O cenário da eleição para o Senado no Piauí começa a ficar cada vez mais claro: Ciro Nogueira se consolida na primeira vaga, enquanto Marcelo Castro e Júlio César travam uma disputa cada vez mais apertada pela segunda cadeira. Ciro aparece na dianteira na maioria dos levantamentos recentes, enquanto Júlio César vem crescendo e se aproximando de Marcelo. O movimento confirma uma leitura que esta coluna já vinha fazendo: a disputa pela segunda vaga está se concentrando dentro do próprio campo governista. Marcelo, que começou a corrida eleitoral em posição de liderança, hoje enfrenta o avanço de Júlio César. E nos bastidores começa a circular uma explicação para esse desgaste. O senador estaria concentrando esforços não apenas na própria reeleição, mas também na eleição do filho, o deputado federal Castro Neto. A estratégia seria pressionar prefeitos e lideranças do interior para que, além de votarem em Marcelo para o Senado, garantam uma votação expressiva para Castro Neto na Câmara. A operação seria ousada: em uma mesma eleição, Marcelo tentaria garantir a própria permanência no Senado, transformar o filho em um dos deputados federais mais votados do Piauí e, de quebra, construir antecipadamente o caminho para uma futura sucessão no Senado. O problema é que esse movimento estaria provocando desconforto entre prefeitos e lideranças municipais. Há quem se sinta pressionado e tema que a não adesão ao projeto de Castro Neto possa representar dificuldades futuras na relação política com o senador, especialmente no acesso a emendas, recursos e apoio durante um novo mandato. É nesse ambiente que Júlio César cresce. A disputa pela segunda vaga, que já parecia encaminhada para Marcelo, começa a ganhar contornos de empate. E, se a tendência continuar, o eleitor poderá assistir a uma eleição dentro da própria base governista: Ciro consolidado na primeira vaga e Marcelo e Júlio César disputando cabeça a cabeça a segunda. Para Marcelo, o desafio agora é evitar que a estratégia de eleger o filho acabe custando justamente a própria reeleição.
A “TAXA DO POÇO” QUE O GOVERNADOR DISSE QUE NÃO EXISTIRIA.
A chamada “taxa do poço” começa a aparecer na conta de moradores do interior do Piauí, apesar de o governador Rafael Fonteles ter afirmado que esse tipo de cobrança não existiria em seu governo. Em Capitão de Campos, no Norte do Estado, um morador de uma comunidade da zona rural recebeu uma fatura da Águas do Piauí no valor de R$ 33,99, com referência de atualização em 30 de julho de 2026 e vencimento em 11 de agosto de 2026. O documento apresentado à coluna identifica, no alto da fatura, a cobrança relacionada ao poço tubular instalado na propriedade. O morador afirma que não existe serviço de esgotamento sanitário disponível na comunidade e que a cobrança não decorre de adesão a esse serviço. Segundo ele, o valor cobrado corresponde ao consumo mínimo relacionado ao poço tubular. Há ainda uma particularidade no caso. O proprietário afirma que a equipe da Águas do Piauí não conseguiu aferir o hidrômetro instalado no poço pelo Governo do Estado. Mesmo assim, a cobrança mínima, de R$ 33,99, já apareceu na conta. O episódio levanta uma pergunta inevitável: se o governador afirmou que não haveria “taxa do poço”, como explicar uma fatura da concessionária cobrando R$ 33,99 vinculados ao poço tubular? A cobrança também chama atenção porque a Águas do Piauí é responsável pela emissão da fatura e, sobre os valores cobrados pelos serviços sujeitos à tributação, há a incidência dos tributos correspondentes, inclusive o ICMS, conforme a natureza da cobrança. O caso de Capitão de Campos pode ser apenas o primeiro de uma série. A conta chegou agora resta saber se o Governo do Estado vai explicar o que exatamente está sendo cobrado dos piauienses pelos poços que, segundo o discurso oficial, não teriam taxa.
KARNAK DOBRA A APOSTA EM GUSTAVO HENRIQUE COMO CANDIDATO AUXILIAR DE RAFAEL.
