O clima nos bastidores do Hospital Regional Tibério Nunes, em Floriano, é de tensão e silêncio. Nesta terça-feira (17), o diretor-geral da unidade, Gabriel Sousa Silva, entregou seu pedido de demissão sem apresentar justificativas públicas — e sem nota oficial por parte da Secretaria Estadual de Saúde. A saída, embora tratada como um ato isolado, ocorre justamente no momento em que a instituição enfrenta uma grave crise de credibilidade.
No centro da turbulência está Leonardo Corrêa, também integrante da direção do hospital, investigado pelo Ministério Público do Piauí por firmar contratos no valor de R$ 2,7 milhões com sua própria empresa, a L.C.M., entre os anos de 2021 e 2022. Leonardo, que tem ligações políticas com o deputado Marcus Kalume (atualmente no exercício do mandato), é acusado de favorecimento, conflito de interesses e acúmulo ilegal de cargos públicos. As investigações apontam para a possibilidade de indiciamento por improbidade administrativa.
Embora não haja, até o momento, qualquer informação oficial que conecte diretamente a demissão de Gabriel ao escândalo envolvendo Leonardo, a coincidência de datas e a relação política entre ambos levantam questionamentos entre servidores e lideranças locais. Fontes ouvidas pelo Portal Encarando falam em uma possível reestruturação forçada no comando do hospital, possivelmente articulada para conter o desgaste da gestão.
Gabriel, nomeado em janeiro de 2023, sempre manteve um perfil público voltado para inovação e empreendedorismo. Nas redes sociais, apresenta-se como “trend investidor” e chegou a participar de eventos voltados à gestão moderna e finanças pessoais. Sua saída, por isso, foi vista como inesperada, especialmente por aliados que viam nele uma aposta promissora para oxigenar a gestão da unidade.
O Hospital Regional Tibério Nunes é uma das principais referências em saúde pública da região Sul do Piauí. Com atendimento de média e alta complexidade, a unidade hospitalar atende dezenas de municípios e possui papel estratégico na estrutura da rede estadual.
Procurado pela reportagem, Gabriel Sousa não retornou os contatos até o fechamento desta matéria. O governo do estado também não se manifestou oficialmente sobre o assunto.
Enquanto isso, a população observa , entre apreensão e ceticismo , os desdobramentos dessa sequência de episódios que abala um dos pilares da saúde pública na região. A crise parece estar apenas começando.