Rafael mira a Fazenda, já escala os “Rafaboys”, mas pode posar de quem recusou.

Nos bastidores do Palácio de Karnak, circula a informação de que o governador Rafael Fonteles trabalha com dois caminhos para seu futuro político. O primeiro é ser confirmado no Ministério da Fazenda. Segundo relatos que chegaram à coluna, ele já teria sondado pessoas de sua confiança para acompanhá-lo em Brasília. Entre os nomes mencionados estão Pedro Rocha, eleito segundo suplente de senador na chapa de Júlio César; Samuel Pontes do Nascimento, secretário de Administração; e Marcelo Noleto, integrante do núcleo próximo ao governador. Seriam quadros escolhidos para uma eventual passagem de Rafael pelo governo federal. As sondagens não têm confirmação pública. O problema é que o currículo acadêmico, que ajudou a projetar Rafael nacionalmente, passou a dividir espaço com o exame das contas do Piauí. A Folha de S.Paulo apontou déficit primário acumulado de R$ 3,7 bilhões no período analisado de sua gestão. O dado alimenta cobranças sobre a imagem de competência fiscal apresentada como credencial para comandar a economia brasileira. É nesse cenário que aparece a segunda linha. Conforme a versão que circula no Karnak, caso a indicação perca força, Rafael buscaria uma consulta ou um convite de Lula para então anunciar que prefere permanecer no Piauí e cumprir a missão recebida dos eleitores. Essa articulação também não está publicamente confirmada. Entre a possibilidade de assumir a Fazenda e a narrativa de que preferiu continuar no governo estadual, Rafael tem dois caminhos políticos em discussão. Por enquanto, porém, não há confirmação de convite oficial, indicação definida ou decisão do governador.


DÉFICIT DE R$ 3,7 BILHÕES NO PIAUÍ PODE PESAR  CONTRA IDA DE RAFAEL PARA O MINISTÉRIO. 

O currículo do governador Rafael Fonteles (PT) impressionou e ajudou a colocá-lo entre os cotados para o Ministério da Fazenda. Matemático e mestre em Economia Matemática, ganhou projeção como nome técnico para comandar a economia brasileira. Quando a imprensa nacional e instituições financeiras passaram a examinar os resultados do Piauí, porém, apareceram números que cobram explicações. Segundo a Folha de S.Paulo, o déficit primário acumulado no período analisado de sua gestão atingiu R$ 3,7 bilhões, contra R$ 147 milhões negativos na administração anterior. Os investimentos cresceram, mas o resultado primário piorou, e o Estado descumpriu as metas desse indicador em 2023 e 2025. A cobrança tem um agravante: Rafael foi secretário da Fazenda de Wellington Dias antes de chegar ao governo. Conhecia as contas, comandava a política fazendária e participou da gestão anterior. Sua responsabilidade pela trajetória fiscal do Piauí, portanto, começou antes de assumir a cadeira de governador. Com gestores do mercado relativizando o entusiasmo por seu nome, a piora do resultado primário pode se transformar em obstáculo político à indicação. O currículo abriu a discussão sobre Rafael na Fazenda. Agora, os resultados do Piauí exigem que ele demonstre por que merece administrar as contas do Brasil.

BASTIDORES FERVEM COM POSSÍVEL REVIRAVOLTA NAS BANCADAS DO PIAUÍ. 

Ganham força nos bastidores políticos e entre profissionais do direito eleitoral do Piauí relatos de que duas candidaturas das eleições proporcionais de 2026 podem enfrentar impedimentos à diplomação. A coluna tomou conhecimento dos nomes mencionados, mas aguarda manifestação oficial do Ministério Público Eleitoral e da Justiça Eleitoral antes de divulgá-los. As informações que circulam apontam situações distintas. Na disputa estadual, os relatos mencionam uma possível medida relacionada a suposto crime eleitoral. Na disputa federal, a especulação envolve uma eventual não diplomação acompanhada da invalidação de votos de uma chapa, o que poderia abrir caminho para a eleição e diplomação de outro candidato a deputado federal, de outra chapa. São rumores fortes e recorrentes nos bastidores, mas a coluna ainda não dispõe de documentos que confirmem pedidos do Ministério Público Eleitoral ou decisões da Justiça. As consequências mencionadas também dependem do conteúdo e do alcance de uma eventual decisão. O assunto já movimenta o meio político porque, se confirmado, pode mudar quem ocupará cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Os nomes chegaram à coluna. Agora, falta o posicionamento oficial para esclarecer o que, de fato, poderá sair dos bastidores e chegar ao resultado das urnas.

TIAGO JUNQUEIRA DESCARTA DISPUTA PELA PREFEITURA DE TERESINA E PRIORIZA O PL PARA 2028. 

