O recado do Clube dos Cem chegou ao Karnak

A convenção da oposição realizada no sábado, no tradicional Clube dos Cem, na zona Sul de Teresina, produziu um efeito político que foi além das imagens de palco. A mobilização em torno das candidaturas de Joel Rodrigues e Ciro Nogueira reuniu opiniões divididas sobre a dimensão do público presente e passou a ocupar o centro das conversas políticas no Estado. Independentemente das estimativas, o fato é que a convenção registrou uma expressiva presença popular e recolocou a oposição no debate sobre capacidade de mobilização. A repercussão não demorou a chegar ao outro lado da disputa. Enquanto a convenção acontecia na capital, o governador Rafael Fonteles cumpria agenda na região de Picos e, em seus discursos, fez referências à mobilização governista, afirmando que seus eventos reuniam público maior que o da oposição. A comparação foi interpretada por aliados e observadores como um sinal de que a convenção adversária entrou no radar da estratégia política do Palácio de Karnak. Se a convenção da oposição foi maior, menor ou equivalente aos atos promovidos pela base governista, essa é uma discussão que ficará para analistas e levantamentos. Mas uma conclusão política se impõe: o Clube dos Cem produziu um fato. A convenção da oposição dominou o debate do fim de semana e levou o governo a responder. Na política, quando o adversário passa a pautar o seu discurso, é porque o recado foi ouvido. E o recado do Clube dos Cem, ao que tudo indica, chegou ao Karnak.


FAMÍLIA EM PRIMEIRO LUGAR . 

Tem uma coincidência que salta aos olhos na corrida pelo Senado em 2026, no Piauí. Os principais nomes da disputa fizeram questão de reservar um lugar para a família na chapa. Quando não foi a esposa, foi o filho. Quando não foi o irmão, foi o sobrinho. Se não entrou como suplente, apareceu como candidato a deputado federal ou estadual. O importante era manter o sobrenome na urna. Aí fica difícil subir no palanque para condenar o chamado nepotismo eleitoral ou posar de defensor da renovação política. Na hora de montar o próprio grupo, quase todos seguiram a mesma receita: primeiro os de casa. Parece que, para essa turma, talento e vocação política são hereditários. Os parentes dos outros nunca servem. Os próprios, curiosamente, sempre encontram uma vaga. O eleitor tem todo o direito de perguntar: se todos fazem a mesma coisa, quem ainda pode apontar o dedo para o adversário? No fim, muda o discurso, muda o partido, muda o lado da mesa. Mas a prática continua a mesma: na política piauiense, a família segue sendo um dos maiores patrimônios eleitorais.

LULA LEMBRA RAFAEL APÓS HADDAD E MOVIMENTA SUCESSÃO NO PT. 

 

Depois de citar o ministro Fernando Haddad, o presidente Lula também lembrou o governador do Piauí, Rafael Fonteles, ao falar sobre os quadros que o PT poderá ter para o futuro. Durante a convenção do partido, em São Paulo, Lula voltou a elogiar Rafael, destacando sua formação em Matemática e sua trajetória acadêmica. A declaração ganhou força na comunicação do Palácio de Karnak. Sempre que Rafael Fonteles recebe um aceno público do presidente, a estrutura de divulgação do governo amplia o gesto, reforçando a imagem de que o governador piauiense está entre os nomes que podem ganhar espaço no cenário nacional e, eventualmente, disputar voos ainda maiores dentro do PT. Entre os defensores desse projeto está o ex-ministro José Dirceu, que voltou a atuar politicamente após cumprir as penas impostas pela Justiça no processo do mensalão. Dirceu é um dos nomes que mais têm defendido o protagonismo nacional de Rafael Fonteles dentro do partido. A lembrança feita por Lula fortalece essa corrente política e explica a repercussão entre os aliados do governador no Piauí. Entre um elogio presidencial e uma candidatura ao Palácio do Planalto, porém, existe um longo caminho. Mas, na política, quando Lula cita um nome publicamente, a declaração dificilmente passa despercebida principalmente quando esse nome é apontado como uma das apostas para o futuro do próprio partido.

