e a imagem de petista moderado ajudam a explicar a simpatia de parte do mercado financeiro pelo governador. A escolha, porém, ainda não está definida. A projeção nacional também coloca uma cobrança sobre a mesa: confrontar a imagem positiva apresentada fora do Piauí com os resultados da administração estadual, inclusive o peso dos empréstimos e a capacidade de pagamento dessas obrigações. Prestígio político precisa vir acompanhado de contas sustentáveis. Nesse cenário, a Casa Civil poderia representar uma alternativa politicamente mais atraente, mas a preferência de Rafael pela pasta não está confirmada. E a concorrência é pesada: Camilo Santana aparece nas articulações como favorito para comandar o ministério. Publicamente, Fonteles afirmou que não tratou de cargos com Lula. Na Fazenda, o desafio seria enfrentar a pressão por ajuste fiscal e recuperar a confiança na condução da economia. A comunicação pode abrir as portas do ministério; para permanecer, Rafael teria de entregar resultados. Na economia nacional, uma apresentação convincente não substitui dinheiro em caixa.
PT E MDB INICIAM DISPUTA PELA ALEPI DE OLHO NA PREFEITURA DE TERESINA.
A disputa pela presidência da Assembleia Legislativa do Piauí já movimenta os bastidores entre MDB e PT. O emedebismo defende ficar com o primeiro biênio da próxima legislatura, mantendo Severo Eulálio no comando da Casa. O cálculo vai além do Legislativo: a presidência daria a Severo uma vitrine importante para uma eventual candidatura à Prefeitura de Teresina. Segundo informações de bastidores, setores do PT resistem a esse desenho e pretendem cobrar do governador Rafael Fonteles o cumprimento do acordo de alternância entre as duas maiores bancadas. Os petistas querem espaço para construir uma candidatura própria na capital, independentemente dos planos do MDB. A avaliação desses setores é que permitir a permanência de Severo na presidência significaria dar vantagem a um possível concorrente na disputa municipal. Passada a ressaca das comemorações eleitorais, a pressão deverá chegar ao governador. A sucessão na Alepi promete colocar à prova a unidade entre os aliados.
CHICO LUCAS TEM APOIO TÉCNICO, MAS PESO POLÍTICO DE DINO PODE BARRAR MINISTÉRIO.
O nome de Chico Lucas ganhou espaço na mídia nacional como opção para um futuro Ministério da Segurança Pública. Mas, na avaliação de bastidores trazida à coluna, o apoio técnico ao piauiense encontraria resistência na composição política do governo. Nessa leitura, setores do PT e do governo defenderiam que Flávio Dino deixe o STF para assumir a nova pasta. A intenção seria colocar um nome de projeção nacional à frente de uma das maiores fragilidades políticas da esquerda: a segurança pública. Com o desmembramento do Ministério da Justiça, Dino teria uma estrutura própria para comandar essa agenda e tentar melhorar a imagem do governo na área. Se essa articulação avançar, as chances de Chico Lucas diminuem consideravelmente. Há ainda outra dificuldade na matemática política: caso Rafael Fonteles também assuma um ministério, o Piauí precisaria emplacar dois nomes no primeiro escalão um pela força política, outro pelo perfil técnico. Não é impossível, mas é difícil. Apoio técnico ajuda a colocar um nome na disputa; a decisão passa pelo peso político.
NORDESTE PERDE FÁBRICAS, E GOVERNANTES DEVEM EXPLICAÇÕES.
A Dexco, dona da Deca, anunciou o encerramento da produção de louças sanitárias em Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. Parte da produção será absorvida pela unidade de Jundiaí, em São Paulo. É o segundo fechamento da companhia nesse segmento no Nordeste, após a desativação da fábrica de João Pessoa, anunciada em julho de 2025. A empresa promete benefícios adicionais e apoio à recolocação dos trabalhadores, mas não informou quantos serão atingidos nem a data de encerramento das atividades. A justificativa apresentada é aumentar a eficiência e a rentabilidade. O episódio cobra uma resposta dos governos estaduais e federal: o que está sendo feito para manter indústrias e empregos no Nordeste? Benefícios aos demitidos são importantes, mas não substituem o salário mensal. Uma região que tanto pesa nas urnas precisa também pesar nas decisões sobre investimento, produção e oportunidades.
