O governador Rafael Fonteles tentou virar o jogo da cobrança sobre a falta d’água no debate da TV Clube, nesta terça-feira (29). Ao perguntar por que Joel Rodrigues não resolveu o abastecimento de Floriano enquanto foi prefeito, levou a responsabilidade para o terreno municipal. Joel respondeu que o serviço era prestado pela Agespisa, empresa estadual. A pergunta voltou contra o próprio governador: quem comandava a empresa que deveria fazer a água chegar? Politicamente, a manobra é cômoda para o Karnak: os problemas ficam no colo dos prefeitos, enquanto o governo procura escapar do desgaste. Mas a deficiência da antiga Agespisa também exige explicações de quem a administrava. Trocar o prestador do serviço não apaga essa história nem encerra a cobrança por resultados. E os prefeitos que apoiam Rafael, como recebem essa conta? São eles que encontram o morador na rua, ouvem a reclamação e enfrentam a cobrança pela torneira seca. Servem para pedir votos ao governador, mas também terão de carregar o desgaste do abastecimento? O povo precisa de água e de resposta. Se o problema é complexo, cabe ao governador mostrar capacidade de enfrentá-lo. Empurrar a cobrança para as prefeituras pode ajudar no discurso eleitoral. Na torneira, não resolve nada.
VOTO ANTI-PT PODE REFORÇAR JOEL E ELIZEU NA RETA FINAL.
As manifestações em apoio a Flávio Bolsonaro relatadas à coluna, com motociatas, carreatas e caminhadas pelo Piauí, merecem atenção na disputa pelo governo. A leitura política é que parte desse eleitorado, antes discreto, esteja tornando pública sua insatisfação com o PT. A questão agora é para quem esse movimento vai entregar o voto de governador. Dois nomes podem disputar essa preferência: Joel Rodrigues, do Progressistas, e Elizeu Aguiar, do Novo. Joel representa a principal candidatura de oposição; Elizeu ganhou espaço nos debates com intervenções contundentes contra Rafael Fonteles. Para o eleitor que procura firmeza no enfrentamento ao governo, os dois aparecem como alternativas. A hipótese de um voto silencioso também merece atenção, especialmente nos municípios onde as lideranças locais estão alinhadas ao Karnak. Isso, porém, não permite concluir que todos os manifestantes sejam indecisos ou que tenham permanecido calados por medo de represálias. O tamanho dessa parcela e seu destino eleitoral serão conhecidos nas urnas. O desafio de Joel e Elizeu é transformar a rejeição ao PT em voto para suas candidaturas. Manifestar apoio a Flávio Bolsonaro não significa ter decidido a escolha estadual. Quem conseguir juntar discurso firme, propostas e confiança poderá conquistar esse eleitor na reta final.
RAFAEL PEDE VOTOS NO DEBATE E EXPÕE INSEGURANÇA COM SUA CHAPA AO SENADO.
O governador Rafael Fonteles aproveitou repetidas vezes o debate da TV Clube para pedir votos aos seus candidatos ao Senado. Diante da audiência da emissora, o governador fez questão de reforçar uma eleição que a propaganda de seus aliados tenta apresentar como encaminhada. Na leitura desta coluna, a insistência entregou a preocupação. Se Rafael estivesse tão convencido da liderança dos seus candidatos, como fazem crer as pesquisas divulgadas e celebradas pelos aliados do Karnak, por que tamanha necessidade de repetir o pedido? Pedir votos faz parte da campanha. Mas a repetição tem significado político: Rafael sabe que sua votação para governador não se transfere automaticamente para os seus candidatos ao Senado. O eleitor pode escolher o governador e tomar outro caminho nas duas vagas de senador. O discurso vende confiança, mas o comportamento no debate mostrou preocupação. Rafael tratou de pedir ao eleitor aquilo que nenhuma pesquisa pode garantir: o voto na urna.
ELISEU AGUIAR APERTA RAFAEL E SAI COMO DESTAQUE DO DEBATE DA TV CLUBE.
Se houve um vencedor no debate da TV Clube, na avaliação desta coluna, foi Eliseu Aguiar, do Novo. No último confronto televisivo antes das eleições, ele foi mais contundente, cercou politicamente Rafael Fonteles e colocou em xeque a imagem de eficiência que o governador apresenta ao eleitor. Eliseu concentrou os ataques no endividamento do Estado e na distância entre a propaganda oficial e as entregas à população. Ao questionar a veracidade do discurso de Rafael, atingiu um ponto central da campanha governista: a credibilidade de quem pede mais quatro anos à frente do Piauí. A cobrança foi direta: se o governo não entregou o que prometeu, com que argumento pede mais tempo? Eliseu procurou associar a gestão à dívida e às promessas sem cumprimento, obrigando Rafael a defender o próprio mandato. Debate também se ganha pela capacidade de colocar o adversário sob pressão. Nesse aspecto, Eliseu se destacou: levou o confronto para o terreno da cobrança e dificultou a tentativa de Rafael de apresentar seu governo como uma gestão de resultados.
