População tenta invadir casa de família de bebê morto em ritual em Teresina

Na noite desta terça-feira (22) populares e residentes tentaram invadir e despredar, a residência da família do bebê Wesley Carvalho Ferreira, morto durante um ritual realizado pelos próprios familiares. O Delegado Antônio Barbosa, da Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente (DPCA), esteve na manhã de hoje (23) na casa, localizada na Vila Joana Darc, zona Leste de Teresina.

A reportagem do Ronda Nacional apurou ainda que outras crianças e adolescentes estavam na residência e ficaram sozinhas após a prisão da mãe, pai e avós paternos do bebê no início da semana. Diante da iminente invasão e depredação da casa pela população, uma vizinha acolheu os menores.

“Queria invadir, tocar fogo e quebrar a casa com as crianças dentro. Isso foi ontem a noite e o povo tudo revoltado. E fui lá para tirar as crianças debaixo. Gente, não pode fazer isso, porque tem criança pequena e acho errado. Quem tem que pagar isso é eles, não os filhos dele. Tem um meninozinho que parece que é até deficiente. Lá dentro tinha uns 7 ou 8. Se os outros que matou, quem tem quer pagar são eles. Passamos ele para outra casa para não ser linchado ou a casa apedrejada com eles dentro. Chamei a polícia. Mas eles estão na outra casa aqui da vizinha”, disse Júlio Ramalho, vizinho que ajudou no recolhimento das crianças. 

Outros menores

Segundo a conselheira Socorro Arraes, no local haviam outras crianças participando do ritual feito pelo suposto profeta, que seria um adolescente da família de apenas 12 anos. “Lá também tinha outras crianças, a vizinha nos contou que ouvia muito choro de criança próximo ao local. Nesse dia que o Wesley veio a óbito, ela disse que ele começou a chorar e ela ficou acalentando ele no braço. Em seguida, ela pediu para a sogra fazer um mingau e ela disse que não podia, só quando terminasse o ritual para quebrar a magia negra que tinham feito e jogado contra eles. Ela disse que quando o bebê desfaleceu ela entregou a criança para o pai e disse ‘pelo amor de Deus leve para o médico’. Depois disso saíram o pai, o que se intitula profeta e o avô, ela disse que eles não demoraram e voltaram logo em seguida. Aí ela perguntou pela criança e o pai falou: ‘Nós jogamos na caeira’. Ou seja, a criança deve ter desmaiado porque estava com fome e possivelmente foi jogado na caeira ainda vivo”, pontuou.