O movimento pró-Flávio Bolsonaro deixou de ser discreto na última semana. Segundo relatos recebidos pela coluna, carreatas, motociatas e caminhadas já alcançaram pelo menos duas dezenas de cidades piauienses. Em alguns municípios, os atos chegaram a rivalizar em tamanho com as mobilizações do governador Rafael Fonteles. A expectativa entre os apoiadores é levar o movimento a pelo menos uma centena de cidades nesta última semana de campanha. O que chama atenção é a presença de jovens puxando atos que, em muitos lugares, não dependem de grandes lideranças políticas. São pessoas que saem às ruas por Flávio e contra o PT. Mas há uma pergunta que nenhum palanque consegue responder por elas: na eleição para governador, esse eleitor vai votar em Rafael Fonteles? Uma carreata não é urna, e ninguém sabe ainda quantos desses votos irão para Joel Rodrigues. Mas, se a rejeição ao PT que apareceu nas ruas também chegar à disputa estadual, o movimento pode ter um peso que as campanhas precisarão medir no próximo domingo. É esse voto, até agora silencioso nas contas do governo, que pode surpreender na reta final.
SE PETRUS DIZ QUE NÃO ESCONDE SEU PASSADO, POR QUE PEDIU À JUSTIÇA PARA RETIRAR ENTREVISTA SOBRE SEU VÍCIO EM DROGAS?
O vereador Petrus Evelyn afirmou nas redes sociais que nunca tentou esconder sua experiência passada com o crack. Disse que falou sobre o assunto à Revista Cidade Verde, em 2011, para ajudar famílias que enfrentavam o mesmo problema. A entrevista voltou ao debate político depois de ser lembrada pelo candidato ao Senado Antônio José Lira. Mas há uma contradição que Petrus precisa explicar. A SilasTV recebeu determinação judicial para retirar uma publicação que reproduzia a entrevista. Se ele diz que não se envergonha do depoimento e que quis usá-lo para ajudar outras pessoas, por que pediu à Justiça que sua reprodução fosse retirada? O vereador pode contestar ofensas ou o uso eleitoral de sua história. Isso, porém, não responde à pergunta sobre a entrevista que ele próprio concedeu. Petrus diz que não quis esconder o passado; sua iniciativa judicial pede uma explicação mais clara sobre o que, exatamente, ele queria tirar de circulação.
QUEM FICA COM AS VAGAS DO PIAUÍ NA CÂMARA FEDERAL?
Hoje, às 13h30, os Contadores de Votos fazem as contas na SilasTV. Pelas projeções que chegam à mesa, a federação PT, PV e PCdoB tem quatro vagas encaminhadas. A quinta dependeria de uma votação excepcional de Delegado Charles. A União Progressista trabalha com duas vagas; a terceira ainda parece distante. O MDB tem uma vaga encaminhada e precisaria de muita matemática e de perdas nas chapas adversárias para conquistar a segunda. O PSD também conta com uma vaga e vê uma possibilidade palpável de fazer dois deputados. Já o Republicanos tem condições de eleger um federal, mas pode ficar pelo caminho se a campanha de Jardiel Alencar, principal nome da chapa, continuar perdendo força. São contas de campanha, sujeitas a mudanças nesta última semana. Hoje os contadores mostram os caminhos. Quem decide é a urna, no domingo.
O “JÁ GANHOU” DO KARNAK PARECE TER MEDO DAS URNAS.
A reta final da campanha no Piauí virou um bombardeio de pesquisas e manchetes com cheiro de fatura liquidada. Levantamentos contratados por veículos de comunicação mostram Rafael Fonteles com larga vantagem, enquanto a propaganda política tenta vender a ideia de que o governo também já resolveu as duas vagas do Senado. Mas o Datafolha mostrou uma disputa apertada entre os três primeiros nomes para essas duas cadeiras. Eleição para o Senado, portanto, está longe de ser conta fechada. É aí que a estratégia causa estranheza. Se a vitória de todos os candidatos majoritários do governo estivesse tão garantida quanto sugerem algumas manchetes, por que insistir tanto no “já ganhou” enquanto o time de Rafael segue trabalhando com força pelo estado? Campanha intensa é natural. O curioso é querer passar tranquilidade absoluta ao eleitor e, ao mesmo tempo, agir como quem sabe que ainda há voto a conquistar. Pesquisa registra intenção de voto no momento em que foi feita. Não apura urna antes da hora. A repetição do discurso de vitória pode até buscar desanimar adversários, mas também deixa uma pergunta incômoda para o Karnak: quem já ganhou precisa convencer o Piauí disso todos os dias?
CANDIDATURA À ASSEMBLEIA É ALVO DE INVESTIGAÇÃO SOBRE POSSÍVEL LIGAÇÃO COM O CRIME ORGANIZADO.
A notícia de que o Ministério Público Eleitoral pediu à Polícia Federal a abertura de um inquérito para investigar uma candidatura no Piauí aguçou a curiosidade nos bastidores da eleição. A suspeita é de possível ligação com uma organização criminosa. O procurador regional eleitoral, Kelston Pinheiro Lages, confirmou que o caso tramita sob sigilo e não divulgou a identidade do candidato. A Coluna Silas Freire apurou que se trata de uma candidatura proporcional à Assembleia Legislativa. É o detalhe que faltava à informação tornada pública: a investigação mira a disputa por uma cadeira de deputado estadual. O nome permanece sob sigilo, e o pedido de investigação não comprova envolvimento de ninguém com o crime organizado. Mas a apuração toca num ponto grave da eleição: saber se há interesses criminosos tentando chegar ao Legislativo piauiense. Agora, cabe à Polícia Federal esclarecer os fatos.
LULA ACABA COM AS BETS E MEXE COM O FUTEBOL NA SEMANA DECISIVA DA ELEIÇÃO.
Depois de regulamentar e tributar as bets, o governo Lula mudou de rumo: a medida provisória assinada na sexta-feira (25) proíbe a exploração e a publicidade das apostas no Brasil. A decisão atinge em cheio os contratos de patrocínio que ajudaram a financiar clubes como Flamengo, Corinthians e Palmeiras. O Flamengo já havia advertido que uma interrupção abrupta colocaria em risco compromissos assumidos pelos clubes. Agora, as diretorias terão de calcular o impacto e buscar outras receitas. Lula defende a proibição pelos danos das apostas às famílias; os clubes cobram uma resposta para o dinheiro que desaparece de seus orçamentos. A decisão também abriu uma frente política que o presidente talvez não esperasse na reta final da campanha. Futebol mexe com milhões de pessoas, mas não dá para dizer que a maioria das torcidas se voltou contra Lula: há torcedores que apoiam a proibição e outros preocupados com as finanças de seus times. O tamanho do prejuízo para os clubes e o efeito desse embate nas urnas ainda serão conhecidos.
Silas Freire