Teresina tenta virar página do lixo com nova licitação após anos de denúncias.

O prefeito Silvio Mendes anunciou, na manhã desta segunda-feira, a abertura do processo de licitação para os serviços de coleta e limpeza pública de Teresina. O contrato, previsto para durar cinco anos, envolve valores milionários e recoloca em pauta um dos temas mais sensíveis da administração pública da capital. Ao longo dos últimos anos, o setor foi marcado por uma série de denúncias, que vão desde a má qualidade dos serviços prestados até suspeitas de articulações nos bastidores para favorecer empresas específicas. Informações que circularam no meio jurídico apontavam, inclusive, a atuação de pessoas influentes como lobistas, defendendo interesses de empresas mesmo diante das reclamações da população sobre a precariedade da limpeza urbana. Outro aspecto que chamou atenção nas denúncias foi o perfil de quem atuava na pressão e disseminação de informações. Em vez de profissionais da comunicação, surgiram relatos da atuação de grupos organizados em aplicativos de mensagem, que utilizavam chantagem e ataques coordenados para interferir no debate público. Com a abertura da nova licitação, cresce a expectativa de que o processo seja conduzido com rigor e transparência, garantindo não apenas a legalidade, mas principalmente a melhoria efetiva dos serviços prestados à população de Teresina.


Base aliada se fragmenta na disputa pelo Senado no Piauí. 

Mesmo integrando a base do governador Rafael Fonteles (PT), o PSB decidiu adotar uma postura de independência na corrida ao Senado. A sigla liberou seus filiados para definirem livremente seus apoios, evidenciando falta de alinhamento interno na estratégia eleitoral. A informação foi confirmada pelo vereador Leônidas Júnior, que destacou que o partido permanece ao lado de Rafael Fonteles na disputa pelo governo estadual, mas, no cenário do Senado, cada liderança seguirá seu próprio caminho. “Não há alinhamento. Há autonomia”, resumiu. Segundo o parlamentar, a definição dos apoios será feita de forma descentralizada, levando em consideração articulações políticas e interesses locais de cada grupo. A decisão contraria o movimento do Palácio de Karnak, que busca unificar a base governista em torno das pré-candidaturas de Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD) ao Senado. A  justificativa para a liberação geral passa pelas dificuldades do partido em estruturar chapas competitivas para deputado estadual e federal. O gesto, porém, escancara um cenário já percebido nos meios políticos: a base aliada entra na disputa majoritária com sinais claros de divisão.

Duas agendas, dois cenários: Joel Rodrigues cresce no interior e Rafael Fonteles não mobiliza público. 

O fim de semana no interior do Piauí evidenciou dois caminhos completamente diferentes na disputa pelo governo do estado. De um lado, Joel Rodrigues tem intensificado sua presença em municípios piauienses com uma agenda popular, marcada por visitas a feiras, festejos, praças e mercados públicos. A estratégia do contato direto tem surtido efeito visível: mesmo sem o apoio formal de lideranças locais em algumas cidades, Joel vem sendo cercado por moradores, formando verdadeiros cordões humanos ao seu redor. O ritmo também chama atenção. Em apenas 24 horas, o pré-candidato percorreu cerca de cinco municípios, passando por cidades como Floriano, Arraial  , Santa Cruz dos Milagres  e Landri Sales, ampliando sua visibilidade e consolidando presença em regiões estratégicas do estado. Do outro lado, o governador Rafael Fonteles segue com sua agenda institucional, focada em anúncios e entregas de obras. Apesar da estrutura montada e da presença de lideranças políticas  muitas vezes reunindo diferentes grupos locais , os eventos não têm conseguido atrair a população de forma expressiva. Um dos exemplos mais claros foi registrado em Landri Sales, onde uma solenidade do governo contou basicamente com a presença de pessoas ligadas à prefeitura e à base governista, com baixa participação popular. A ausência do público chamou atenção e reforçou o contraste com a movimentação observada nas agendas de rua. Nos bastidores do Palácio de Karnak, o cenário já começa a preocupar. A diferença entre uma pré-campanha que cresce no contato direto com o eleitor e uma agenda oficial que não consegue mobilizar público acende o alerta sobre os rumos da disputa no interior do estado.

