MPT investiga São Marcos, mas qual é a atuação nos hospitais estaduais?

O Ministério Público do Trabalho abriu inquérito para investigar as condições de trabalho e a saúde mental dos funcionários do Hospital São Marcos, em Teresina. A apuração é necessária, mas cabe uma cobrança: qual tem sido a atuação do órgão nos hospitais estaduais administrados por organizações sociais? Nessas unidades, também há trabalhadores contratados por entidades privadas. No Hospital Estadual Dirceu Arcoverde, o HEDA, em Parnaíba, há relato de salários atrasados de terceirizados apresentado à Coluna .  Quem está cobrando uma solução para esses profissionais? O MPT precisa esclarecer quais medidas tem adotado diante dessas situações. A cobrança por condições dignas de trabalho deve alcançar também quem presta serviço dentro dos hospitais do estado. Investigar o São Marcos é correto. Dar respostas aos trabalhadores da rede estadual também é necessário.


SILVIO MOSTRA APETITE PELA REELEIÇÃO E ACERTA AO CHAMAR ALAN BRANDÃO. 

Na coluna de ontem, cobrávamos uma posição diante das informações de bastidores de que o PT e aliados do Karnak trabalhavam para colocar Leônidas Júnior na liderança do prefeito na Câmara de Teresina. Embora tenha relações com o Palácio da Cidade, Leônidas tem raízes no grupo governista estadual. Silvio Mendes respondeu escolhendo alguém de sua confiança: Alan Brandão. Alan deixará a SDU Norte para retornar à Câmara e assumir a liderança do prefeito, substituindo Bruno Vilarinho, eleito presidente da Casa. Com o retorno do primeiro suplente do PRD, o Capitão Roberval Queiroz, segundo suplente, deverá deixar a cadeira e ficar sem mandato. É a consequência da ordem de suplência. 

SEM REFORÇAR O ORÇAMENTO, SILVIO VAI ENGESSAR JOEL RODRIGUES. 

Joel Rodrigues assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo com disposição para ajudar Teresina e dar mais força à gestão de Silvio Mendes. Mas o prefeito precisa oferecer condições de trabalho à altura do secretário que convidou. Em 2026, a pasta tem orçamento previsto de apenas R$ 11 milhões valor que precisa atender às despesas da estrutura e às ações da secretaria. Desse total, é preciso descontar pessoal e custeio antes de falar em dinheiro para novos investimentos. Reativar o Banco Popular é uma iniciativa importante, mas Joel precisa de espaço para ir além: estimular pequenos negócios, levar oportunidades aos bairros e atrair investimentos que gerem emprego e renda. Sem reforço financeiro, a cobrança por resultados ficará maior que os instrumentos disponíveis. No campo político, Joel pode até ser imaginado como uma opção para vice numa eventual candidatura de Silvio à reeleição. É uma possibilidade de composição, pelo peso político e pela experiência que carrega. Mas sua contribuição à gestão precisa começar por entregas concretas, capazes de chegar à população. Silvio começa a demonstrar apetite eleitoral e precisa entender que prestígio no anúncio não substitui orçamento na execução. Se chamou Joel para fazer a diferença, terá de fortalecer a pasta. Caso contrário, correrá o risco de transformar um secretário com capacidade de trabalho em mera acomodação política.


ÔNIBUS GRATUITO, CONTA ABERTA: DECRETO DE RAFAEL DEIXA PERGUNTAS SEM RESPOSTA. 

O governador Rafael Fonteles decretou a gratuidade dos ônibus intermunicipais para eleitores que viajarão no segundo turno. Publicado em 13 de outubro, o Decreto nº 24.783 prevê ressarcimento às empresas, com critérios e cálculos definidos pela Secretaria dos Transportes. O benefício chega ao passageiro, mas a conta fica com o contribuinte.  É justamente nessa conta que mora a cobrança. Pelo texto apresentado, o decreto não estabelece teto nem fórmula de pagamento. Quanto custará? Como serão comprovadas as viagens? Quem conferirá os passageiros transportados? Sem essas respostas públicas, o governo deixa aberta uma autorização de despesa cujo tamanho a população ainda desconhece  um cheque em branco que precisa de limites e fiscalização.A autorização para utilizar ônibus escolares também exige transparência: rotas divulgadas, critérios iguais de atendimento e controle sobre combustível, motoristas e viagens. A estrutura pública precisa atender ao eleitor sem ficar à disposição dos interesses de lideranças políticas locais. Às vésperas da votação, Rafael anuncia a gratuidade e deixa os detalhes da conta para depois. Isso dá ao decreto uma aparência eleitoreira e exige explicação da Setrans. Facilitar o acesso ao voto é necessário; divulgar quanto será pago às empresas e como cada cobrança será auditada também. 

