Os atos de apoio a Lula realizados por estudantes da UFPI e da Uespi nesta quinta-feira (8) levantam uma cobrança necessária: o respeito a quem não quer participar. As mobilizações tiveram entre suas pautas o temor de redução dos investimentos na educação caso Flávio Bolsonaro seja eleito. É justamente aí que está o limite. Usar o medo para constranger estudantes a aderir a uma manifestação configura pressão psicológica. Professor ou liderança estudantil não tem o direito de exigir alinhamento eleitoral, nem de tratar quem discorda como inimigo da universidade. Quem afirma que haverá cortes radicais precisa apresentar documentos que sustentem essa certeza. A universidade deve estimular o pensamento crítico, e isso inclui questionar o discurso de professores e movimentos de esquerda.
JOEL CONFIRMA CONVITE E PODE AJUDAR A DESTRAVAR CONSTRUÇÃO CIVIL EM TERESINA.
Joel Rodrigues confirmou à coluna, no final da noite desta quinta-feira (8), o convite para assumir a pasta do Desenvolvimento Econômico de Teresina. Ainda falta uma conversa com o prefeito Silvio Mendes para alinhar sua participação, mas a tendência é que aceite. Joel pode ser útil numa área que precisa de diálogo: o setor imobiliário e a construção civil. Empresários relatam à coluna dificuldades com avaliações municipais de terrenos muito acima do preço de compra, encarecendo empreendimentos e levando investidores a buscar espaço na vizinha Timon. Na campanha ao governo, Joel defendia uma redução escalonada de tributos, com estudos para diminuir o ICMS sem comprometer a arrecadação estadual. Essa disposição para discutir a carga tributária pode contribuir, em conjunto com a equipe tributária do município, para encontrar soluções para Teresina. Se essa parceria ajudar a viabilizar loteamentos, obras e empregos, a chegada de Joel terá uma utilidade concreta. A capital precisa de investimento, e a prefeitura precisa ouvir quem quer empreender.
NAZARENO TENTA ASSUSTAR ELEITOR COM O PIX E LEVA RESPOSTA DURA DE ALBERTO FRAGA.
Pegou mal para o ex-deputado Nazareno Fonteles, pai do governador Rafael Fonteles, o vídeo afirmando que Flávio Bolsonaro acabaria com o Pix por orientação de Donald Trump, caso fosse eleito. Uma acusação desse tamanho exige prova. Sem apresentá-la, Nazareno transforma especulação em ameaça para assustar o eleitor. Exibido no programa Vai Encarar da SilasTV, o vídeo recebeu uma resposta contundente do coronel Alberto Fraga (PL), deputado federal pelo Distrito Federal, reeleito com a terceira maior votação do DF. Antigo colega de Nazareno no Congresso, Fraga o chamou de péssimo deputado federal e disse que agora ele também é um péssimo orientador do filho. As outras críticas estão no vídeo disponível nas redes sociais da SilasTV. Nazareno poderia ter evitado ouvir tudo isso se tivesse apresentado fundamento para sua afirmação. O Pix foi criado pelo Banco Central e lançado durante o governo Jair Bolsonaro. Uma ferramenta que facilita a vida dos brasileiros não pode virar instrumento de medo eleitoral. O pai do governador pode defender Lula e torcer pelo futuro político do filho. Mas ambição política não substitui prova. Quem anuncia o fim do Pix precisa sustentar o que diz. Experiência no Congresso deveria aumentar a responsabilidade com a informação.
GUSTAVO ENSAIOU DISPUTA E APOIOU BRUNO: QUAL FOI O ACERTO?
Nos bastidores da Câmara de Teresina, a movimentação de Gustavo de Carvalho deixou uma pergunta. Segundo informações que chegam à coluna, o vereador articulou uma candidatura para enfrentar Bruno Vilarinho, buscou apoio palaciano e, depois, foi oferecer seu apoio ao próprio Bruno. Na leitura da coluna, a candidatura pode ter funcionado como balão de ensaio para ganhar espaço na composição da Mesa Diretora. Gustavo levantou a possibilidade de confronto e terminou ao lado de quem pretendia enfrentar. É legítimo perguntar o que mudou nessa conversa. Não há confirmação de acordo por cargos, muito menos de que Gustavo tenha assegurado metade da Mesa. Mas essa virada merece explicação. Apoio político dessa natureza dificilmente se explica apenas pela voz bonita de Bruno Vilarinho. A composição da próxima Mesa poderá mostrar o alcance desse entendimento.
R$ 102 MIL EM MEIAS: PREFEITURA DE JOSÉ DE FREITAS PRECISA EXPLICAR ESSA CONTA.
A Prefeitura de José de Freitas pagou R$ 102,4 mil por 1.600 kits de meias infantis e a compra virou alvo de inquérito civil do Ministério Público. A suspeita é de sobrepreço de R$ 22,4 mil. É dinheiro do contribuinte, e a gestão de Pedro Gomes dos Santos Filho precisa explicar cada centavo. O município desembolsou R$ 64 por kit. Uma nota fiscal da mesma fornecedora para outra prefeitura registrou R$ 50. São R$ 14 de diferença por unidade. A apuração ainda precisa confirmar se os produtos são equivalentes, mas o prefeito já deve uma resposta pública: o que justifica essa diferença? José de Freitas merece respeito. Não basta entregar material e posar para fotografia: é preciso mostrar quanto custou, como o preço foi definido e por que a conta chegou nesse valor. Compra de meias não pode virar um nó na prestação de contas.
DENÚNCIA DE USO DE DROGAS EM ATOS EXIGE ATENÇÃO DE PAIS E EDUCADORES.
Os atos de ontem (8), em Teresina, convocados em defesa da educação pública e em apoio a Lula, também são alvo de denúncias sobre uso de drogas e manifestações favoráveis a banheiros de uso comum entre os gêneros. Segundo fontes, essas situações foram observadas durante a mobilização e no final do ato na praça dos esqueitistas no bairro Jockey . A denúncia precisa ser apurada. A preocupação mais grave é o relato de consumo de drogas em meio aos participantes. Defender a educação pública não pode servir de desculpa para tolerar esse comportamento nem para expor estudantes a ele. Organizadores e educadores precisam esclarecer o que ocorreu. Pais devem acompanhar os ambientes e as atividades dos quais seus filhos participam. A discussão sobre banheiros também exige clareza e respeito à privacidade dos estudantes. Uma causa legítima não dá autorização para impor outras pautas a quem foi às ruas defender o ensino público.
Silas Freire