Ciro lidera no Opinar e desenha sua reeleição ao Senado.

A última pesquisa do Instituto Opinar antes da eleição, divulgada nesta sexta-feira, 2 de outubro, coloca Ciro Nogueira à frente no consolidado dos dois votos, com 43,4% das citações em relação ao total de entrevistados. Marcelo Castro aparece com 41,1%, Júlio César com 30,4% e Tiago Junqueira com 12,7%. O cenário aponta condições favoráveis às reeleições dos dois senadores com mandato, enquanto a aposta do governador Rafael Fonteles em Júlio permanece em terceiro. Na primeira escolha individual, Ciro também lidera: 31,25%, contra 23,90% de Marcelo, 12,80% de Júlio e 5,15% de Tiago. No consolidado, Júlio está 13 pontos atrás de Ciro e 10,7 atrás de Marcelo. Até aqui, a força política do governador não colocou seu candidato entre os dois primeiros nesse recorte. Com trajetória no acompanhamento das eleições piauienses, o Opinar ouviu 2.000 eleitores, oferecendo uma base ampla para observar a opinião pública nesta reta final. Mantidas condições metodológicas equivalentes, uma amostra maior tende a proporcionar mais precisão. As entrevistas ocorreram entre 26 e 29 de setembro, com margem de erro informada de dois pontos percentuais, confiança de 95% e registro PI-02327/2026.

DOIS VOTOS, TRÊS COMPROMISSOS: O FEIO JOGO DE BASTIDORES EM TERESINA. 

Nos bastidores da política de Teresina, circulam relatos de que alguns vereadores e suplentes com votação expressiva teriam transformado o apoio a candidatos ao Senado em cobrança de “pedágio”. Segundo informações recebidas pela coluna, há quem tenha assumido compromisso com três candidaturas, embora cada eleitor disponha de apenas dois votos para senador. Os relatos mencionam pelo menos seis nomes que teriam apresentado exigências consideradas indecorosas por interlocutores das campanhas. Alguns teriam ficado pelo caminho porque candidatos se recusaram a aceitar as condições cobradas. É uma história de promessas sobrepostas e apoios tratados como mercadoria. Se confirmada, essa prática é politicamente vergonhosa. Quem promete entregar o mesmo apoio a três candidatos deve uma explicação: qual compromisso pretende cumprir e qual está apenas vendendo na conversa? O eleitor merece respeito, inclusive de quem se apresenta como dono de votos. A coluna não publica nomes porque não dispõe de comprovação documental das supostas cobranças. Os relatos precisam ser apurados, com os envolvidos ouvidos. Mas a história que corre nos bastidores merece investigação: representação política não pode virar balcão de negócios.

GRACINHA, EVALDO E MARDEN ENFRENTAM RETA FINAL DIFÍCIL PARA RENOVAR MANDATOS. 

A dois dias da eleição, três nomes com mandato na Assembleia Legislativa aparecem nas conversas de bastidores entre os que enfrentariam maior dificuldade para garantir a reeleição: Gracinha Mão Santa, Evaldo Gomes e Marden Menezes. Segundo informações recebidas pela coluna, a situação dos três tem provocado comentários insistentes no meio político. São deputados com bases eleitorais, trajetória e estratégias próprias para buscar os votos necessários. Mas a avaliação que circula nos bastidores é de que o peso do mandato, sozinho, não está garantindo tranquilidade nesta reta final. A disputa exige preservar compromissos e transformar apoio em voto na urna. Essa leitura não significa derrota definida. Os três têm seus colégios eleitorais e capacidade de reação. Mas, pelo que se comenta nos bastidores, a renovação dos mandatos está longe de ser tratada como confortável.

SAQUES EM DINHEIRO VIVO DE EMPREITEIRAS ESTARIAM NA MIRA NA RETA FINAL ELEITORAL

Informações de bastidores recebidas pela coluna dão conta de que autoridades policiais e judiciais estariam acompanhando movimentações financeiras de empresas de construção civil nesta semana, com atenção especial para esta sexta-feira. O foco seriam saques de valores elevados em dinheiro vivo às vésperas da eleição. Segundo esses relatos, algumas empresas que habitualmente fazem pagamentos por transferência bancária estariam programando retiradas em espécie. A suspeita levantada pelos interlocutores é de possível ligação dessas movimentações com campanhas eleitorais. Saque em dinheiro, por si só, não comprova irregularidade, mas a finalidade dos recursos seria o ponto central desse suposto acompanhamento. Ainda conforme as informações recebidas, movimentações entre Maranhão e Piauí também estariam sob atenção durante o fim de semana. Os relatos mencionam possíveis intermediários financeiros ligados a empreiteiros e candidaturas, inclusive pessoas apontadas pelos interlocutores como envolvidas em agiotagem. A coluna não dispõe de confirmação oficial desse monitoramento nem de documentos que comprovem as suspeitas. Trata-se de informação de bastidores que exige apuração: a origem, o destino e a finalidade do dinheiro são as perguntas que precisam de resposta.