CIRO SEPARA VOTO PESSOAL DA ESTRATÉGIA DO PROGRESSISTAS E IRTITA GOVERNISTAS.

A declaração do senador Ciro Nogueira durante a convenção do PL, em Teresina, ganhou repercussão nacional, mas também acabou sendo alvo de interpretações políticas. Ao ser provocado por uma apoiadora que gritou o nome de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República, Ciro respondeu de forma direta: “Não tenha dúvida. Meu voto será dele.” A fala foi rapidamente explorada por setores ligados ao governo Rafael Fonteles, que passaram a difundir a declaração nacionalmente na tentativa de criar um desgaste para o Progressistas, partido que, em alguns estados, mantém alianças locais com o PT dentro da estratégia da federação União Progressista. O que Ciro deixou claro, entretanto, foi a diferença entre sua posição pessoal e sua responsabilidade institucional. Como eleitor, afirmou que seu voto será em Flávio Bolsonaro. Como dirigente partidário, manteve a linha de neutralidade adotada pela federação para as eleições presidenciais, uma estratégia voltada à ampliação da bancada no Congresso Nacional. A lógica é conhecida no meio político. Ao não atrelar toda a federação a um único palanque presidencial, a União Progressista preserva alianças regionais, fortalece sua presença na Câmara e no Senado, amplia o acesso ao fundo partidário e eleitoral e ganha mais tempo de propaganda, aumentando seu peso nas negociações políticas em Brasília. Ou seja, a declaração de Ciro tratou de uma escolha pessoal nas urnas, e não de uma mudança na estratégia nacional da federação. Confundir uma coisa com a outra interessa ao embate político, mas não altera a posição oficial adotada pelo partido.

O PREFEITO CHAMOU O PRESIDENTE DA OAB DE LOBISTA . E AGORA? 

Há uma pergunta que continua ecoando nos bastidores de Teresina e que não pode ser empurrada para debaixo do tapete. A OAB-PI acaba de conquistar uma liminar suspendendo a cobrança da taxa de limpeza pública, assumindo perante a sociedade o papel de defensora do bolso do contribuinte. É um direito constitucional da instituição recorrer ao Judiciário sempre que entender que há ilegalidade. Mas existe um outro fato que não pode ser esquecido. Em entrevista concedida à Silas TV, o prefeito Silvio Mendes fez uma acusação de extrema gravidade contra o presidente da OAB-PI, Raimundo Júnior. Com todas as letras, afirmou que o dirigente da Ordem faria lobby em favor de empresas interessadas em contratos de limpeza urbana em Teresina, utilizando a entidade para pressionar o município. A entrevista está gravada. Não se trata de uma crítica política. Trata-se de uma acusação que, se verdadeira, é gravíssima. Se falsa, também é gravíssima. Por isso, esse assunto não pode morrer apenas na guerra de versões entre Prefeitura e OAB. A sociedade precisa saber quem está falando a verdade. Os advogados piauienses, que confiam na instituição que os representa, também merecem uma resposta. Afinal, a credibilidade da Ordem dos Advogados é patrimônio da advocacia e da democracia. Hoje, muitos enxergam a OAB como a entidade que defende o contribuinte contra uma cobrança considerada abusiva. Ao mesmo tempo, permanece sem esclarecimento a denúncia pública feita pelo prefeito de que o presidente da instituição atuaria como lobista de interesses privados. Não há espaço para meias palavras. Ou o prefeito apresenta os elementos que sustentam a acusação que fez, ou a acusação precisa ser desmentida de forma categórica. Da mesma forma, cabe ao presidente da OAB responder de maneira firme às declarações que atingem sua honra e a imagem da instituição. Quando um prefeito acusa o presidente da OAB de agir em benefício de empresas privadas, o assunto deixa de ser um embate político e passa a ser uma questão de interesse público. Teresina merece conhecer a verdade. Porque, nesse caso, o silêncio não esclarece. Apenas alimenta a dúvida.

