Operação “Falso Profeta” resgata 40 pessoas em situação análoga à escravidão em igreja no Maranhão

Uma força-tarefa formada por auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, procuradores do Ministério Público do Trabalho e agentes da Polícia Federal resgatou 40 pessoas em situação análoga à escravidão em uma propriedade ligada à igreja Shekinah House Church, em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís, no Maranhão. 

Segundo as investigações, os trabalhadores realizavam atividades como limpeza da propriedade, preparo de alimentos, cuidados com cavalos e serviços de construção civil. De acordo com os relatos colhidos durante a fiscalização, as vítimas não recebiam salário e tinham apenas alimentação, abrigo e roupas como contrapartida pelos serviços prestados.

A Vigilância Sanitária interditou o imóvel após identificar condições degradantes, como água imprópria para consumo, dormitórios superlotados, alojamentos sem ventilação adequada e banheiros sem divisórias. Parte dos resgatados foi encaminhada para abrigos disponibilizados pelo Governo do Maranhão.

A operação é um desdobramento da “Operação Falso Profeta”, que investiga o pastor David Gonçalves Silva, líder da igreja, preso em abril deste ano. Ele é suspeito de crimes como estelionato, associação criminosa, estupro de vulnerável e punições físicas e psicológicas contra fiéis. 

As investigações apontam que o grupo vivia sob rígido controle dentro da instituição religiosa. Ex-fiéis relataram à polícia episódios de agressões, privação de alimentos e castigos físicos. A Polícia Federal e o Ministério Público seguem apurando o caso para identificar outras possíveis vítimas e aprofundar as denúncias envolvendo a igreja.