O presidente do PL no Piauí, Tiago Junqueira, afirma que não pretende disputar a Prefeitura de Teresina em 2028. Se permanecer na atividade política, diz que seu caminho será organizar o partido no estado, preparando candidaturas a prefeito, vice-prefeito e vereador. Junqueira considera cumprida a missão que recebeu de levantar a bandeira de Flávio Bolsonaro no Piauí e colocar o PL na disputa eleitoral. Em sua avaliação, o partido ganhou presença e houve um pequeno avanço na votação de Flávio em comparação com a obtida por Jair Bolsonaro. Empresário, Junqueira ressalta que não tem trajetória na política e ainda vê com distância uma eventual candidatura. Para Teresina, a resposta é direta: não está nos seus planos. Caso continue à frente dessa missão, sua prioridade será construir uma estrutura para o PL crescer nos municípios. O projeto apresentado é preparar o partido para 2028, ampliar as bancadas de vereadores e formar chapas competitivas nas disputas pelas prefeituras.

FLÁVIO RECUA NA CARTA, TROCA “PRESIDENTE ELEITO” POR “LÍDER DO BRASIL”, MAS MANTÉM ATAQUES À ELEIÇÃO. 

O senador Flávio Bolsonaro (PL) atualizou a carta aos brasileiros divulgada nesta quarta-feira (28), substituindo a expressão “verdadeiro presidente eleito do Brasil” por “líder do Brasil”. A mudança retirou a autoproclamação de vitória que havia provocado repercussão e desconforto entre aliados. Entre eles, o governador Tarcísio de Freitas defendeu o respeito ao resultado das urnas. A declaração ocorreu no contexto da divulgação da primeira versão, antes de a alteração ganhar espaço no debate público. Na carta, Flávio questiona procedimentos adotados na eleição e cobra respostas das instituições. Embora a mudança permita concentrar a discussão nesses questionamentos, o texto atualizado ainda mantém acusações de fraude, sem apresentar provas. A correção sobre sua condição política, portanto, não representa a retirada de todas as acusações. Dos Estados Unidos, onde afirma estar com a família em segurança, o senador anunciou que continuará liderando a oposição e agradeceu o apoio de Javier Milei e Donald Trump. As acusações apresentadas devem ser examinadas pelos caminhos institucionais, com apuração de eventuais irregularidades. A cobrança política, porém, precisa se apoiar em elementos concretos, que possam ser apresentados e submetidos à verificação.

WELLINGTON ADMITE VOLTAR AO SENADO, ENQUANTO RAFAEL GANHA ESPAÇO NO CENÁRIO NACIONAL. 

Wellington Dias já admite deixar a Esplanada dos Ministérios no quarto governo Lula. “O normal é eu estar no Senado”, declarou nesta quarta-feira (28). A saída do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social ainda não está definida, mas o próprio ministro colocou o retorno ao Congresso na mesa. Na avaliação desta coluna, Wellington sai da eleição com menos protagonismo, enquanto Rafael Fonteles ganha projeção nacional e aparece entre os cotados para a Fazenda. O contraste é expressivo para quem, durante anos, comandou o grupo político que governa o Piauí. Em casa, sofreu um revés: seu filho, Vinícius Dias, recebeu mais de 34 mil votos, mas não conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa. A votação não foi suficiente para garantir a eleição, apesar da estrutura política familiar. No Senado, a liderança do governo aparece como possível caminho para preservar espaço nacional. Wellington sinalizou disposição para ajudar na articulação, mas não confirmou negociação para assumir a função. A liderança do PT seria outra hipótese política, ainda sem definição pública. Uma eventual ida de Rafael ao ministério poderia favorecer uma reorganização do grupo no Piauí, com Washington Bandeira no governo. Nesse cenário hipotético, Wellington precisaria negociar espaço para seus próximos passos, inclusive uma futura tentativa de reeleição ao Senado. O homem que antes dava as cartas pode ter de renegociar seu lugar à mesa. A relação com Lula continua sendo um ativo político, mas Wellington terá de definir como pretende conciliar seus planos nacionais com os interesses do grupo no Piauí.

TAXA DAS BLUSINHAS: GOVERNO TIRA IMPOSTO NO ANO ELEITORAL, MAS COBRANÇA FEDERAL PODE CHEGAR EM 2027. 

O governo Lula zerou em maio o Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida foi consolidada em lei em setembro, antes da eleição. Mas o alívio tem uma contradição: em 2027, essas compras passarão a ter incidência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo criado pela reforma tributária. A mudança atinge encomendas de baixo valor feitas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. Embora a CBS seja diferente do antigo Imposto de Importação, o efeito para o consumidor merece atenção: a cobrança federal poderá voltar a pesar nas compras que tiveram o imposto zerado neste ano. O ICMS estadual continua sendo cobrado. Zerar a cobrança em ano eleitoral e deixar para o ano seguinte a entrada de outro tributo sobre o consumo merece uma crítica direta: estelionato eleitoral. O consumidor que comemora o alívio agora precisa saber que isso não significa o fim da tributação federal sobre essas compras. A troca de um imposto por outro não encerra a discussão. O governo precisa explicar por que o benefício anunciado neste ano não representa compras livres de tributação federal em 2027.