Concorrentes estariam usando vídeos de Rafael para minar sua indicação à Fazenda.

Segundo relatos de bastidores recebidos pela coluna, concorrentes de Rafael Fonteles ao Ministério da Fazenda estariam fazendo circular vídeos do governador entre empresários e nomes influentes da Faria Lima. A origem dos envios e a participação desses adversários, porém, não estão comprovadas. Entre os registros estaria o episódio dos ataques ao senador Ciro Nogueira e à sua família, pelo qual Rafael pediu desculpas publicamente. Também estariam sendo distribuídas imagens de comemorações e da visita ao Porto de Luís Correia, apresentadas pelos remetentes como demonstrações de consumo de álcool, sem que isso, por si só, comprove embriaguez. A intenção atribuída à movimentação seria enfraquecer a imagem de equilíbrio que favorece o governador na disputa pela pasta. Além dos questionamentos sobre as contas do Piauí, seus concorrentes estariam tentando colocar sua postura pessoal sob julgamento do mercado financeiro. Se confirmada, a articulação revela um jogo rasteiro nos bastidores da sucessão ministerial: usar esses episódios para desgastar Rafael e reduzir suas chances de chegar à Fazenda. 

BANDEIRA NO CARGO, RAFAEL NO COMANDO?

Relatos de bastidores que chegam à coluna indicam que Rafael Fonteles trata como certa sua possível ida para um ministério do governo Lula. Mesmo diante da perspectiva de deixar o Palácio de Karnak, o governador já estaria articulando a composição do secretariado, mantendo nomes de sua extrema confiança nas principais pastas. Se o cenário se confirmar, Washington Bandeira poderá assumir o governo com uma equipe previamente montada e diretrizes políticas definidas pelo atual governador. Na prática, a mudança no comando formal não significaria necessariamente uma mudança na condução administrativa. Bandeira assumiria a cadeira de governador, mas Rafael, mesmo em Brasília, poderia continuar exercendo influência sobre as principais decisões do Piauí. A questão que fica é: quem dará a palavra final no governo?

ANSIEDADE NA BASE E SILÊNCIO DIANTE DE RAFAEL. 

Nos bastidores da base governista, deputados eleitos aguardam uma convocação do governador Rafael Fonteles para tratar da composição do governo. Parte deles espera assumir secretarias e, com isso, abrir espaço para a convocação de suplentes na Assembleia Legislativa. Outros pretendem permanecer no mandato, mas querem participar da indicação de nomes para ocupar cargos na administração estadual. A demora nas conversas tem aumentado a expectativa e provocado inquietação entre os parlamentares. A possibilidade de suplentes serem acomodados diretamente em secretarias também gera desconforto entre os titulares, que reivindicam participação nas escolhas e espaço nas decisões sobre a distribuição dos cargos. Apesar da insatisfação, o assunto ainda é tratado com cautela. Com Rafael concentrando as decisões sobre a formação da equipe, os deputados evitam cobranças públicas. Todos querem espaço na composição do governo, mas poucos parecem dispostos a contrariar o governador antes de conhecer suas decisões.

FÁBIO NOVO NÃO PRETENDE CEDER ESPAÇO A DR. VINÍCIUS EM TERESINA. 

Passada a euforia eleitoral, a base governista deverá enfrentar uma disputa interna pela Prefeitura de Teresina. Nos bastidores, a tendência é de que os partidos lancem candidaturas próprias no primeiro turno. O MDB sinaliza com Severo Eulálio, enquanto o PSD também avalia alternativas. O embate mais direto, entretanto, poderá acontecer dentro do PT. Segundo informações de bastidores, Fábio Novo não pretende abrir mão de uma nova candidatura para dar espaço a Dr. Vinícius, que também trabalha sua articulação dentro do partido. Entre os adversários internos, há quem avalie que Fábio já teve suas oportunidades. Seus aliados, por outro lado, defendem que ele assumiu o desgaste de enfrentar a oposição na capital e esteve à frente de articulações de programas como o OPA, que contribuíram para fortalecer politicamente Rafael Fonteles em Teresina. Na avaliação desse grupo, o trabalho realizado credencia Fábio a disputar novamente a Prefeitura. O petista não estaria disposto a abrir mão do espaço conquistado. A escolha do candidato do PT promete, portanto, uma disputa interna, sem caminho livre para Dr. Vinícius.