A decisão do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do TSE, que suspendeu parcialmente os efeitos do ato da Executiva Nacional do Avante e determinou o regular processamento do registro de Gustavo Henrique, é vista no meio político como mais um movimento que mantém aberta a possibilidade de o Karnak contar com uma candidatura auxiliar na disputa pelo Governo do Piauí. É importante, porém, separar a decisão judicial da disputa política. Gustavo Henrique não ganhou definitivamente a questão e não teve sua candidatura reconhecida como válida pelo TSE. O que houve foi uma decisão liminar que preserva o processamento de seu registro até que o mérito da controvérsia seja analisado. Ainda assim, politicamente, o Karnak dobra a aposta. A permanência de Gustavo no jogo interessa ao grupo de Rafael Fonteles, especialmente pela possibilidade de ter um candidato com espaço próprio para atuar durante a campanha e, sobretudo, nos debates eleitorais. A estratégia seria ampliar o campo de defesa do governo e criar uma candidatura capaz de dialogar com o eleitorado sem necessariamente carregar, de forma direta, o peso da candidatura governista. A decisão do TSE, portanto, não encerra a disputa. Ao contrário: mantém Gustavo Henrique no tabuleiro. E, enquanto o mérito não for julgado, o Karnak parece disposto a jogar suas fichas nessa candidatura.
DELEGADA VILMA ALVES LUTA PELA VIDA NA UTI.
A delegada Vilma Alves está internada em estado grave e entubada na UTI de um hospital particular no Centro de Teresina, após sofrer um infarto e duas paradas cardíacas. A informação foi confirmada pela família. Vilma passou mal por volta das 18h, em sua residência, recebeu os primeiros socorros de médicos vizinhos e do próprio filho e, ainda em casa, sofreu uma parada cardíaca. Encaminhada ao hospital, teve uma segunda parada cardíaca e permanece sob cuidados médicos. A coluna se une à família, aos amigos e a todos que conhecem a trajetória dessa mulher que é um verdadeiro símbolo da Polícia Civil do Piauí. Vilma Alves dedicou quase cinco décadas à segurança pública, foi a primeira mulher a ingressar na Polícia Civil do Estado e a primeira delegada negra do Piauí. Não se fazem mais policiais como a delegada Vilma. Ela representa uma geração que construiu sua história com coragem, autoridade, dedicação e compromisso com a instituição policial e com a sociedade. Neste momento, mais do que qualquer palavra, ficam as orações. Que Deus fortaleça a delegada Vilma, sua família e a equipe médica que cuida dela. A coluna entra nessa corrente de oração pela recuperação da delegada Vilma Alves.
NOVO, QUE REPUDIAVA O FUNDÃO, TERÁ R$ 37 MILHÕES EM RECURSOS PÚBLICOS PARA A ELEIÇÃO.
O Novo mudou de posição sobre o Fundão Eleitoral e a mudança não é pequena. Em 2026, o partido terá direito a pouco mais de R$ 37 milhões dos R$ 4,96 bilhões destinados às campanhas eleitorais. Durante anos, o Novo fez do combate ao dinheiro público nas campanhas uma de suas principais bandeiras. Em 2021, o próprio partido dizia ser contra o Fundão e afirmava que o dinheiro do contribuinte deveria ser destinado à saúde, educação e segurança. Em 2022, chegou a divulgar que era o único partido que nunca havia utilizado o Fundo Eleitoral e que havia devolvido recursos aos cofres públicos. (Partido Novo) Mas a realidade mudou. Em fevereiro de 2024, o partido aprovou a utilização do Fundão nas eleições municipais, estabelecendo critérios próprios para a distribuição dos recursos. Agora, nas eleições de 2026, entram na conta mais de R$ 37 milhões em dinheiro público. A política, como se sabe, também tem suas curvas. O que ontem era chamado de desperdício de dinheiro do contribuinte hoje passa a ser recurso disponível para financiar candidaturas. O Novo pode ter mudado de estratégia. Mas fica uma pergunta inevitável: o que mudou o Fundão ou o discurso do partido
Silas Freire