Rua 25 de Março é citada em investigação dos EUA como polo de pirataria e levanta alerta internacional

Um dos centros comerciais mais populares da América Latina, a Rua 25 de Março, localizada no coração da capital paulista, voltou ao centro de um debate internacional. O governo dos Estados Unidos, por meio de um relatório oficial divulgado em janeiro de 2025, classificou a região como um dos mercados mais notórios do mundo por pirataria e falsificação de produtos. O documento, elaborado pelo Escritório de Representação Comercial dos EUA (USTR), aponta que a 25 de Março abriga uma rede ativa de distribuição de produtos falsificados, com grande presença de eletrônicos, roupas, calçados, cosméticos e brinquedos — muitos deles de origem chinesa. O relatório inclui ainda locais como Brás, Santa Ifigênia, Galeria Pagé e Feira da Madrugada. " A região opera como um verdadeiro centro logístico de pirataria, com produtos que abastecem não só o Brasil, mas também outros países da América do Sul”, destaca um trecho do relatório americano.


Investigação e possível retaliação


A citação ganhou ainda mais repercussão por estar vinculada a uma nova frente de investigações do ex-presidente Donald Trump, que tem defendido medidas mais duras contra países considerados “tolerantes” com práticas comerciais ilegais. O relatório pode, inclusive, embasar retaliações econômicas e tarifárias futuras contra o Brasil. O levantamento revela que 84% dos produtos falsificados apreendidos na alfândega dos EUA vêm da China ou de Hong Kong, e muitos desses itens estariam sendo distribuídos a partir da 25 de Março.

Comércio dominado por imigrantes chineses

Hoje, grande parte dos lojistas e distribuidores da região é formada por imigrantes chineses que controlam não só o comércio, mas também os canais de importação e distribuição de mercadorias. Esse domínio comercial tem transformado a paisagem da região, que, apesar de gerar milhares de empregos, também levanta dúvidas quanto à origem e regularização dos produtos. Em nota, a Univinco25, entidade que representa os comerciantes locais, contestou o relatório americano, afirmando que a maioria das lojas é legalizada e opera com notas fiscais. A associação, no entanto, reconhece que há desafios no controle da pirataria, especialmente com vendedores informais e em algumas galerias sem fiscalização adequada.


Operações e resistência


Nos últimos meses, a região foi alvo de diversas operações de fiscalização da Receita Federal e da Polícia Civil, com apreensão de toneladas de produtos piratas. Mesmo assim, o ciclo de apreensão e reabertura das lojas ilegais parece persistente. " Tem fiscalização, mas no dia seguinte está tudo aberto de novo. É uma briga de gato e rato”, disse um lojista que preferiu não se identificar.

O  que está em jogo

A inclusão da 25 de Março na lista do governo americano não afeta apenas a imagem do comércio paulistano, mas também coloca o Brasil sob risco de sanções comerciais. Com a crescente pressão por parte dos EUA, especialistas alertam para a necessidade de uma ação mais estruturada de combate à pirataria. Além do impacto comercial, o episódio acende o debate sobre o papel do Brasil no controle de produtos ilegais, a responsabilidade das plataformas de comércio online e o equilíbrio entre livre iniciativa e fiscalização.