O CENTRO DE TERESINA PEDE SOCORRO

Fonte: redes sociais 

O Centro Comercial de Teresina está perdendo sua identidade. Quem caminha pelas ruas que durante décadas foram o coração econômico da capital encontra um cenário que entristece: lojas vazias, movimento reduzido, comerciantes aflitos e a sensação de abandono tomando conta de quarteirões inteiros. Os furtos registrados durante a noite aumentaram a insegurança. Comerciantes relatam prejuízos sucessivos e cobram uma presença mais efetiva do poder público na proteção daquele que ainda é um dos maiores polos de geração de emprego e renda do Piauí. O drama, porém, vai além da violência. O cliente desapareceu. O consumidor migrou para outras regiões da cidade, para os shoppings ou para o comércio digital. O resultado está estampado nas vitrines, nos corredores vazios e no olhar de quem insiste em abrir a porta da loja todos os dias, sem saber se conseguirá fechar o mês no azul. É impossível caminhar pelo Centro sem perceber a apreensão dos empresários. Muitos resistem por tradição, por amor ao negócio ou porque ainda acreditam numa reação. Outros já convivem com a dura realidade da queda nas vendas e com o temor de demissões. Há pais e mães de família que enxergam no enfraquecimento do comércio a ameaça concreta do desemprego. O mais preocupante é o silêncio das autoridades. Em plena eleição estadual, discute-se quem reúne mais gente em convenções, quem lidera pesquisas e quem fará as maiores alianças. Mas quase não se ouve falar de um projeto consistente para recuperar o Centro Comercial de Teresina. O Centro não pode ser tratado como uma fotografia do passado. Ele continua sendo parte da história, da economia e da identidade da capital. Sem revitalização, sem segurança, sem incentivos e sem políticas públicas que devolvam vida à região, o risco é assistir ao agravamento de um processo de esvaziamento que já preocupa comerciantes e trabalhadores. Os empresários que ainda mantêm suas portas abertas merecem reconhecimento. Resistem diariamente às dificuldades e sustentam empregos em meio a um cenário desafiador. Mas heroísmo, sozinho, não revitaliza um centro comercial. É preciso ação. Antes que o coração econômico de Teresina deixe de pulsar de vez.

O RETRATO DA DEPENDÊNCIA. 

Fonte:Aqui

 

Curimatá expõe uma realidade que deveria provocar reflexão em todo o Piauí. Segundo dados divulgados, mais de 56% da população do município recebe o Bolsa Família. O número não é apenas uma estatística. É um retrato da fragilidade econômica de uma cidade onde uma parcela expressiva da população ainda depende da transferência de renda para garantir o sustento. O Bolsa Família tem papel importante no combate à pobreza e na proteção de famílias em situação de vulnerabilidade. O problema começa quando a assistência deixa de ser uma ponte para a autonomia e passa a ocupar o lugar que deveria ser preenchido por emprego, renda, qualificação profissional e oportunidades. Curimatá não é um caso isolado. O Piauí ainda convive com municípios onde a economia é frágil, o mercado de trabalho é limitado e a presença do poder público acaba sendo determinante para a sobrevivência de milhares de famílias. Depois de décadas de governos do PT no comando do Governo Federal e de sucessivas administrações alinhadas politicamente no Piauí, é legítimo perguntar por que tantos municípios continuam apresentando tamanha dependência de programas de transferência de renda. A pergunta não é se o Bolsa Família deve existir. Deve. A pergunta é por quanto tempo uma população pode permanecer dependente dele sem que sejam criadas condições concretas para que as famílias tenham outras fontes de renda. Um povo trabalhador não pode ter como horizonte permanente apenas o benefício que recebe no fim do mês. Precisa de emprego, qualificação, infraestrutura, crédito, empreendedorismo e uma economia capaz de criar oportunidades. Transferir renda é necessário para quem precisa. Criar condições para que as pessoas deixem de precisar dela deveria ser uma das principais metas de qualquer governo. Enquanto municípios piauienses apresentarem índices tão elevados de dependência de programas sociais, o discurso de desenvolvimento precisa ser confrontado com a realidade. Porque assistência social protege. Mas é o trabalho, a renda e a oportunidade que constroem autonomia.