WELLINGTON PREPARA BASE PARA FEDERAL E PODE COBRAR DE VOLTA APOIOS DE REJANE. 

Nos bastidores, a movimentação de Wellington Dias já teria como horizonte as eleições de 2030. A partir das disputas municipais de 2028, o senador pretende organizar uma base eleitoral para deputado federal. O projeto poderá ter seu próprio nome ou o de alguém da família, mas a estruturação dos colégios eleitorais começaria independentemente de quem venha a disputar a vaga. Inicialmente, Wellington seria o candidato, caso Rafael Fonteles entre na disputa pelo Senado. Em outro cenário, a estrutura poderá ser aproveitada por um familiar, inclusive pelo filho Vinícius Dias, que não conseguiu se eleger deputado estadual. Um dos pontos de partida seria a recuperação de apoios ligados a Rejane Dias, que o grupo considera terem sido transferidos ao deputado Santana. A estratégia agora seria antecipar a organização política, identificar lideranças, definir colégios eleitorais e consolidar compromissos antes da próxima campanha. A dúvida é se essas lideranças estarão dispostas a retornar ao grupo de Wellington ou se permanecerão com Santana. O senador poderá reivindicar os antigos espaços, mas, na política, apoio emprestado nem sempre tem devolução garantida.

VEREADORES DEVEM PRIORIZAR OBRAS E MELHORIAS NOS BAIRROS, NÃO FESTAS, NO ORÇAMENTO DE TERESINA. 

A discussão do orçamento de Teresina para 2027 coloca em pauta uma questão importante: quais serão as prioridades dos recursos públicos? Além de garantir o funcionamento da máquina municipal, a proposta precisa contemplar demandas como o reajuste dos servidores e a instalação de um novo Conselho Tutelar na região do Dirceu, na zona Sudeste. Os vereadores devem apresentar mais de 200 emendas ao orçamento. É nesse momento que a população precisa acompanhar de perto e cobrar dos parlamentares a destinação dos recursos. A cidade tem necessidades que não podem continuar esperando. Calçamento, urbanização, espaços esportivos, praças arborizadas e melhorias na infraestrutura dos bairros precisam estar entre as prioridades. Investimentos em festas, bailes e festivais também exigem critérios, transparência e justificativa. Não faz sentido deixar demandas básicas sem atendimento enquanto recursos públicos são destinados a eventos sem que estejam claras suas prioridades e contrapartidas para a população. O orçamento pertence à cidade, não aos interesses eleitorais de grupos políticos. Cabe aos vereadores apresentar emendas que resultem em benefícios coletivos e aos eleitores fiscalizar as escolhas. Teresina precisa de mais obras e melhorias nos bairros, não de um orçamento transformado em calendário de festas.

ONDE RAFAEL VAI ACOMODAR OS ALIADOS QUE FICARAM PELO CAMINHO?

A formação da nova estrutura política do governo Rafael Fonteles terá uma conta delicada: encontrar espaço para aliados que saíram derrotados das urnas. Entre os nomes que movimentam as conversas estão petistas de peso, como Merlong Solano e Florentino Neto, primeiro e segundo suplentes de deputado federal, respectivamente, além de Franzé Silva, ex-presidente da Assembleia Legislativa que não conseguiu renovar o mandato. Nos bastidores, a expectativa é que esses nomes sejam contemplados com espaços relevantes na estrutura administrativa. Pela trajetória política e influência dentro do grupo governista, dificilmente aceitariam acomodações de pouca expressão. Uma das possibilidades seria buscar cargos na estrutura federal, aproveitando a proximidade de Rafael com o governo Lula. O problema é que a disputa por indicações também envolve os parlamentares eleitos, que querem garantir espaço para seus próprios aliados. A distribuição precisa atender a diferentes partidos e grupos políticos. A equação inclui ainda nomes que chegaram mais recentemente à base governista, como Gracinha Mão Santa, cuja acomodação também é assunto nas articulações, apesar do resultado eleitoral. Rafael terá de administrar interesses distintos: abrir espaço para quem perdeu sem deixar de atender aos que conquistaram mandato. Enquanto as definições não chegam, cresce a expectativa entre os aliados que aguardam uma resposta sobre o futuro político.