Quem é Marcinho, prefeito exaltado por Rafael e marcado por atos de coronelismo, ameaças e intimidação.

Marcinho, prefeito de Alegrete do Piauí, é um personagem conhecido muito além dos limites do município. Entre seus conterrâneos e adversários políticos, carrega a fama de exercer o poder com mão de ferro, em um estilo frequentemente associado ao coronelismo do interior: autoridade, intimidação e pouca tolerância com quem contraria seus interesses.

O nome do prefeito ganhou repercussão estadual depois que um vídeo mostrou Marcinho entrando na casa de uma família durante uma discussão. No imóvel estavam um jovem de 19 anos e um adolescente de 17. O prefeito afirmou que havia sido ameaçado por um dos rapazes.

A cena provocou reação e acabou sendo levada às autoridades. O Ministério Público instaurou investigação para apurar a conduta do gestor, incluindo suspeitas de violação de domicílio, ameaça, lesão corporal e tentativa de homicídio. Marcinho nega as acusações.

O episódio também teve consequências políticas. O Partido dos Trabalhadores suspendeu a filiação do prefeito e encaminhou o caso para a Comissão de Ética da legenda.

Agora, o mesmo prefeito que protagonizou esse episódio voltou ao centro da disputa política depois de ser usado pelo governador Rafael Fonteles como referência para medir a força de uma manifestação política em Alegrete.

Durante a passagem pelo município, Rafael comparou a quantidade de pessoas mobilizadas por Marcinho com o público presente no evento do pré-candidato da oposição ao Governo do Estado, Joel Rodrigues.

A fala do governador chamou atenção justamente pelo personagem escolhido. Marcinho não é apenas um prefeito com capacidade de mobilização eleitoral. É uma figura cercada de controvérsias e que se tornou alvo de investigação após o episódio da invasão da residência.

A família envolvida também fez outra denúncia: segundo os moradores, Francisco Edilton Alencar, pai de Marcinho e ex-prefeito de Alegrete por três mandatos, teria oferecido R$ 5 mil para que a denúncia contra o filho fosse retirada. Edilton negou ter feito qualquer oferta.

Em Alegrete, o caso alimentou ainda mais a imagem de um grupo político que há décadas exerce forte influência sobre o município.