A derrota de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2026, depois de uma virada histórica de Lula no segundo turno, poderá representar muito mais do que uma simples derrota eleitoral. A derrota do bolsonarismo pode marcar o início do fim de um ciclo político, evidenciando o desgaste e esvaziamento de um projeto de poder familiar no Brasil.
A virada nas urnas demonstrou que o capital eleitoral do bolsonarismo, embora expressivo, não é suficiente para garantir a continuidade de seu projeto político.
O bolsonarismo não nasceu de uma tradição partidária consolidada, de uma escola de pensamento político ou de uma construção programática duradoura. Surgiu em torno de uma figura política patética fruto da internet, especialmente das redes sociais, utilizadas como instrumentos de projeção e construção de popularidade. Mais do que uma doutrina organizada, consolidou-se como um fenômeno político vazio e personalista, alimentado pela comunicação digital, pela polarização e pela identificação com uma liderança familiar.
Mas, afinal, o que é o bolsonarismo? Qual é sua doutrina? Qual é seu programa político? Quais são suas bases teóricas, seus princípios econômicos, sociais e institucionais? Qual é sua contribuição concreta para a construção de um projeto nacional de desenvolvimento?
A dificuldade de apresentar respostas consistentes a essas perguntas expõe algumas das principais fragilidades do bolsonarismo. Sua identidade política permanece profundamente dependente da figura patética de Jair Bolsonaro, de seu discurso vazio e da atuação de seus familiares. Falta ao bolsonarismo uma estrutura programática capaz de se sustentar independentemente dessa liderança. É nesse contexto que ganha força a interpretação de que, mais do que um projeto partidário ou uma proposta de país, o bolsonarismo se estruturou como um projeto de poder familiar.