EDITORIAL POR: Washington Sucupira
O Brasil e o mundo vivem um momento de profundas transformações econômicas, políticas, socioculturais e tecnológicas. No aspecto tecnológico, o uso das novas tecnologias nos meios de comunicação e o controle das mesmas pelas Big Techs impuseram novos padrões de comportamento e consumo no cotidiano das sociedades. Neste confuso mundo instantâneo, as sociedades se deparam com a rapidez das informações, com a inteligência artificial e com as redes sociais, cada vez mais presentes neste mundo global conectado.
As informações econômicas e políticas, o trabalho, o consumo e o lazer continuam — e continuarão — sendo o “motor” da vida... só que agora inseridos em outra realidade e submetidos à velocidade contemporânea e à algoritmização das informações. Eis um grande problema! Hoje, é cada vez mais difícil distinguir o falso do verdadeiro.
Na política brasileira, por exemplo, uma decisão tomada em Brasília pode ser imediatamente transformada em milhares de mensagens, vídeos, memes e opiniões nas redes sociais. Uma informação verdadeira pode circular ao lado de uma informação falsa; uma análise econômica pode aparecer ao lado de uma interpretação completamente distorcida. O cidadão passa, muitas vezes, a conhecer a política não necessariamente pelos fatos, mas pela maneira como esses fatos são apresentados no ambiente virtual, muitas vezes de forma distorcida, criando uma realidade paralela.
E a economia? O dinheiro que recebemos é real, mas grande parte dele já não circula fisicamente. Salários, pagamentos, investimentos, compras e transferências acontecem por meio de telas, aplicativos e sistemas digitais. O PIX é um exemplo dessa transformação: o dinheiro continua representando riqueza, trabalho e capacidade de consumo, mas sua existência cotidiana torna-se cada vez mais virtual.
No mundo virtual, as palavras digitadas estão substituindo as palavras faladas no WhatsApp, no Instagram, no Messenger e em outras plataformas da dinâmica cotidiana. No ambiente digital, pode-se construir uma imagem que nem sempre corresponde à realidade. A porra do algoritmo atua na construção e na formação das marionetes digitais. Somos marionetes digitais conectadas? O pensar, o fazer e o consumir estão de acordo com os padrões da algoritmização impostos pela nova dinâmica glocal?
É fato que temos a capacidade de enxergar além daquilo que aparece como uma verdade inexorável do “real” mundo virtual. Podemos, sim, compreender a realidade econômica, política e ambiental, bem como os possíveis interesses existentes por trás da informação, da notícia e de uma imagem. O desafio contemporâneo é justamente esse: distinguir o virtual-real verdadeiro do virtual-real das fake news.