Dólar a R$ 5,20: entenda por que a moeda está caindo este ano e saiba se é hora de comprar

O dólar está perdendo força em 2022. Em janeiro, a moeda norte-americana acumulou queda de quase 5%. Este mês, ela rompeu a barreira dos R$ 5,30 e, entre altas e baixas, chegou a bater em R$ 5,17 durante os negócios da quinta-feira (10), no menor patamar intradia desde setembro.

Em 2022, o Brasil é o país onde o dólar mais se desvalorizou, segundo dados da Economatica.

O alívio na pressão cambial, no entanto, exige cautela, já que as eleições devem entrar no radar dos investidores nos próximos meses, segundo especialistas consultados pelo g1. De acordo com o último boletim Focus, a previsão é que o dólar termine o ano em R$ 5,60.

Confira abaixo os motivos que levaram o dólar ficar abaixo dos R$ 5,30:

Volume de investimento estrangeiro

O alto volume de investimento estrangeiro que o Brasil vem recebendo é um dos fatores que impulsiona a valorização do real frente ao dólar. Até quarta-feira (9), a bolsa de valores de São Paulo, a B3, registrava uma alta de 7,29% nesses investimentos em 2022.

De forma simples, a regra segue a lei da oferta e demanda: se o investidor de fora coloca mais dólares na economia brasileira, haverá um volume maior da moeda por aqui. E quanto maior a oferta, menor o preço.

Em janeiro, o investimento estrangeiro na bolsa atingiu R$ 32,49 bilhões na B3 — a segunda melhor marca desde 2012 e o quarto mês consecutivo de entradas de capital estrangeiro.

Aumento dos preços das commodities

O aumento dos preços das commodities no mercado internacional também fortalece o real, uma vez que há um forte ingresso de dólares no país com a venda de produtos, como soja, minério de ferro e petróleo, explicou André Perfeito, economista-chefe da Nécton.

O preço das matérias-primas com influência sobre a inflação apresentou alta de 2,99% em janeiro, após variação negativa de 0,71% em dezembro. Em 12 meses, o Índice de Commodities Brasil (IC-Br) teve elevação de 40,41%, divulgado pelo Banco Central.

Taxas de juros

A alta da Selic também atrai estrangeiros para o Brasil, via investimentos em renda fixa. Depois da última decisão do Copom, o Brasil voltou a ter o maior juro real (descontada a inflação) do mundo – pagando, assim, um retorno atrativo ao capital externo. E o Banco Central já sinalizou pelo menos mais uma alta da taxa, na próxima reunião, em março.

Segundo Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria, os juros dos EUA, que devem subir a partir de março, também ajudam a cotação do dólar a baixar por aqui: diante da postura mais agressiva do Federal Reserve, o BC dos EUA, para combater a inflação por lá (que atingiu o maior nível em 40 anos), os investidores norte-americanos estão se desfazendo de suas aplicações na bolsa, já prevendo o crescimento mais tímido da economia do país e das próprias empresas em que investem.

O dólar deve continuar em queda?

Na avaliação dos especialistas, o dólar deve permanecer em torno de R$ 5,30 este mês, com variações, principalmente, para baixo.

No entanto, será preciso ter cautela a partir do segundo trimestre, quando as eleições no Brasil entrarão no foco dos investidores, fazendo com que o dólar volte a subir, afirmou Silvio Campos Neto, da Tendências.

É hora de comprar dólares?

Para quem tem dinheiro guardado ou tem de viajar a trabalho, os especialistas recomendam comprar dólares o quanto antes para aproveitar a cotação atual – já que ela pode não durar muito.

E de viajar ao exterior?

Segundo os especialistas, não. E para explicar a negativa, é necessário fazer uma ponderação: apesar de o dólar ter alcançado R$ 5,22 nesta quarta-feira (9), em 10 de fevereiro de 2020, ela valia R$ 4,32. Ou seja, a moeda norte-americana ainda está bastante valorizada no Brasil — encarecendo o custo de viagens internacionais e de compras no exterior.

Fonte: G1.com