JUSTIÇA DERRUBA DUAS PESQUISAS DA ATLASINTEL NO RN; ELEITOR DO PIAUÍ DEVE FICAR ATENTO.
A AtlasIntel divulgou nesta terça-feira (29) uma nova pesquisa eleitoral no Piauí. Mas o eleitor precisa saber o que aconteceu recentemente com o instituto no Rio Grande do Norte: o TRE-RN proibiu a divulgação de duas pesquisas anteriores da empresa e aplicou multas que somam R$ 106.410. A Justiça apontou inconsistências na distribuição territorial das entrevistas, ponderação de dados sem declaração clara e falta de transparência no recrutamento digital. O Ministério Público Eleitoral pediu apuração de possíveis consequências criminais. A decisão não afirmou que houve fraude ou alteração de resultados, mas reconheceu irregularidades graves nos dois levantamentos. Nesta terça, a AtlasIntel voltou a colocar Cadu de Lula liderança para o governo no RN, com 37,1%. Dias antes, a Quaest mostrava Allyson Bezerra na frente, com 39%, e Cadu com 21%. A diferença chama atenção. Depois da decisão judicial sobre as pesquisas anteriores, o instituto deve explicar claramente como coletou e tratou os dados dos novos levantamentos, inclusive o divulgado no Piauí.
ENQUANTO UNS EXIBEM PESQUISAS, CIRO ANUNCIA PONTES E INVESTIMENTOS PARA TERESINA.
Enquanto parte da campanha para o Senado gira em torno da divulgação de pesquisas, Ciro Nogueira procura ocupar outro espaço: anunciar investimentos para Teresina. É uma diferença de estratégia que coloca na conversa eleitoral aquilo que o morador quer saber: o que cada candidato pretende trazer para a capital. Ciro anunciou, ao lado do secretário de Planejamento, Marco Antônio Ayres, duas pontes: uma ligando os bairros Deus Quer e Dirceu Arcoverde e outra na Santa Maria da Codipi, cuja licitação está prevista para novembro. O anúncio também inclui R$ 15 milhões para um novo shopping no antigo prédio da Comepi, no Centro, em parceria com a gestão do prefeito Silvio Mendes. Politicamente, o recado é direto: pesquisa mostra posição na disputa; proposta permite cobrar resultado. Ao apresentar obras para a capital, Ciro leva a campanha para uma discussão que interessa ao cotidiano de Teresina. Agora, os anúncios precisam sair do discurso e chegar à execução porque o eleitor quer atravessar a ponte, não apenas vê-la na propaganda.
VÍDEOS DE SILVIO MENDES NÃO EMPOLGAM E VIRAM ESPAÇO PARA COBRANÇAS.
Silvio Mendes (o maior eleitor de Teresina, vencedor das eleições municipais e ainda dono de muita credibilidade) tem aparecido em vídeos pedindo votos para candidatos proporcionais, principalmente da oposição, mas também da situação. Nos bastidores, porém, candidatos que receberam essas gravações relatam que as publicações na internet não têm produzido o engajamento esperado. Segundo esses relatos, o pedido de voto acaba dando lugar às cobranças pelos problemas da capital. Em vez de comentar o candidato apresentado pelo prefeito, parte dos internautas aproveita a publicação para reclamar e cobrar soluções da Prefeitura. O vídeo pensado para ajudar a campanha vira uma porta aberta para a insatisfação com a cidade. Silvio continua sendo uma liderança respeitada, mas prestígio eleitoral não garante entusiasmo na internet. Os problemas ainda sem solução e as queixas de distanciamento da população pesam nessa conta. Pelo relato das próprias campanhas, a força do prefeito nas urnas ainda não encontrou a mesma resposta como cabo eleitoral nas redes.
BRENO MACEDO GANHA FORÇA NO INTERIOR E VIRA APOSTA DO PV PARA A ASSEMBLEIA.
Na reta final da disputa por vagas na Assembleia Legislativa, Breno Macedo aparece entre os nomes que surpreendem dentro da federação PT, PV e PCdoB. Nos bastidores da aliança, sua candidatura passou a ser tratada como uma aposta forte para assegurar uma cadeira ao Partido Verde na próxima legislatura. Breno entrou na campanha com uma imagem muito ligada a Teresina, pelo capital político de sua esposa, Bárbara do Firmino, filha do ex-prefeito Firmino Filho. Mas, segundo avaliações de aliados, ganhou espaço no interior, especialmente na região valenciana e na região de São Raimundo Nonato, onde sua família tem presença política. O caminho que desenha sua eleição inverte a lógica atribuída à trajetória de Bárbara: enquanto ela tinha na capital a base para buscar complemento no interior, Breno chega à reta final com sustentação no interior e procura em Teresina os votos para completar sua caminhada. Dentro da federação, deixou de ser visto apenas pela ligação com a família Firmino e passou a pesar pelo espaço que construiu durante a campanha.
Silas Freire