O que pode ser o início de uma debandada dentro da base do governo estadual começa a ganhar forma no interior do Piauí. O vereador Vitor Paixão, do Partido Social Democrático (PSD), ligado ao grupo do deputado Georgiano Neto, anunciou publicamente o rompimento político com o núcleo governista. Figura de forte expressão política em São Raimundo Nonato, na região da Serra da Capivara, o parlamentar declarou, por meio de suas redes sociais, que não acompanhará mais o grupo alinhado ao Palácio de Karnak. Segundo ele, a decisão ocorre mesmo diante de possíveis consequências políticas, já que integra a base do prefeito Rogério Castro, aliado do governador. Na manifestação, Vitor Paixão argumenta que, desde 2023, houve tempo suficiente para mudanças na gestão estadual, o que, em sua avaliação, não ocorreu. Diante disso, optou por se posicionar fora do grupo governista e sinalizar apoio a um projeto de mudança no estado. O episódio é interpretado nos bastidores como um forte sinal de desgaste político e possível efeito dominó entre aliados, indicando que o sentimento de insatisfação e abandono começa a se espalhar dentro da base que sustenta o governo no Piauí.
Temístocles Filho articula força política para tentar salvar mandato do próprio filho e amplia críticas no Piauí.
Nos bastidores da política piauiense, ganha força a avaliação de que o vice-governador Temístocles Filho tem concentrado esforços na defesa de interesses familiares, especialmente diante da articulação em curso para tentar garantir a reeleição do deputado federal Marco Aurélio Sampaio, seu filho. A movimentação, que conta com apoio de setores do Palácio de Karnak, é vista por analistas como uma tentativa de conter desgastes políticos acumulados e reorganizar a base após decisões estratégicas consideradas equivocadas dentro da própria chapa majoritária. Para fortalecer o projeto, Temístocles tem buscado congregar diferentes lideranças e pré-candidatos, como o vereador Venâncio, o secretário Daniel Oliveira e a desportista Sara Menezes. A aproximação de Sara, inclusive, gerou repercussão negativa em parte da opinião pública, sendo interpretada como alinhamento político com o grupo governista. Enquanto isso, Marco Aurélio Sampaio enfrenta críticas recorrentes por sua atuação distante das bases no Piauí. Com ligações frequentes com a Paraíba, especialmente com a capital João Pessoa, onde mantém vínculos familiares, o parlamentar é apontado como ausente do dia a dia político do estado.Apesar da mobilização e da estrutura colocada à disposição, a avaliação predominante nos bastidores é de que o cenário segue desfavorável, e há dúvidas sobre a capacidade de o deputado garantir sua permanência na Câmara Federal nas próximas eleições.
Padre denuncia pressão do Karnak, e PT barra genro de Firmino em São Raimundo Nonato.
A disputa política em São Raimundo Nonato ganhou novos contornos após uma denúncia pública envolvendo o Palácio de Karnak e o Partido dos Trabalhadores. O advogado Breno Macedo, genro do ex-prefeito Firmino Filho, tem enfrentado resistência dentro do próprio grupo governista, mesmo após movimentos de aproximação política recentes. O episódio veio à tona após o padre Herculano, ex-prefeito do município, gravar um vídeo afirmando ter recebido ligação direta de interlocutores do Palácio de Karnak e do PT. Segundo o religioso, a orientação foi clara: retirar o apoio a Breno Macedo e passar a apoiar Vinícius Dias, filho do ministro Wellington Dias. A declaração pública reforça a percepção de interferência direta do núcleo do governo estadual nas articulações locais e evidencia a preferência do grupo pelo nome ligado ao ministro, em detrimento do genro de Firmino. Breno Macedo vinha construindo sua pré-candidatura com base na articulação de lideranças e no fortalecimento de sua base no município, considerado reduto histórico de sua família. No entanto, a movimentação do PT indica que o projeto enfrenta resistência dentro do próprio campo político ao qual passou a se alinhar. O caso também chama atenção pelo histórico recente de reconfiguração política. Bárbara do Firmino, esposa de Breno, rompeu com a oposição e integrou o palanque de Fábio Novo nas eleições de 2024, em Teresina. Desde então, tanto ela quanto Breno, além de Lucy, passaram a atuar alinhados à estratégia do Palácio de Karnak e do PT. A coisa começa a ficar feia dentro da base.
Pressão aperta e governo pode mexer na Comunicação.
