O ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, recebeu parcelas do auxílio emergencial durante a pandemia da covid-19 mesmo mantendo vínculos financeiros com o poder público, incluindo uma bolsa acadêmica da Capes e salários pagos pelo Governo Federal.
Dados disponíveis no Portal da Transparência apontam que o ministro recebeu cinco parcelas de R$ 600 do benefício em 2020, totalizando R$ 3 mil. O auxílio foi criado para atender trabalhadores informais e pessoas em situação de vulnerabilidade econômica durante a pandemia.
Na época, Édipo realizava um doutorado “sanduíche” entre a Universidade Federal do Pará e a Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão ligado ao Ministério da Educação.
Além disso, registros mostram que ele também passou a receber salários do Ministério da Agricultura ainda em 2020. Em alguns meses, os vencimentos ultrapassaram R$ 15 mil, ao mesmo tempo em que parcelas do auxílio emergencial continuavam sendo pagas.
Após a repercussão do caso, a assessoria do ministro afirmou que ele tinha direito ao benefício no momento da solicitação, alegando que estava desempregado e sem vínculo formal quando realizou o cadastro. A defesa informou ainda que os valores posteriormente foram devolvidos.
A equipe do ministro também sustentou que o recebimento de bolsa acadêmica não impedia automaticamente o acesso ao auxílio emergencial, conforme interpretação da legislação vigente à época.
Édipo Araújo assumiu recentemente o comando do Ministério da Pesca no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes disso, já havia ocupado cargos ligados ao setor pesqueiro em gestões anteriores.