BRASIL NÃO É QUINTAL: A OFENSIVA AMERICANA SOBRE AS ELEIÇÕES NO BRASIL E O AVANÇO VIOLENTO SOBRE A AMÉRICA LATINA

O comentário do ex-presidente da Colômbia Gustavo Petro sobre a importância das eleições brasileiras de 2026 para o futuro político da América Latina recoloca o Brasil no centro de uma disputa geopolítica que ultrapassa suas fronteiras. Em setembro de 2026, Petro afirmou que as eleições brasileiras estavam sob risco de sofrer influência de estruturas digitais e interesses políticos que, segundo sua interpretação, já teriam atuado em outros processos eleitorais latino-americanos. A grande importância regional das eleições brasileiras é devido a sua dimensão econômica, política, populacional e diplomática do país: o Brasil é a maior economia e uma das principais potências geopolíticas da América Latina, além de exercer papel relevante no Mercosul e em organismos multilaterais, tanto no âmbito regional quanto global. Nesse cenário, a política externa brasileira torna-se um componente importante da correlação de forças no continente. A atual política externa de Donald Trump para a América Latina tem assumido características coercitivas, duras e agressivas. Em setembro, Donald Trump declarou, na Assembleia Geral da ONU, que os Estados Unidos poderiam utilizar seu poder militar para proteger seus interesses nacionais vitais na América Latina. A operação norte-americana que sequestrou Nicolás Maduro, em janeiro de 2026, e a posterior atuação de saquear o petróleo venezuelano constituem um exemplo real e violento dos Estados Unidos da América, dentro da nova realidade que está sendo imposta por Donald Trump

Nesse contexto, o Brasil, como potência geopolítica regional, não deve adotar automaticamente uma lógica de confronto ou de alinhamento. O desafio brasileiro consiste em preservar sua autonomia estratégica, defender seus interesses nacionais e ampliar sua capacidade de articulação com os demais países latino-americanos e com as nações do Sul Global. A Doutrina Monroe — “América para os americanos” —, historicamente associada à política externa dos Estados Unidos, ganha novos contornos na administração Trump. Nesse contexto, a expressão crítica de que Donald Trump seria o “porra-louca da economia global” e o “gângster da diplomacia internacional” sintetiza uma visão contundente sobre sua atuação no cenário internacional. Nesse sentido, as eleições de 4 de outubro de 2026 serão importantes para o Brasil, como potência regional e relevante ator do sistema internacional, na definição de suas prioridades relacionadas à soberania, à diversificação de parcerias, à maior integração latino-americana, à autonomia decisória e à cooperação com o Sul Global. O fato é que a eventual reeleição de Lula poderá ser analisada, por seus defensores, como elemento de continuidade de uma política externa voltada à consolidação dos interesses nacionais e ao fortalecimento do Brasil como ator global, em meio ao novo rearranjo de forças que está em curso. América Latina para os latino-americanos. Donald Trump que se lasque!