O clima esquentou dentro do próprio governo. Aliados do governador Rafael Fonteles já começaram a pressionar por mudanças, principalmente na área da Comunicação. Nos bastidores do Karnak, o recado foi direto: é preciso afastar a imagem do governo de um grupo de aliados mais próximos, conhecidos como “Rafaboys”. E no centro dessa pressão está o secretário de Comunicação, Marcelo Noleto. O desgaste aumentou depois que o nome do irmão dele, Alexandre Nolêto passou a ser ligado a uma licitação milionária, perto de R$ 100 milhões, para obras em prédios públicos. Depois apareceu ostentando uma bicicleta no valor de R$ 150 mil reais , e Isso acendeu o alerta dentro do governo. Pra piorar, aliados reforcam que a exposição da família e sinais de ostentação não caíram bem. Em um momento delicado, esse tipo de situação pesa e muito na imagem da gestão. Diante disso, o governador avalia uma saída política pra tentar conter o desgaste sem criar uma crise maior. Uma das ideias é tirar Marcelo Noleto do comando da Comunicação e mandar para Brasília, no escritório de representação do estado. Nos bastidores, essa possível mudança já é vista como uma forma de esfriar o problema e tirar o foco do centro do poder, principalmente agora, com o cenário eleitoral se desenhando. O fato é que a pressão veio de dentro e quando isso acontece, o sinal de alerta acende mais forte.
Histórico criminal entre motoristas de aplicativo acende alerta em Teresina após casos de violência.
Casos recentes de violência em Teresina voltaram a levantar um debate delicado: a presença de pessoas com antecedentes criminais atuando como motoristas de aplicativo, incluindo na plataforma Uber. No episódio mais recente, um publicitário de um meio de comunicação foi baleado na porta de sua residência após uma confusão envolvendo um motorista. Embora as investigações tenham esclarecido que o autor do disparo não era o condutor do aplicativo, o caso expôs um ambiente de violência e reacendeu a discussão sobre quem está por trás do volante. Em outra ocorrência, registrada dias antes, um motorista de aplicativo foi assassinado após suspeita de ligação com facção criminosa. A motivação do crime, segundo informações preliminares, estaria relacionada ao histórico do próprio condutor, que já tem passagens pela polícia, o que aumentou ainda mais a preocupação em torno da segurança dos usuários. Os episódios reforçam a necessidade de um levantamento mais rigoroso por parte das autoridades sobre o perfil de quem atua no transporte por aplicativo. Especialistas apontam que, embora a maioria dos motoristas seja formada por trabalhadores honestos, há um percentual, ainda que pequeno, de pessoas com passagens pela polícia que pode representar risco. Diante desse cenário, cresce a pressão para que haja mais controle, fiscalização e cruzamento de dados, a fim de impedir que indivíduos com histórico criminal relevante tenham acesso facilitado a esse tipo de atividade, que lida diretamente com a segurança da população. A discussão ganha força principalmente entre usuários mais vulneráveis, como idosos, mulheres e jovens, que utilizam diariamente o serviço e cobram mais garantias de proteção.
Denúncia aponta uso de alunos da rede estadual para inflar eventos oficiais no interior do Piauí.
Uma denúncia registrada no município de Dom Expedito Lopes levanta questionamentos sobre a participação de alunos da rede estadual em solenidades do Governo do Estado. De acordo com relatos, estudantes estariam sendo incentivados a comparecer a inaugurações e eventos oficiais mediante a promessa de pontuação extra em disciplinas escolares. Os convites, segundo a denúncia, orientariam a presença dos alunos fardados, especialmente em eventos ligados à área da educação. A prática, se confirmada, teria como objetivo aumentar o público nas agendas institucionais do governador Rafael Fonteles, que em algumas ocasiões vêm registrando baixa participação popular. A situação levanta debate sobre os limites entre mobilização institucional e possível uso indevido da estrutura educacional. Especialistas apontam que a concessão de benefícios acadêmicos em troca de em eventos pode ferir princípios pedagógicos e administrativos, além de gerar questionamentos sobre a autonomia do ambiente escolar. Relatos indicam ainda que a prática não seria isolada, tendo sido mencionada em outros municípios do estado. Até o momento, não houve posicionamento oficial detalhado sobre as denúncias. O caso deve ser apurado pelos órgãos competentes para verificar a veracidade das informações e eventuais responsabilidades, caso sejam confirmadas irregularidades.
Silas Freire