O Piauí novamente aparece em primeiro lugar no país no número de cidades que não se sustentam. São 185 municípios nessa situação, o equivalente a 83%, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. A olho nu se percebe: a realidade é bem diferente do discurso. O governador Rafael Fonteles fala em modernização, em tecnologia, em cidades autossuficientes. Mas o que se vê na prática é o velho modelo muito asfalto e pouca independência financeira dos municípios. E fica a pergunta: que desenvolvimento é esse? Cidade não se sustenta só com obra de asfalto. Asfalto pode até render voto, mas não resolve o problema de fundo. Não gera autonomia, não fortalece a economia local e não tira prefeitura da dependência. São mais de 30 anos de governos ligados ao Partido dos Trabalhadores no estado, e o resultado está aí: o Piauí no topo de um ranking que ninguém quer liderar. Enquanto se fala em futuro e inovação, os números mostram um presente de dependência. E contra número, não tem discurso.
Governo resiste a ordens judiciais e engana militares em promoção.
O Piauí vive uma situação que chama atenção: o Governo do Estado vem resistindo a cumprir mais de 30 decisões da Justiça que determinam a promoção de policiais militares por ressarcimento de preterição. Na prática, o que se vê é o seguinte: policiais com 35, 38 e até 42 anos de serviço continuam como praças, enquanto outros, com muito menos tempo de farda, já viraram oficiais passando na frente de quem tinha direito. Esses militares recorreram à Justiça, ganharam as ações, mas esbarram na resistência do governo em cumprir as decisões. E não tem mistério: pode até recorrer, mas primeiro tem que cumprir. Facilmente se percebe o tamanho do problema. Quem dedicou a vida inteira à polícia segue esperando, enquanto o direito já foi reconhecido. Fica a sensação de promessa não cumprida e de que estão empurrando com a barriga.
Oposição lança cara nova e aposta em vereador do interior para Câmara Federal.
A oposição no Piauí começa a mexer o tabuleiro e aposta em um nome novo para disputar a Câmara Federal: o vereador de Água Branca, Manoel Paiva, de 35 anos, já com quatro mandatos no Médio Parnaíba. Mesmo vindo de uma cidade que não é das maiores, mas que é referência na região, Paiva surge com um discurso diferente e uma proposta mais ousada. Não é um nome improvisado: já foi gestor auxiliar e secretário em Santo Antônio do Lisboa, no Sul do estado, e construiu sua base na vida empresarial e na atuação como vereador. Facilmente se percebe que a aposta é em renovação. Manoel Paiva é filiado ao União Brasil e tudo indica que pode contar com apoio de peso. Nos bastidores, cresce a expectativa de alinhamento com o prefeito de Teresina, Silvio Mendes, e também com a articulação do vice-prefeito Jovan Alencar. Se esse cenário se confirmar, o nome de Paiva ganha força para brigar por uma vaga na federação União Progressista, que reúne o União Brasil e o Partido Progressistas, mirando especialmente a terceira vaga. E tem um detalhe que chama atenção: não é candidato de sobrenome político tradicional. Enquanto muitos chegam à disputa como “filho de”, Manoel Paiva vem com trajetória própria, construída no interior, misturando política e empreendedorismo.
Liceu sob pressão: acordo com alunos expõe crise, denúncias e possível intimidação.
Parte dos alunos do Liceu Piauiense aceitou o acordo com a Secretaria de Estado da Educação do Piauí para a promessa de reestruturação da escola, mesmo sem o governador Rafael Fonteles ceder na volta do diretor da unidade. Um grupo de estudantes, acompanhado dos pais, foi chamado à Seduc e decidiu aguardar melhorias prometidas. A escola enfrenta problemas graves: vazamentos, salas com risco estrutural e falhas na alimentação do ensino integral com relatos de alunos que chegam a ir embora com fome. A coluna do Silas no portal Encarando, em conjunto com a Silas TV, apura relatos delicados. Mães de alunos informaram que seus filhos deixaram o movimento após supostas pressões. Em alguns casos, há menção a visitas policiais nas residências, o que teria levado famílias a recuar. Essas informações ainda estão sendo verificadas, mas o que se encontra é um cenário de apreensão: pais orientando os filhos a sair das manifestações por medo, sob o argumento de que “o sistema é mais forte”. Mesmo com parte do recuo, fica o registro da coragem dos estudantes que se levantaram. Eles expuseram o que vivem no dia a dia e colocaram em xeque o discurso de educação de excelência dentro da mais tradicional escola do Piauí. O que veio à tona vai além de estrutura: revela um ambiente de insatisfação, denúncia e cobrança por respeito.
