O jornalista Luís Pablo Conceição detalhou, em entrevista ao programa Poder Expresso do SBT News, as circunstâncias da operação de busca e apreensão da Polícia Federal realizada em sua residência. A ação, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ocorreu após o profissional publicar duas reportagens denunciando o suposto uso indevido de um veículo blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) pela família do também ministro do STF, Flávio Dino.
Segundo o relato do jornalista à âncora Raquel Landim, a operação ocorreu às 6h da manhã de terça-feira (10). Durante a ação, os agentes federais apreenderam os instrumentos de trabalho de Luís Pablo: dois aparelhos celulares, um computador e um HD externo.
A Denúncia
A investigação jornalística de Luís Pablo apontou que o TJ-MA possui quatro veículos blindados destinados a autoridades. Um desses carros, no entanto, estaria sob a posse da família do ex-governador do Maranhão, Flávio Dino.
De acordo com o jornalista, o veículo vem sendo utilizado de forma privada pela esposa do ministro, inclusive em momentos em que Dino não está presente no estado. Luís Pablo afirma ter tido acesso a um documento do STF que solicitava ao estado apenas o apoio de policiais militares para a segurança do ministro durante suas visitas, sem qualquer pedido formal para a cessão de um carro. Posteriormente à publicação, o STF teria encaminhado uma solicitação para que o ministro pudesse continuar utilizando o veículo.
Acusação de "Perseguição"
O jornalista revelou que a justificativa para a operação policial é a imputação do crime de perseguição. A acusação sugere que Luís Pablo estaria monitorando o ministro Flávio Dino e sua família.
O profissional rechaçou a acusação, classificando o episódio como "um absurdo" e um precedente "preocupante para todos os jornalistas". Luís Pablo defendeu seu trabalho, ressaltando que cumpriu todos os protocolos do jornalismo investigativo. "Jamais fiz isso [perseguir]. Fiz minha atividade de jornalismo investigativo, encaminhei e-mail às instituições, para o STF e para o Tribunal de Justiça. Não me responderam e eu divulguei a informação", concluiu.