ERRO NO PRIMEIRO TURNO PÕE CREDIBILIDADE DA QUAEST EM XEQUE NO SEGUNDO. 

A Quaest, contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo, apresentou nesta quarta-feira (14) Flávio Bolsonaro com 46% e Lula com 44%, em empate técnico pela margem de dois pontos. Na avaliação desta coluna, são números para se olhar com desconfiança, diante da diferença entre a dianteira apresentada pelo instituto no primeiro turno e o resultado das urnas.Na véspera da votação, a Quaest colocou Lula com 46% dos votos válidos e Flávio com 45%. Na urna, aconteceu o contrário: Flávio terminou com 47,03% e Lula, 45,16%. O instituto indicava empate técnico, mas a vantagem numérica atribuída ao petista não se confirmou. Esse histórico pesa na confiança com que seu novo levantamento deve ser recebido. O Ipespe divulgado em 10 de outubro mostrou vantagem maior para Flávio: 52,7% contra 47,3% dos votos válidos. O PoderData de 13 de outubro, porém, também apontou empate técnico, com 51% a 49%. A nova Quaest pode animar a militância petista, mas comemoração de campanha não encerra a cobrança sobre os números. Quem colocou Lula numericamente na frente antes da urna precisa aceitar o escrutínio agora. O levantamento ouviu 2.154 eleitores presencialmente, de 10 a 13 de outubro, com margem de dois pontos, confiança de 95% e registro BR-08729/2026.

PACIENTE MORRE E FAMÍLIA DENUNCIA AGRESSÕES NO HOSPITAL AREOLINO DE ABREU. 

José de Ribamar Dutra de Lima, de 56 anos, morreu nesta quarta-feira (14), após 22 dias internado no Hospital de Urgência de Teresina (HUT). Segundo publicação do Portal Cidade Luz, a família denuncia que ele sofreu agressões durante uma internação anterior no Hospital Areolino de Abreu, unidade estadual de atendimento a pessoas com transtornos mentais. A irmã, Maria do Amparo, relata que encontrou José com lesões no rosto e no tórax e dificuldades para caminhar, depois de ser avisada de que ele havia passado mal. Segundo ela, funcionários informaram que teria ocorrido uma briga no pavilhão onde ele estava internado. A família registrou boletim de ocorrência. A denúncia exige apuração e explicações do hospital e do governo Rafael Fonteles. Quem procura tratamento precisa encontrar cuidado e segurança. É necessário esclarecer como o paciente sofreu os ferimentos e se há relação entre as lesões e a morte. A família tem direito a respostas.

FIM DA ESCALA 6×1 NÃO TEM DONO: PT NÃO PODE TRANSFORMAR VOTAÇÃO EM TROFÉU ELEITORAL. 

Com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, o Senado aprovou o fim da escala 6×1 numa votação que beirou a unanimidade e reuniu governo e oposição. O placar fala por si: o PT não pode tomar para si uma decisão construída com apoio tão amplo, muito menos apresentá-la como troféu eleitoral. O centro dessa mudança deve ser o trabalhador, que precisa descansar, conviver com a família e ter tempo para estudar e buscar qualificação. Uma conquista dessa dimensão merece ser tratada com seriedade, sem virar propriedade de partido ou instrumento de campanha. Agora, o país precisa administrar a transição com diálogo e maturidade. Empregadores e empregados devem ter espaço para construir soluções para suas jornadas, respeitando os direitos assegurados e as necessidades de cada atividade. Relações de trabalho maduras se fortalecem na negociação, com respeito dos dois lados. É esse caminho que interessa ao Brasil: melhores condições de vida para quem trabalha e condições para as empresas produzirem e gerarem empregos. A votação mostrou que é possível construir entendimento. Que essa disposição continue depois dos discursos e das urnas.