Troca na Strans abre expectativa por mais diálogo com a população.
A mudança no comando da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito marca um novo momento na relação com a população. Sai o doutor Daniel, entra Eldon Bandeira, com a missão de dar um tom mais aberto e próximo do cidadão. Os estilos até se aproximam, mas há uma expectativa clara de mudança. Eldon vem de uma escola política antiga, da época de Firmino Filho e do primeiro governo de Silvio Mendes, mas chega agora com a possibilidade de imprimir uma gestão mais moderna e, principalmente, mais dialogada. A Strans não é um órgão simples. É quem fiscaliza, multa e mexe diretamente no bolso do motorista. E por isso mesmo precisa ser transparente e manter um canal aberto com a sociedade. Doutor Daniel é reconhecido como um gestor competente, com serviços prestados em várias áreas da prefeitura. Mas havia uma dificuldade clara: faltava diálogo com a população. Agora, Eldon Bandeira assume com essa responsabilidade. Já passou por vários setores da administração municipal e conhece a máquina pública. O desafio é fazer com que a Strans deixe de ser vista como inimiga e passe a ser entendida como organizadora e protetora do trânsito. A expectativa está posta. Resta saber se a nova gestão vai conseguir fazer essa virada na prática.
Entrevista de Laésio Bonfim cai como bomba e agita cenário político no Maranhão.
Caiu como uma bomba a entrevista do pré-candidato ao governo pelo Partido Novo, Laésio Bonfim, durante participação ao vivo na Silas TV, no programa Vai Encarar. Sem rodeios, Laésio abriu o jogo e partiu pra cima das duas coligações que disputam o poder no Maranhão. Disse que foi procurado por aliados do ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide, grupo com o qual, segundo ele, tinha mais afinidade mas que acabou sendo deixado de lado. E foi além: fez uma denúncia grave. Segundo Laésio, tentaram tirá-lo da disputa oferecendo dinheiro para que ele saísse candidato a deputado federal. Ele afirma que se sentiu humilhado e diminuído. O pré-candidato também criticou o que chamou de alinhamento das duas chapas com o Partido dos Trabalhadores. Lembrou que o atual governador Carlos Brandão foi eleito ao lado de Flávio Dino, e apontou que há movimentos de aproximação envolvendo o vice-governador Felipe Camarão. Para Laésio, houve quebra de confiança e isso, segundo ele, será respondido nas urnas. Ele relembrou 2022, quando surpreendeu e ficou à frente de nomes fortes, como o senador Weverton Rocha, conquistando o segundo lugar. Mesmo com integrantes do Partido Liberal em outras chapas, Laésio garante que a base popular ligada ao movimento conservador no estado está com ele e que a direita terá candidatura própria. O fato é que a entrevista repercutiu forte na imprensa maranhense e abriu um debate pesado nos bastidores: a denúncia de tentativa de cooptação com dinheiro para tirá-lo da disputa. E quando esse tipo de acusação vem à tona, o jogo político muda e muito.
Rafael Fonteles dá entrevistas “em casa” e reação nas redes chama atenção.
O governador do Piauí, Rafael Fonteles, segue seu ciclo de entrevistas neste mês de abril, passando por veículos considerados próximos ao seu grupo político. Entre eles, o portal Conecta Piauí e a TV Antena 10. As entrevistas tiveram um tom mais leve, sem entrar em temas que hoje estão no centro do debate público, como a crise na educação, os protestos de estudantes, projetos anunciados na área de tecnologia e outras cobranças da população. Mas o que chamou atenção veio depois: a reação nas redes sociais. No caso do Conecta, usuários relataram dificuldade em visualizar comentários críticos, levantando questionamentos sobre moderação de conteúdo. Já nos canais ligados à Antena 10, apesar de algum controle, permaneceram centenas de comentários muitos deles com críticas ao governo. Durante as transmissões ao vivo, também apareceram manifestações de insatisfação, incluindo pedidos para que o governador participe de entrevistas em veículos considerados mais independentes. Esse termômetro das redes sociais acaba refletindo um ambiente de maior cobrança por parte da população. E é justamente esse clima que entra no debate quando se fala em pesquisas de opinião divulgadas no estado, frequentemente contestadas por parte do eleitorado. O fato é que, entre entrevistas controladas e reação espontânea nas redes, encontra-se um cenário de contraste: de um lado, o discurso institucional; do outro, a resposta direta de quem comenta, critica e cobra.
Silas Freire