Palácio de Karnak gasta mais de meio milhão de reais em filé mignon e cordeiro em “emergência”

O Palácio de Karnak firmou um contrato em regime de emergência no valor exato de R$ 628 mil para abastecer sua cozinha com carnes nobres  filé mignon, cordeiro, contra filé e outros cortes que raramente chegam à mesa da maioria dos piauienses. A justificativa de urgência para adquirir produtos de luxo, sem licitação, é o primeiro estranhamento da lista. Pelos números apresentados, o palácio consumiria mais de 170 quilos por dia útil dessas carnes premium, um volume que não combina com a rotina de um prédio administrativo. Parece menos uma contratação emergencial e mais a manutenção de um cardápio de excelência digno de hotel cinco estrelas  bancado com dinheiro público. Enquanto o interior do estado enfrenta situações básicas como falta de água potável, a prioridade no Karnak parece outra: garantir que jamais falte filé mignon fresco no almoço oficial. Pouca transparência, muito requinte. E um detalhe que o contribuinte não pode ignorar: essa conta de R$ 628 mil não sai da cozinha  sai do bolso do povo.



PSDB do Piauí tenta se reorganizar, mas sem empolgar. 

O PSDB nacional decidiu entregar o comando do partido no Piauí ao advogado Jorge Lopes, nome conhecido nos meios jurídicos e que já circulou por diferentes legendas. A nova composição traz ainda a médica Lúcia Santos, figura histórica do tucanato, e o presidente do Sindicato dos Médicos, o doutor Samuel Rego. São perfis respeitados, de credibilidade profissional, porém sem expressão política, sobretudo no campo eleitoral. Na prática, o PSDB ganha uma direção composta por “gente boa”, mas continua distante de qualquer protagonismo. Falta densidade, discurso e competitividade para enfrentar as urnas do próximo ano. Para o eleitor piauiense especialmente o de Teresina que já conheceu um PSDB de Firmino Filho, Chico Gerardo e Sílvio Mendes, o que se vê hoje é outra realidade. Ao partido, restam as lembranças. Apenas lembranças.


Daniel Carvalho e os nove meses para produzir uma única moção. 

O vereador Daniel Carvalho (MDB) completa nove meses de mandato com uma produção legislativa que chama atenção mais pela escassez do que pela relevância. Nesse período, o parlamentar conseguiu dar à luz apenas uma moção de apoio ao ministro Alexandre de Moraes  gesto que, longe de consenso, é no mínimo contestável. A escolha causa estranheza especialmente diante do noticiário recente: a Polícia Federal encontrou um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master, investigado por fraudes bilionárias, e o escritório da esposa de Moraes. O caso provoca debates no país inteiro, tanto pela magnitude do valor quanto pelo risco de conflito de interesses. Soma-se a isso o conjunto de decisões do ministro classificadas por setores da sociedade como autoritárias, o que naturalmente amplia o caráter polêmico de qualquer homenagem. Diante desse cenário, fica a pergunta incômoda: é essa a prioridade legislativa que Teresina esperava de um vereador bem votado? Nove meses de mandato para produzir uma única moção  ainda por cima discutível  parece pouco para quem recebeu a confiança do eleitorado da capital. Teresina certamente merecia mais.


Júlio César recua e se ausenta de votação sobre redução de penas do 8 de Janeiro. 

A Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira, o projeto que reduz significativamente as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro  texto que, se já estivesse em vigor, diminuiria para apenas 2 anos e 4 meses a pena atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje superior a 20 anos. A proposta segue para o Senado e já recebeu sinalização de veto do presidente Lula, que considerou a medida inadequada. Em meio ao clima de tensão política, o deputado Júlio César (PSD-PI), candidato ao Senado, decidiu não comparecer à votação. A ausência ocorreu apesar de seu partido, o PSD, ter orientado fortemente o voto favorável ao projeto. O parlamentar buscou evitar desgaste com o Palácio do Planalto — especialmente com o PT, que o apoia no Piauí  e, ao mesmo tempo, não contrariar a direção nacional de sua própria legenda, que ele preside. O gesto é interpretado como uma manobra calculada para não ofender nenhum dos lados num momento eleitoralmente sensível. Mas, fora dos gabinetes, a leitura é mais direta: a população não costuma perdoar o parlamentar que se esconde da responsabilidade de decidir.



Alepi aprova mais um megaempréstimo e endividamento do Piauí vira rotina. 

Fonte:Thiago Amaral 

A Assembleia Legislativa do Piauí aprovou, sem resistência, mais um pedido de crédito do Governo do Estado: US$ 600 milhões junto ao BID — cerca de R$ 3,2 bilhões. O governo argumenta que a operação servirá para “reestruturar a dívida”, mas o novo aporte se soma a uma longa sequência de autorizações recentes, que já ultrapassam dez pedidos de empréstimos somente neste ano, incluindo o pacote de cerca de R$ 11,5 bilhões aprovado em maio e outro de R$ 4,98 bilhões autorizado na última semana. Apesar do volume de endividamento, muitos desses financiamentos ainda nem foram liberados pelas instituições, devido à capacidade de pagamento limitada do Estado. Mesmo assim, o governo segue acelerando solicitações movimento interpretado como tentativa de garantir caixa para a virada do ano, obras, alianças políticas e, sobretudo, o período eleitoral que se aproxima. Entre governo e Assembleia, o ritmo é de aprovação automática. Entre técnicos e opositores, a preocupação é crescente: o Piauí já acumula dívidas que podem comprometer futuros governadores. No fim das contas, quem arcará com a conta da série de empréstimos não é o governo atual é o Estado do Piauí e suas próximas gestões.



Câmara recua e evita cassação de Glauber Braga, que cumprirá suspensão de seis meses. 

A Câmara dos Deputados reverteu, nesta quarta-feira, o processo que poderia levar à cassação do mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). O parlamentar, que enfrentava no Conselho de Ética um parecer pela perda do mandato após agredir um membro do MBL dentro da Casa, recebeu no plenário uma punição mais branda: a suspensão temporária por seis meses. A votação mudou o rumo do caso. Embora o Conselho de Ética tivesse encaminhado o processo para cassação sob o argumento de quebra de decoro parlamentar, deputados articularam um acordo e aprovaram uma proposta alternativa, afastando Glauber por meio ano, mas preservando o seu mandato. Com a decisão, o PSOL e aliados celebram o resultado como uma vitória política, evitando a punição máxima. Glauber fica impedido de exercer suas funções parlamentares pelos próximos seis meses, mas retorna ao cargo com todos os direitos garantidos ao fim do período, sem qualquer restrição eleitoral ou política. A agressão que originou o caso ocorreu durante um embate com um integrante do MBL, dentro da Câmara, episódio que desencadeou a representação e o avanço do processo disciplinar. Mesmo assim, o plenário considerou a suspensão suficiente para caracterizar a puni