R$ 17 milhões em Altos às vésperas da eleição

A decisão do prefeito de Altos, Maxwell Da Mariinha de autorizar uma operação de crédito de até R$ 17,46 milhões junto à Caixa Econômica Federal, destinada à área da saúde, chega em um momento que chama atenção: faltando cerca de 40 dias para a eleição e com o irmão do prefeito disputando uma vaga de deputado estadual. Não se afirma que o empréstimo tenha finalidade eleitoral. A lei aprovada prevê formalmente a aplicação dos recursos na saúde. Mas a proximidade da operação com o calendário eleitoral coloca o prefeito diante de uma pergunta que precisa ser respondida. Se o município precisa desses R$ 17 milhões para investimentos em saúde, por que a contratação ocorre justamente às vésperas da eleição? Não seria possível deixar a decisão para depois do pleito? Em política, o momento de uma decisão também pesa. E uma operação de R$ 17,46 milhões, em um município como Altos, não é pouca coisa. Quando ocorre tão perto de uma eleição e envolve uma gestão cujo grupo político tem candidato na disputa, a medida inevitavelmente ganha repercussão política. O prefeito tem o direito de explicar a necessidade e a urgência do financiamento. A população também tem o direito de saber quanto vai pagar, por quanto tempo, quais ações serão executadas e por que a contratação não pode esperar algumas semanas. A questão não é ser contra investimento na saúde. É perguntar: por que agora?


DRAGA ALANA E PEDRO ALCÂNTARA ENTRE AS MAIORES VOTAÇÕES DE TERESINA. 

Dois vereadores de Teresina começam a despontar como nomes competitivos para deputado estadual em 2026. Draga Alana (PSD) aparece com projeção entre 25 mil e 30 mil votos na capital, enquanto Pedro Alcântara (Progressistas) pode superar os 15 mil. As estratégias são diferentes. Draga Alana aposta na força de lideranças comunitárias e políticas. Pedro Alcântara avança sustentado pelo voto de opinião e pelo eleitorado oposicionista. Se as projeções se confirmarem, os dois poderão figurar entre os candidatos a deputado estadual mais votados de Teresina.

AMIGO DO GOVERNADOR SE PREPARAVA PARA NOVO BOTE NAS CONTAS DO ESTADO, APONTA INVESTIGAÇÃO. 

Os meninos não param de agir. O empresário Bruno Santos Leal Campos, apontado nas investigações da Polícia Federal como ligado ao círculo de influência do governador, teria se preparado para mais um negócio envolvendo recursos públicos, segundo mensagens anexadas à investigação da Operação OMNI. De acordo com material revelado pela reportagem de Ribas Durã, da TV Blocão, o empresário teria orientado a criação de uma empresa do setor hospitalar em nome da própria mãe, com capital social de R$ 500 mil, mirando negócios com o Governo do Piauí. Segundo dados do Portal da Transparência, a Maximus Hospitalar acumulou mais de R$ 10,1 milhões em empenhos do Governo do Piauí entre 2023 e 2026. A investigação da PF apura suspeitas de direcionamento de licitações, superfaturamento e lavagem de dinheiro em contratos da área da saúde. Se as mensagens forem confirmadas, o caso levanta uma questão: quantas empresas e contratos ainda podem aparecer no decorrer das investigações? Por enquanto, as suspeitas seguem sob apuração e não representam condenação dos envolvidos.

AS LIGAÇÕES PERIGOSAS DE 2022 QUE VOLTAM A ASSOMBRAR RAFAEL FONTELES. 