APOIO A DELEGADO DANIEL DA MARINHA CHAMA ATENÇÃO NO SÃO JOAQUIM. 

A participação de Bianca Medeiros, irmã de Tatiana Medeiros, na campanha do delegado Daniel da Marinha a deputado estadual tem chamado a atenção de moradores do São Joaquim, zona Norte de Teresina, segundo relatos recebidos pela coluna. Os interlocutores apontam que pessoas e casas que apoiaram Tatiana nas eleições municipais agora exibem adesivos do candidato. Tatiana foi condenada em primeira instância por crimes que incluem corrupção eleitoral e organização criminosa, conforme informação oficial do TRE-PI. Essa condenação não transfere responsabilidade à irmã nem aos antigos apoiadores da vereadora.  A curiosidade política destacada nos relatos está justamente no fato de Daniel ser delegado de polícia e receber apoio de Bianca e de parte da antiga base eleitoral de Tatiana naquela região. É essa aproximação, diante da repercussão do caso, que tem despertado comentários entre moradores e militantes  da campanha.


TOGA NO PALANQUE: INTERFERÊNCIA JUDICIAL DERRUBA DEBATE DA GLOBO

O eleitor ficou sem debate, mas viu o Judiciário ocupar o palco. A Globo cancelou o encontro presidencial desta quinta-feira, 1º de outubro, após receber duas decisões que, segundo a emissora, alteraram regras previamente acertadas com os partidos. Lula já havia anunciado que não compareceria, e Flávio Bolsonaro também desistiu de participar. A emissora apontou insegurança jurídica para cancelar o programa. A ministra Estela Aranha, do TSE, nomeada por Lula em 2025, atendeu à campanha do presidente e proibiu a exposição do púlpito vazio identificado com seu nome e as perguntas previstas aos ausentes. Até o PT havia concordado com o regulamento, segundo a Globo. Na avaliação desta coluna, a decisão poupou Lula da imagem politicamente constrangedora de seu lugar vazio. Não compareceu e ainda conseguiu impedir que sua ausência fosse exposta naquele formato. Depois, Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão de Renan Santos, candidato do Missão, atendendo a um pedido do Solidariedade. A Globo contestou a determinação por contrariar seu entendimento sobre os critérios de representação parlamentar. Às vésperas da transmissão, decisões judiciais modificaram tanto a composição quanto a dinâmica do encontro. É esse protagonismo que merece uma crítica dura: quando a toga interfere dessa maneira no palco eleitoral, abre espaço para ser vista como cabo eleitoral. A Justiça precisa preservar a confiança na sua imparcialidade. Neste episódio, o resultado foi um debate cancelado, candidatos sem confronto e o eleitor privado de uma oportunidade de cobrar respostas. Quem perdeu foi o cidadão.

MOVIMENTO ANTI-PT ASSUSTA O KARNAK E PODE FRUSTRAR OS PLANOS DO GOVERNO PARA O SENADO. 

O movimento anti-PT no interior do Piauí ganhou força nesta reta final, segundo relatos que chegam à coluna. A mobilização, descrita como crescente nas últimas duas semanas e mais intensa nas últimas 72 horas, põe o Palácio de Karnak de orelha em pé. Os gritos são contra Lula e favoráveis a Flávio Bolsonaro, mas seria um erro imaginar que esse sentimento não possa alcançar o PT piauiense na urna. Na avaliação da coluna, é essa possibilidade que assusta o palácio. O discurso de vitória antecipada esbarra em um movimento que ganhou as ruas e pode influenciar outras escolhas do eleitor. A ausência de ataques diretos a Rafael Fonteles nessas manifestações não representa um salvo-conduto para o governo. O recado pode começar na eleição presidencial e continuar nos demais votos. No Senado, Ciro Nogueira pode ser o principal beneficiário dessa mobilização, concentrando uma parcela do voto contrário ao PT. A insistência de Rafael em pedir votos para seus dois candidatos pode ser lida como preocupação com essa transferência. O Karnak precisa garantir votos para a chapa inteira, enquanto os manifestantes sinalizam disposição de contrariar o partido do governador. O governo corre o risco de não conquistar as duas vagas que pretende. Perder ambas é uma possibilidade política, embora as manifestações, sozinhas, não permitam apontar esse resultado como tendência. A reta final deixa um recado: estrutura de campanha não garante voto transferido, e confiança de palácio não encerra eleição. Quem decide é o eleitor.