Reforma administrativa, corte de gastos, economia. Essas são as principais pautas trabalhadas no início do quarto mandato do governador Wellington Dias (PT). Um plano de contenção de despesas que, segundo ele, vai fazer com que o Piauí possa enfrentar a crise econômica nacional garantindo os serviços prioritários para a população.
A reforma, entregue na Assembleia, já vinha sendo anunciada, e ainda no início de 2019, foi determinado através do decreto de nº 020, a demissão de 1.237 funcionários terceirizados de vários órgãos do governo do estado.
No decreto publicado no Diário Oficial da União, em 29 de janeiro, a comissão discrimina a quantidade de terceirizados que tem em cada órgão do Estado e determina o número que deve ficar após os cortes. Veja!

Economia para o governo, drama para as famílias
O objetivo do governo com a demissão em massa é reduzir em R$ 4 milhões por mês, os gastos com os terceirizados. No entanto, a medida se transformou em um drama para as famílias que dependem desse trabalho. Além disso, os trabalhadores ainda tem que conviver com a questão do atraso salarial, que já dura cerca de 3 meses.
Um funcionário terceirizado da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi), que preferiu não se identificar, relatou ao Portal Encarando as dificuldades que tem passado por conta do atraso no repasse dos salários.
“Estamos passando por um momento muito delicado. Vivemos trabalhando sob ameaças, pressionados e completamente desmotivados. Tive que fazer vários empréstimos para tentar manter minhas contas em dias. Estamos sem nenhuma perspectiva, nós não recebemos nem o décimo terceiro salário ainda”, disse.
Para outros, a situação é ainda mais grave, e segundo o funcionário, uma pessoa chegou a tentar cometer suicídio.
“Um colega nosso chegou a tentar suicídio. Ele foi até a Ponte Nova e queria se jogar de lá. Ele está no maior desespero, endividado. A maioria dos amigos dele aqui do trabalho, foi até lá e conseguiram impedir uma tragédia”, afirmou.
De acordo com as informações repassadas, muitos dos terceirizados estão com férias vencidas a quase cinco anos. Alguns, chegaram a pedir demissão por conta própria e não receberam nenhum direito. O fato, amedronta a classe.
“A nossa maior questão não é ser demitido, é não receber nossos direitos. Não temos nenhuma segurança”, afirma.
Ainda segundo o funcionário, há uma promessa de que o governo irá pagar salário atrasado referente ao mês de dezembro e efetuar o pagamento do décimo terceiro, nesta quarta-feira (20), entretanto, a informação ainda não foi confirmada.
“Não acreditamos mais em nada. Nós terceirizados estamos sofrendo nas mãos desse governador e desses outros governantes. Infelizmente, estamos sem nenhuma perspectiva”.
A maioria dos terceirizados preferem não se identificar por medo de perseguição política e de não receber os atrasados, caso o governo pague . E se entrar contra o Estado podem a dívida desses processos pode virar um precatório, quando o governo perde o processo e já não tem mais recursos judiciais disponíveis. Dependendo do valor da causa, o governo coloca esse débito em uma fila de pagamentos que, em alguns casos, leva mais de 20 anos para ser quitado.
Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles