O Bloquinho 22 promete colocar a direita nas ruas de Teresina neste sábado, 17. Com concentração anunciada em frente ao Shopping Rio Poty, na Avenida Marechal Castelo Branco, o ato terá Nikolas Ferreira como principal atração em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Samantha Cavalca estima reunir entre 20 mil e 30 mil pessoas uma expectativa que dá a dimensão da aposta política no evento. Tiago Junqueira, Samantha e aliados trabalham para transformar a presença de Nikolas em uma grande demonstração de força. Na mobilização , entram caravanas, jovens e apoiadores de partidos como PP e União Brasil. O entusiasmo abre espaço para reunir a direita e setores do centro em torno da mesma candidatura. Flávio saiu do primeiro turno com aproximadamente 24% dos votos válidos no Piauí. Chegar aos 30% ou ultrapassar essa marca é uma possibilidade política a ser construída, e o ato pode funcionar como impulso nessa direção: animar apoiadores, ampliar a presença nas ruas e levar a campanha a novos eleitores. Se a expectativa de público se confirmar, Teresina poderá assistir a uma das maiores manifestações desta campanha no estado. Para a esquerda, será um recado de que existe disputa. Para os apoiadores de Flávio, a oportunidade de transformar empolgação em voto.
EXTREMOS NA URNA, ABISMO NA RENDA: BONFIM DO PIAUÍ E NOVA PÁDUA (RS).
Bonfim do Piauí deu 88,73% dos votos válidos a Lula no primeiro turno. Nova Pádua, no Rio Grande do Sul, entregou 87,02% a Flávio Bolsonaro. Dois municípios, duas escolhas e um contraste social que merece atenção. Em Bonfim, dados de abril de 2026 registram 1.349 famílias atendidas pelo Bolsa Família, com repasses de R$ 905.290 naquele mês. Em Nova Pádua, o levantamento divulgado aponta apenas 22 famílias beneficiárias. A diferença chama atenção, embora os números absolutos, sozinhos, não expliquem o voto nem meçam toda a realidade econômica das cidades. Politicamente, fica a cobrança: depois de tantos anos de influência petista no Piauí, onde estão as oportunidades para que mais famílias possam viver do próprio trabalho? O Bolsa Família protege quem precisa. Mas governo nenhum deveria se acomodar com a pobreza muito menos transformar a necessidade do povo em troféu eleitoral.
PT ADIA REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL E PODE PAGAR CARO NAS URNAS.
A redução da maioridade penal colocou o PT numa posição desconfortável. A oposição apresentou emenda à PEC da Segurança Pública para estabelecer responsabilização penal aos 16 anos como regra geral e aos 14 em crimes hediondos, tortura, tráfico, terrorismo e participação em organizações criminosas. A proposta é do senador Rogério Marinho (PL-RN). No PT, a tentativa de Camilo Santana de admitir a redução para 16 anos apenas nos crimes hediondos provocou resistência interna. A orientação defendida por integrantes da bancada era aprovar a PEC sem mudanças, evitando seu retorno à Câmara. Lula declarou apoio à redução restrita, mas quer discutir o assunto depois da aprovação da PEC. A votação acabou adiada por Davi Alcolumbre, que negou atender a pedido do governo. Mas o problema político ficou no colo petista: ao tentar empurrar essa discussão para depois, o partido abre espaço para a oposição apresentar sua proposta de endurecimento penal e cobrar uma posição clara do governo. Na avaliação desta coluna, essa postura pode custar caro entre os eleitores que defendem punições mais duras para adolescentes autores de crimes graves. O PT corre o risco de transformar uma discussão que pretende adiar numa cobrança imediata nas urnas. Segurança pública não sai da preocupação do eleitor porque saiu da pauta do Senado.
LULA DIZ QUE NÃO SABIA DO REAJUSTE DO BOLSA FAMÍLIA, ANUNCIADO ÀS VÉSPERAS DA ELEIÇÃO.