 

As relações políticas de 2022 voltam ao centro da disputa eleitoral de Rafael Fonteles. Naquele ano, a lobista Roberta Luchsinger apareceu publicamente ao lado de Rafael Fonteles e Wellington Dias e declarou apoio à campanha que levou Fonteles ao Palácio de Karnak. Na época, o registro poderia ser interpretado como mais uma manifestação de apoio político. Hoje, porém, o nome de Roberta ganhou repercussão nacional por aparecer em investigações relacionadas ao escândalo do INSS e às apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A fotografia e o apoio eleitoral de 2022, isoladamente, não indicam qualquer envolvimento de Rafael Fonteles nas irregularidades investigadas. Politicamente, no entanto, a imagem voltou a ganhar peso diante da dimensão das investigações que envolvem a lobista. E surge a pergunta: Roberta Luchsinger voltará a aparecer na eleição de 2026 para pedir votos para Rafael Fonteles? Haverá novamente manifestações públicas de apoio ou novas aproximações? Em um cenário no qual o caso do INSS ganhou repercussão nacional, qualquer nova aparição da lobista ao lado do governador poderá ter um impacto político diferente daquele registrado em 2022. Para a oposição, a relação será usada para questionar as companhias políticas de Rafael. Ao governo, caberá explicar a natureza da relação e se existe alguma conexão além do apoio eleitoral registrado naquele ano. A eleição de 2026 pode, assim, colocar novamente aquela fotografia no centro da disputa. Desta vez, sob uma lupa bem maior.

FALTA D’ÁGUA DEIXA DE SER PROBLEMA SÓ DO INTERIOR E CHEGA AOS BAIRROS DE TERESINA. 

A falta d’água deixou de ser um problema restrito ao interior do Piauí e já atinge bairros de Teresina. Moradores da capital vêm relatando interrupções no abastecimento e cobrando regularidade no serviço prestado pela Águas de Teresina. As reclamações colocam também a Arsete, agência municipal responsável pela regulação e fiscalização dos serviços, no centro da cobrança. Quando existem multas e sanções, a concessionária ainda pode recorrer administrativa ou judicialmente, enquanto o consumidor continua esperando pela normalização do fornecimento. No interior, a Águas do Piauí acumula críticas relacionadas ao abastecimento. Agora, a realidade começa a alcançar também o teresinense. O que chama atenção é a postura do poder público. Prefeitura e Governo do Estado, cada um dentro de sua responsabilidade, parecem pouco dispostos a comprar uma briga mais dura com as concessionárias. A pergunta é inevitável: quem está defendendo o consumidor quando falta água e as respostas não chegam? No fim, o cidadão continua sendo o elo mais fraco da relação. A torneira seca, a reclamação aumenta e a solução demora.

DRA. LÚCIA NO PIAUÍ E AUGUSTO CURY NO BRASIL: DOIS NOMES QUE SURPREENDEM EM 2026. 

Dois nomes que surgem fora do cenário tradicional começam a chamar atenção nas redes sociais e entre setores da classe formadora de opinião para as eleições de 2026: Dra. Lúcia, no Piauí, e Augusto Cury, no cenário nacional. No Piauí, Dra. Lúcia, presidente do Sindicato dos Médicos e candidata ao governo do Piauí pelo PSDB, vem despertando interesse especialmente entre eleitores das classes A e B e entre o eleitorado ainda indeciso ou sem definição consolidada. É uma parcela que pode representar entre 10% e 20% do eleitorado, dependendo do levantamento e do recorte considerado. Suas propostas e denúncias na área da saúde vêm atraindo a atenção desse segmento, que acompanha com expectativa o início de sua propaganda eleitoral. Mesmo com pouco tempo de televisão, a candidata começa a construir um espaço próprio e pode surpreender justamente por apresentar um perfil diferente dos nomes tradicionais. No cenário nacional, Augusto Cury, escritor e psiquiatra, também começa a ganhar visibilidade. Em meio à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro e à radicalização de outros discursos, Cury vem chamando atenção por apresentar posicionamentos que parte do eleitorado considera mais moderados e sensatos. São dois médicos, em escalas diferentes, que começam a despertar interesse fora das estruturas políticas tradicionais. Lúcia no Piauí. Cury no Brasil. Se essa atenção das redes sociais e dos formadores de opinião conseguir se transformar em voto, os dois poderão apresentar desempenho acima das projeções iniciais e contribuir para mudar o quadro eleitoral de 2026.