STF discute lei sobre participação de alunos em conteúdos de gênero nas escolas. 

O ministro André Mendonça votou para manter a validade de uma lei do Espírito Santo que autoriza pais a vetarem a participação de seus filhos em atividades escolares relacionadas à identidade de gênero e orientação sexual. A norma assegura às famílias o direito de decidir sobre a presença dos estudantes nesses conteúdos, tanto em escolas públicas quanto privadas. Em seu voto no Supremo Tribunal Federal, Mendonça argumentou que a medida não proíbe o ensino, mas reforça a participação dos responsáveis em decisões que envolvem valores pessoais. O posicionamento diverge do entendimento da relatora, a ministra Cármen Lúcia, que considerou a lei inconstitucional por invadir a competência da União para estabelecer diretrizes da educação. Para Mendonça, a legislação busca proteger a infância sem interferir no currículo escolar ou configurar censura. Já Cármen Lúcia avalia que a medida pode comprometer o pluralismo e políticas de inclusão no ambiente educacional. O julgamento ocorre no plenário virtual do STF e segue aberto até o dia 11 de maio, prazo para que os demais ministros apresentem seus votos.



Produtores rurais denunciam multas e prometem mobilização no Sul do Piauí. 

 

Agricultores do Vale do Itaim realizaram uma audiência pública na cidade de Paulistana para discutir os impactos de autos de infração e multas aplicadas por órgãos de fiscalização do governo federal, relacionadas a supostos casos de desmatamento ilegal. O encontro reuniu cerca de 400 produtores e contou com a presença de representantes do poder executivo municipal. Durante a audiência, os agricultores afirmaram que os valores das multas são elevados e, em muitos casos, considerados impraticáveis, chegando a somar milhões de reais. Segundo eles, as penalidades têm resultado no bloqueio de propriedades e na paralisação de atividades produtivas. Parte dos participantes também expressou críticas à atuação dos órgãos fiscalizadores e levantou questionamentos sobre possíveis motivações políticas por trás das autuações. Ao final da reunião, os produtores atingidos anunciaram que devem organizar protestos e अन्य formas de mobilização contra medidas dos governos federal e estadual. Eles reivindicam revisão das multas, maior diálogo com as autoridades e soluções que permitam conciliar a produção agrícola com a legislação ambiental vigente.

Regularização fundiária reaparece em ano eleitoral e levanta suspeitas de uso político em Teresina. 

A retomada das ações de regularização fundiária em bairros de Teresina, anunciada pelo Governo do Estado do Piauí, volta a gerar debate por coincidir com o calendário eleitoral. Após um ano de 2025 sem registros de entrega de títulos de imóveis ou avanços concretos na regularização de conjuntos habitacionais da capital, o tema reaparece agora como prioridade da gestão estadual. O anúncio foi feito pelo secretário de Administração, Samuel Nascimento, por meio de divulgação institucional, destacando a entrega de registros na região do Conjunto Habitacional Promorar área que há décadas aguarda a conclusão dos processos de regularização fundiária. A iniciativa ocorre em um momento de pré-campanha, no contexto da tentativa de reeleição do governador Rafael Fonteles. Críticos apontam que, sem um volume expressivo de obras recentes na capital, o governo recorre à regularização fundiária como forma de atrair a atenção do eleitorado. Historicamente, moradores dessas áreas convivem com a expectativa pela posse definitiva de seus imóveis, um direito considerado fundamental para a segurança jurídica das famílias. No entanto, questiona-se a recorrência com que essas entregas são intensificadas justamente em anos eleitorais, muitas vezes de forma fragmentada. Diante desse cenário, cresce a cobrança por maior fiscalização por parte da Justiça Eleitoral, para que políticas públicas essenciais não sejam associadas a estratégias de capital político. A regularização fundiária deve ser contínua e planejada, e não concentrada em períodos específicos do calendário eleitoral. A discussão reacende um tema sensível no debate público: o equilíbrio entre a execução legítima de políticas sociais e o risco de sua utilização com fins eleitorais.