O deputado estadual Georgiano Neto utilizou suas redes sociais para anunciar o encerramento oficial das tratativas para a consolidação da chamada "aliança cruzada" com o MDB. Segundo o parlamentar, embora tenha havido diálogo entre as legendas, as conversas terminaram sem um consenso.
Diante do impasse e com o relógio correndo contra o prazo final de filiações partidárias, marcado para o dia 4 de abril, Georgiano mudou a rota. O deputado fez uma convocação direta aos filiados do PSD para focar na formação exclusiva de chapas proporcionais do próprio partido, tanto para a Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) quanto para a Câmara dos Deputados.
O peso do isolamento político
Nos bastidores da política estadual, a falta de acordo não é vista apenas como um desencontro de agendas, mas como o resultado prático de uma estratégia de isolamento imposta ao grupo liderado pela família Lima.
Sem a robustez da composição com o MDB, o projeto inicial do PSD sofreu um forte abalo. A expectativa do grupo, que antes projetava eleger até sete deputados estaduais, agora dá lugar a um cenário de contenção de danos. As novas projeções, bem mais enxutas, apontam para a conquista de, no máximo, três ou quatro cadeiras na Alepi, além da eleição de possivelmente apenas um deputado federal.
Queda de braço antecipada
O novo desenho estratégico evidencia as dificuldades do PSD em consolidar uma base competitiva para o próximo pleito. Embora Georgiano Neto tenha contabilizado vitórias pontuais ao longo da pré-campanha — como a pressão pública que resultou no recuo da candidatura de Léo Sobral à Câmara Federal —, o saldo geral aponta para um enfraquecimento do seu grupo.
A leitura do cenário político é clara: antes mesmo da abertura das urnas, Georgiano Neto entra na fase decisiva do calendário eleitoral saindo derrotado na queda de braço por espaços e alianças, com um capital político menor do que o projetado no início das articulações.