Rafael ganha de lavada e usa palanque da vitória para atacar Ciro com palavrões.

Reeleito com cerca de 70% dos votos, Rafael Fonteles tinha uma vitória expressiva para celebrar. Marcelo Castro e Júlio César, seus aliados, conquistaram as duas vagas ao Senado, derrotando Ciro Nogueira. O resultado já era uma demonstração de força do governador. Mas a comemoração ganhou um capítulo incompatível com a responsabilidade do cargo. Conforme o relato da Silas TV sobre o vídeo divulgado também pelo Portal Encarando, Rafael dirigiu palavras de baixo calão contra Ciro durante a festa da vitória. Um adversário já derrotado nas urnas virou alvo de achincalhe na celebração. A crítica é à postura: quem recebe uma votação dessa dimensão deveria responder com grandeza. Palavrão contra adversário não engrandece vitória nem demonstra competência para governar. Rafael venceu a eleição; isso não lhe dá licença para humilhar quem perdeu.

BASTIDORES APONTAM PRESSÃO DO KARNAK E ABANDONO DE CIRO POR CERCA DE 60 PREFEITOS. 

Informações de bastidores reunidas por esta coluna apontam que cerca de 60 prefeitos teriam abandonado o apoio ao senador Ciro Nogueira nas duas últimas semanas da campanha, sob pressão do Palácio de Karnak. A movimentação teria direcionado lideranças municipais para Marcelo Castro e Júlio César, candidatos governistas que conquistaram as duas vagas do Piauí no Senado. Segundo os relatos recebidos pela coluna, entre esses gestores estariam prefeitos de municípios beneficiados por obras e recursos viabilizados pelo gabinete de Ciro nos últimos quatro anos. Na reta final, eles teriam mudado a orientação eleitoral de suas bases. Até as colinhas distribuídas por lideranças ligadas às prefeituras teriam sido alteradas, retirando Ciro e colocando os dois nomes apoiados pelo governo. Essas informações atribuem a articulação ao governador Rafael Fonteles e apontam uma possível explicação para o enfraquecimento de Ciro justamente onde ele esperava encontrar sua fortaleza eleitoral. Nessa leitura dos bastidores, o peso político de Lula na campanha de Júlio César se somou à atuação do Karnak sobre as estruturas municipais. Se confirmado esse movimento, Ciro sofreu uma traição política dentro da base que ajudou a construir. Obras entregues e recursos destinados aos municípios não teriam segurado a fidelidade dos prefeitos diante da pressão governista. A dimensão dessa mudança e a alegada coordenação pelo Karnak ainda precisam ser demonstradas por registros e manifestações dos envolvidos. 

EVALDO, O “SETE VIDAS”, CONTRARIA OS CONTADORES E GARANTE O QUINTO MANDATO. 

Com 38.646 votos, Evaldo Gomes (PT) renovou o mandato de deputado estadual no domingo e garantiu sua quinta passagem consecutiva pela Assembleia Legislativa. Chegou perto da meta de 40 mil votos que anunciava com sua conhecida confiança e deixou para trás as previsões de derrota. Pela  terceira eleição consecutiva, segundo o acompanhamento desta coluna, contadores de votos experientes colocavam Evaldo entre os que não voltariam. Nas contas de bastidores, sua cadeira estava ameaçada. Ele, sempre falante e otimista, sustentava que tinha votos para continuar. A urna confirmou sua confiança. Desta vez, disputando pelo PT e sem comandar uma sigla própria, enfrentou uma concorrência interna pesada e conseguiu renovar o mandato. O resultado mostra que Evaldo conhece suas bases e tem uma estratégia eleitoral que os cálculos de fora nem sempre conseguem enxergar. Entre os colegas, o apelido de “sete vidas” ganha força. Já virou rotina: colocam Evaldo na lista dos derrotados antes da eleição, e ele aparece na lista dos eleitos depois da apuração. O deputado escapou mais uma vez  e com votação para dar seu recado.

SÍLVIO É COBRADO POR INGRATIDÃO E FALTA DE EMPENHO POR CIRO E JOEL. 

A insatisfação com o prefeito Sílvio Mendes saiu dos bastidores e ganhou manifestação pública. Nesta segunda-feira, a ex-deputada federal Iracema Portella afirmou nas redes sociais que não votaria novamente nele e o acusou de ingratidão e egoísmo, criticando sua participação nas campanhas de Ciro Nogueira e Joel Rodrigues. A cobrança é pela falta de reciprocidade. Ciro colocou sua força partidária a serviço da eleição municipal de Sílvio contra o Palácio de Karnak, enquanto Joel esteve ao seu lado na caminhada. Agora, quando os dois precisaram, aliados consideram que o prefeito ficou muito abaixo do esforço esperado. Para quem ajudou a colocá-lo na Prefeitura, declaração de apoio não substitui presença, mobilização e empenho.Sílvio havia anunciado apoio a Ciro e Marcelo Castro para o Senado. Na campanha, apareceu no programa eleitoral de Marcelo pedindo votos para o senador da base governista. É esse contraste que alimenta a revolta: aliados cobram o empenho que, na avaliação deles, faltou para Ciro e Joel. Na avaliação desta coluna, Sílvio termina a eleição devendo uma explicação política aos companheiros que foram decisivos para sua chegada à Prefeitura. A crítica de Iracema expõe uma ferida dentro da oposição: quem recebeu apoio para vencer agora é cobrado por não ter retribuído à altura. Gratidão política também se demonstra quando chega a vez de ajudar.


PL PREPARA MOBILIZAÇÃO POR TODO O PIAUÍ NO SEGUNDO TURNO. 

O PL, partido de Flávio Bolsonaro, está se preparando para percorrer todo o Piauí no segundo turno presidencial. A mobilização reúne Tiago Junqueira, Emily, Frida e a turma da direita que sustentou a campanha bolsonarista no estado. A intenção é colocar o grupo na estrada, fortalecer a campanha nos municípios e ampliar a votação de Flávio Bolsonaro. A expectativa é que outras lideranças se somem ao movimento nesta etapa, aumentando a presença da oposição a Lula no interior e na capital.

VALDEMIR VIRGINO É SOLTO, MAS O CASO NÃO PODE PARAR POR AÍ. 


O vereador Valdemir Virgino (PRD) e o assessor Renato Lucas Vieira tiveram a soltura determinada pela Justiça Eleitoral, conforme notícia do Meio Norte. Presos no sábado (3), em Teresina, os dois são investigados por suspeita de compra de votos e associação criminosa. A decisão estabeleceu medidas cautelares, e a investigação continua. A coluna espera que esse caso não termine apenas na sequência de prisão, soltura e esquecimento. A população precisa saber o que aconteceu, qual era a finalidade do dinheiro apreendido e quem tinha responsabilidade sobre os fatos investigados. Compra de votos é uma suspeita grave e exige apuração até o fim. A defesa nega que o vereador tenha comprado votos. Cabe agora aos investigadores esclarecer os fatos e, comprovado algum crime, cobrar a responsabilização dos envolvidos. Mandato não pode servir de escudo.