COM MEDO DE SER PRESO, FLÁVIO BOLSONARO E PL RECUAM SOBRE URNAS E MUDAM DISCURSO CONTRA LULA.
Flávio Bolsonaro e o PL recuaram da tentativa de contestar o resultado eleitoral com base na prorrogação da votação. Depois da reação inicial do candidato, o partido reconheceu oficialmente a vitória de Lula, enquanto Flávio passou a defender a organização da oposição no Congresso. A disputa judicial deverá se concentrar em acusações de abuso de poder político e econômico e disseminação de notícias falsas pela campanha adversária. São denúncias que precisarão ser demonstradas à Justiça Eleitoral, sem contestação ao funcionamento das urnas. A mudança de estratégia ocorreu após aconselhamento de dirigentes e aliados. No mesmo dia, Flávio recebeu ordem para entregar seus passaportes e ficou proibido de deixar o país. A proximidade dos acontecimentos, porém, não comprova que a medida tenha provocado o recuo eleitoral. Politicamente, o discurso agora é de oposição firme ao PT. A comparação com o segundo mandato de Dilma pode alimentar as expectativas dos adversários, mas prever que Lula não concluirá o governo é aposta política. Por enquanto, o movimento concreto foi o recuo na contestação eleitoral e a preparação para o enfrentamento no Congresso.
MERCADO ENTRA EM PÂNICO, BOLSA DESPENCA E DÓLAR DISPARA APÓS REELEIÇÃO DE LULA.
A reeleição de Lula provocou uma reação severa no mercado financeiro nesta segunda-feira (26). O Ibovespa despencou 13,88%, enquanto o dólar subiu 8,21%, encerrando o dia próximo de R$ 5,40. A Bolsa chegou a interromper as negociações diante da intensidade das perdas. O resultado contrariou as apostas de investidores na vitória de Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, cresceram os receios sobre expansão de gastos, endividamento público e a capacidade do próximo governo de conciliar promessas eleitorais com equilíbrio fiscal. O mercado cobra sinais concretos de como essa conta será paga. No crédito imobiliário, o Portal Publicidade Imobiliária informou que o Bradesco elevou taxas para até 18,5% ao ano, citando comunicado enviado a parceiros. A informação, porém, não permite atribuir automaticamente o reajuste ao resultado eleitoral. O alerta ultrapassa a Bolsa: dólar pressionado e juros elevados podem encarecer produtos, dificultar financiamentos e frear investimentos. Lula sai das urnas vitorioso, mas encontra um mercado assustado e uma cobrança imediata por responsabilidade com o dinheiro público.
QUEM PAGA A CONTA? PIAUÍ PRECISA DE MAIS EMPREGO E MENOS DEPENDÊNCIA.
O Piauí registrava, em fevereiro de 2026, 546.474 famílias atendidas pelo Bolsa Família e 383.137 empregos com carteira assinada. Embora sejam medidas diferentes, os números mostram a dimensão do desafio social e econômico do estado. Programas sociais são necessários, mas precisam vir acompanhados de oportunidades para que as famílias conquistem renda própria. Quem trabalha e paga impostos tem razão em cobrar dos governos uma economia capaz de gerar emprego, valorizar o esforço e reduzir a necessidade de auxílio. Essa conta é financiada pela arrecadação pública, que também inclui os impostos sobre o consumo pagos pelos próprios beneficiários. A cobrança central permanece: até quando os governantes vão celebrar o alcance dos benefícios sem entregar oportunidades suficientes para que menos famílias precisem deles?
TRUMP QUESTIONA ELEIÇÃO BRASILEIRA: “PARECEU OUTRA ELEIÇÃO FRAUDADA”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou nesta segunda-feira (26) a eleição presidencial brasileira vencida por Luiz Inácio Lula da Silva. Em conversa com jornalistas, o americano sugeriu que houve fraude, mas não apresentou evidências para sustentar a afirmação. “Eu não tomei partido, mas pareceu outra eleição fraudada”, declarou Trump, em tradução do inglês, segundo a Reuters. A declaração foi feita quando o presidente americano seguia para um compromisso eleitoral no Mississippi. Trump também afirmou que eleições precisam ser incontestáveis e criticou a aparência do processo brasileiro.
Silas Freire