Depois de mais de três anos de governo, Lula afirmou na sabatina da Globo, nesta quinta-feira (15), que não sabia que o Bolsa Família estava sem reajuste. O aumento acabou anunciado às vésperas do primeiro turno. Questionado, o presidente negou motivação eleitoral.A explicação cobra um preço político: como o presidente que faz do programa uma de suas principais bandeiras desconhecia a falta de correção? Se não sabia, faltou acompanhamento. Se precisava cobrar os ministros, teve mais de três anos para isso. Para quem depende do benefício e enfrenta o supermercado todo mês, a demora tem consequência concreta. O reajuste é necessário; o que exige explicação é a coincidência entre a descoberta do problema e a chegada da eleição.
LULA PROMETE BENEFÍCIOS NA RETA FINAL, MAS QUEM VAI PAGAR ESSA CONTA?
Na reta final da disputa, Lula ampliou benefícios e apresentou novas promessas, entre elas transporte gratuito nos fins de semana. O conjunto de medidas trouxe questionamentos sobre o financiamento das despesas e seus efeitos nas contas públicas. É nesse ponto que o discurso de proteção aos mais humildes precisa enfrentar uma cobrança: de onde virá o dinheiro para manter o que está sendo anunciado? Apresentar essa conta também é respeitar quem depende do governo. A demagogia começa quando a promessa rende voto agora e deixa o financiamento para depois. Quem recebe Bolsa Família precisa da segurança de que o benefício continuará chegando. Responsabilidade com o dinheiro público também é proteção social.
NAZARENO CRIA DESGASTES PARA LULA, E RAFAEL TERIA PEDIDO FREIO NAS REDES.
Rafael Fonteles teria pedido ao pai, o ex-deputado Nazareno Fonteles, que se afastasse das redes sociais para evitar novos desgastes na campanha de Lula. O relato de bastidores ainda não tem confirmação pública, mas surge depois da repercussão de manifestações do ex-parlamentar contra Flávio Bolsonaro. Na primeira delas, Nazareno afirmou que Donald Trump mandaria Flávio acabar com o Pix caso o candidato fosse eleito, sem apresentar provas dessa suposta determinação. A declaração provocou reação do deputado Alberto Fraga (PL-DF), que o chamou de “vagabundo” em entrevista à SilasTV. Questionado, Rafael disse que não havia visto o vídeo do pai. Agora, segundo o relato encaminhado à Coluna Silas Freire, Nazareno recorreu ao cristianismo e à comparação entre o “DNA” de Flávio e Jair Bolsonaro para abordar o desrespeito às mulheres. A cobrança, porém, encontra uma contradição dentro de casa: na comemoração eleitoral de 4 de outubro, Rafael proferiu ofensas que atingiram Ciro Nogueira e sua mãe, Eliane Nogueira. No dia 6, o governador pediu desculpas ao senador, aos familiares e ao povo do Piauí. Quem pretende cobrar respeito às mulheres precisa aplicar a mesma régua aos aliados. O pedido de desculpas de Rafael foi necessário, mas não apaga o episódio. E o cristianismo merece mais que ser convocado como argumento de conveniência eleitoral.
AIRES AMPLIA PODER NA GESTÃO SILVIO E GANHA ARES DE PRIMEIRO-MINISTRO.
Marco Antônio Aires vai acumulando influência na Prefeitura de Teresina e ganhando ares de primeiro-ministro de Silvio Mendes. Seu sobrinho, Bruno Vilarinho, conquistou a presidência da Câmara para 2027–2028 por unanimidade, com apoio do PT. Uma vitória que também fortalece politicamente o tio. Agora, a escolha do bom de conversa Alan Brandão para a liderança do prefeito abre outra frente nessa movimentação. Alan permanecerá na SDU Norte até dezembro, mas sua saída já coloca a sucessão do órgão no centro das articulações. Para Silvio, um aliado na defesa do governo; para Aires, segundo o relato de bastidores, a oportunidade de emplacar mais um nome em posição estratégica. Se conseguir indicar o substituto, Aires ampliará sua influência sobre uma estrutura importante de obras e serviços da capital. A indicação ainda precisa se confirmar, mas a movimentação mostra que ele sabe ocupar os espaços abertos dentro da administração. Menino besta esse Marco Antônio Aires! Só não convém confundir avanço administrativo com enterro político de Jeová Alencar. Se Aires considera o vice superado, pode estar fazendo a conta antes da hora. Jeová conserva peso político próprio e capacidade de articulação. Uma coisa é ganhar espaço no gabinete; outra é ter mais força na política.
Silas Freire